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Novos movimentos da TotalEnergies em seus ambiciosos planos para o Brasil

Bnamericas Publicado: quarta-feira, 09 novembro, 2022
Novos movimentos da TotalEnergies em seus ambiciosos planos para o Brasil

A francesa TotalEnergies anunciou, no final de outubro, que estava formando uma joint venture com a brasileira Casa dos Ventos, que tem como foco a geração de energia renovável.

A nova empresa é criada com um portfólio de 6,1 GW, sendo 700 MW em operação, 1 GW em construção e 4,5 GW em estágio avançado de desenvolvimento.

A joint venture terá o direito prioritário de adquirir outros projetos atualmente em desenvolvimento pela Casa dos Ventos e também buscará oportunidades de investimento nas áreas de hidrogênio e amônia verde.

Com planos ambiciosos no setor, a TotalEnergies já anunciou a meta de aumentar sua capacidade de geração de energia dos atuais 16 GW para 100 GW, com fontes renováveis até 2030.

Mas a empresa continuará investindo no setor de óleo e gás, inclusive no Brasil, onde tem como meta ampliar sua produção de hidrocarbonetos.

A BNamericas conversa com o diretor geral e country chair da empresa francesa no Brasil, Charles Fernandes, sobre seus projetos no país.  

BNamericas: Quais os principais motivos para a formação da joint venture com a Casa dos Ventos?

Fernandes: Não nos consideramos uma empresa petrolífera – somos uma empresa multienergia. Temos o objetivo de atingir a neutralidade de carbono até 2050 e estabelecemos uma série de metas para isso, incluindo a redução de até 40% das emissões de escopo 1 e 2 até 2030.

Então, estamos investindo fortemente em energia renovável em todo o mundo e já temos 12 GW em atividades renováveis com parcerias muito fortes nos EUA, Índia e Europa.

Nossa capacidade de energia deve atingir 100 GW até 2030, e já estamos no caminho para 35 GW até 2025.

Investimos US$ 14 bilhões a US$ 18 bilhões anualmente e, em 2022, estamos investindo US$ 4 bilhões em energia renovável.

A parceria com a Casa dos Ventos insere-se nesse contexto de transição energética. Hoje, no Brasil, atuamos na área de energia renovável por meio da Total Eren, que já possui 300 MW em operação em energia solar e eólica e 1,2 GW em desenvolvimento.

Este é um mercado muito promissor, com enorme potencial. Do nosso lado, trazemos expertise em PPA (contratos de compra de energia), trading e a solidez de nosso balanço para alavancar e acelerar projetos.

(Nota do editor: as usinas solares da Total Eren vendem sua energia por meio de contratos de energia de reserva no ambiente regulado, enquanto as usinas eólicas têm sua energia vendida no mercado livre.)

BNamericas: A geração eólica offshore no Brasil está no radar da TotalEnergies?

Fernandes: O horizonte temporal desta atividade não é imediato. Há uma série de discussões em andamento sobre o marco regulatório, mas isso vai acontecer. Temos que observar como o mercado vai se firmar nessa área, que ainda não está desenvolvida em parceria com a Casa dos Ventos.

Estamos acompanhando isso de perto, também porque há uma cadeia produtiva que precisa ser estruturada, como portos e transmissão de energia. O mais importante é ter uma estrutura clara que dê confiança aos investidores para fazer investimentos a longo prazo.

BNamericas: Qual o status dos principais projetos em andamento no Brasil na área de energia renovável?

Fernandes: Existem três usinas solares fotovoltaicas em operação em São Paulo e na Bahia, e duas usinas eólicas menores no Rio Grande do Norte. Através da Total Eren temos 1,2 GW em energia eólica e solar em desenvolvimento.

BNamericas: Você está visando outros investimentos em energias limpas, como biocombustíveis e hidrogênio verde?

FernandesNós olhamos para essas oportunidades na medida em que elas se encaixam na nossa estratégia e oferecem algum tipo de potencial. Estão no perímetro do que estamos estudando como possibilidade no Brasil também.

BNamericas: Qual o panorama dos principais projetos em andamento no Brasil no setor de óleo e gás?

Fernandes: Atualmente, temos um portfólio bastante consolidado, concentrado nas bacias de Campos e Santos. São ativos de classe mundial com baixo custo e níveis reduzidos de emissão de CO2, desenvolvidos em parceria com a Petrobras, como Libra, Mero, Sépia e Iara. Além disso, somos os operadores da Lapa (no pré-sal santista). Nossa produção total no Brasil está planejada para atingir cerca de 200 mil boe/d até 2026.

[Nota do editor: De acordo com a ANP, a produção da TotalEnergies em setembro de 2022 foi de aproximadamente 150 mil boe/d.]

BNamericas: Quais são as perspectivas para a Lapa?

Fernandes: A Lapa atingiu a maturidade em seu desenvolvimento inicial. Hoje, temos projetos para conectar descobertas, como a Lapa SW (sudoeste), que nos permitirá aumentar a curva de produção nos próximos anos. Com essa conexão, esperamos poder estender a vida útil do campo a partir de 2025, aproveitando a capacidade disponível do FPSO existente.

BNamericas: Juntamente com a Petrobras, Petronas e QatarEnergy, a TotalEnergies anunciou recentemente uma nova descoberta no campo de Sépia. Quais são as expectativas para o projeto no pré-sal santista?

Fernandes: Quando adquirimos Sépia e Atapu, sabíamos do potencial desses campos, e a descoberta anunciada reforça nossa confiança no potencial dessas áreas. Esperamos que isso fortaleça nossa parceria e aumente a produção, que vem crescendo cada vez mais.

BNamericas: Muito se fala sobre a queda do índice de sucesso geológico do “novo pré-sal” em comparação com o que se viu na primeira década deste século, com Tupi, Sapinhoá e Búzios, por exemplo. Qual é a sua opinião sobre isso?

Fernandes: A atividade exploratória envolve riscos. Obviamente não haverá taxas de sucesso infalíveis. Nossas posições nos blocos exploratórios adquiridos reforçam nossa confiança no potencial do pré-sal. Temos que ter paciência com a exploração, que é um exercício de médio e longo prazos.

BNamericas: Quais são as possíveis sinergias entre seus projetos de E&P e os empreendimentos eólicos offshore já apresentados pela empresa ao Ibama? É uma opção fornecer energia para plataformas a partir de usinas eólicas offshore?

Fernandes: Quando falamos em desenvolver um campo offshore, é inevitável pensar em como reduzir a pegada de carbono e a geração eólica offshore é uma das alternativas para isso. A indústria e a sociedade exigem que caminhemos nessa direção.

BNamericas: A TotalEnergies está estudando a implementação do conceito “All electric” em suas unidades de produção offshore?

Fernandes: Essa é uma das forças para reduzir a pegada de carbono e faz parte de nossas atividades de pesquisa e desenvolvimento no Brasil e no mundo.

BNamericas: Quais são os planos da empresa nas áreas de produção e comercialização de gás natural?

Fernandes: O primeiro aspecto é o GNL. Temos um contrato de fornecimento para fornecer até 3 MMt/ano de GNL para o terminal de regaseificação em construção pela Compass (Gás e Energia, do grupo Cosan).

Outro aspecto é o gás proveniente de campos offshore. Algumas empresas já comercializam gás offshore com distribuidoras de gás no Brasil. A TotalEnergies ainda depende de conexões à rede para a comercialização dos campos de Iara e Sépia. Mas vai acontecer. Esperamos em breve fazer parte desse grupo de empresas que vendem gás offshore

BNamericas: A TotalEnergies está considerando expandir seu portfólio local brasileiro de petróleo e gás, por meio de fusões e aquisições ou rodadas de licitações da ANP?

Fernandes: Estamos muito presentes nos leilões da ANP todos os anos e vamos estudar oportunidades no Brasil e nas Américas. Ainda é cedo para saber nossa posição. O programa de áreas abertas se tornou um marco para as empresas do setor e estamos estudando as possibilidades. Mas temos um portfólio bem consolidado e o foco é desenvolver esse portfólio, e aumentar nossa produção para 200 mil boe/d já é um desafio.

BNamericas: A empresa tem planos no midstream e downstream no país?

Fernandes: Vendemos nossa participação na TBG (Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil) porque não era uma atividade estratégica. O foco está no upstream, onde temos grande valor agregado e o refino não está na nossa lista de prioridades.

(Nota do Editor: A TotalEnergies entrou no mercado de distribuição de combustíveis no Brasil com a aquisição das atividades de distribuição do Grupo Zema, em dezembro de 2018. A empresa possui uma rede de cerca de 240 postos de serviço e diversas instalações de armazenamento de derivados de petróleo e etanol. No segmento de lubrificantes, possui fábrica em Pindamonhangaba, no estado de São Paulo, com capacidade de produção anual de 50 mil t de lubrificantes por ano para os setores automotivo, industrial, agrícola e marítimo.)

BNamericas: O que a empresa espera em relação aos impactos da mudança de governo em 2023 e os principais desafios regulatórios?

FernandesAtuamos no Brasil há 40 anos e estamos presentes em mais de 100 países. Investimos no longo prazo e as mudanças no ciclo democrático são normais. Continuaremos trabalhando com nossos parceiros e autoridades.

É importante continuar melhorando a estrutura do gás natural. Os leilões de blocos e campos já funcionam bem. O mais importante é a estabilidade do sistema, do regime jurídico e que as melhorias continuem a ser feitas.

BNamericas: Qual a sua visão sobre a abertura do mercado de energia elétrica?

Fernandes: Cada abertura dá dinamismo se for estruturada com um marco regulatório claro. As estruturas no Brasil foram aperfeiçoadas ao longo dos anos, e nossa expectativa é que o diálogo com todas as partes continue em andamento para dar continuidade aos nossos investimentos.

BNamericas: Quanto você pretende investir no Brasil?

Fernandes: Vamos investir US$ 1 bilhão por ano no país nos próximos cinco anos.

BNamericas: A maior parte será para petróleo e gás?

Fernandes: Hoje sim, porque temos uma meta de aumentar a produção que exige recursos significativos. Mas haverá cada vez mais investimentos em renováveis, reforçados pela nossa parceria com a Casa dos Ventos.

 

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