México
Análise

Critérios para investimento e avaliação ESG estão cada vez mais amplos na América Latina

Bnamericas Publicado: quarta-feira, 23 novembro, 2022

Proteger o meio ambiente e trabalhar lado a lado com as comunidades em que atua não é mais suficiente para que uma empresa seja classificada como socialmente responsável.

A adesão a critérios ambientais, sociais e de governança (ESG) implica seguir novas diretrizes que permitem que investidores gerem portfólios que demonstrem seu compromisso com o meio ambiente, a sociedade e a gestão responsável de seus ativos.

O desafio é ainda maior para empresas que atuam em indústrias extrativas, como mineração e óleo e gás, mas agora os critérios estão se estendendo para outros setores, como infraestrutura e energia renovável.

Ailsa Rosales, analista de risco da S&P Global Market Intelligence para a América Latina, disse na última terça-feira (22), em um webcast sobre sustentabilidade na região, que as instituições financeiras estão enfrentando mais pressão relativa a investimentos sustentáveis, forçando-as a ter “uma visão muito mais holística” do ESG.

“Quando falamos de desafios, pensamos muito em como, à medida que esses critérios de investimento e avaliação ESG se tornam mais amplos, os setores afetados também estão se expandindo”, comentou Rosales. “Estamos vendo uma ampliação das categorias usadas para excluir projetos.”

Ela explicou que as exclusões em práticas ESG costumam ser aplicadas de maneira mais ampla a produtos inteiros com base na percepção de danos ambientais, como a exclusão de combustíveis fósseis baseada nas preocupações com suas contribuições para questões mais amplas, por exemplo, mudanças climáticas e aquecimento global.

Porém, também há uma tendência de instituições financeiras incorporarem mais esses critérios ambientais e outros com base em novos tipos de atividades, padrões e comportamento, segundo a analista.

“É por isso que estamos vendo coisas como a invasão de territórios indígenas operando em áreas de preservação ambiental, bem como preocupações com direitos trabalhistas e salários. Estamos vendo a mudança dessas exclusões mais baseadas em produtos para essa gama mais ampla de categorias”, destacou Rosales.

Novas tendências

A analista da S&P também destacou que há um ativismo crescente de ONGs na região, e alguns dos gatilhos monitorados pela S&P em relação a essas atividades são o desmatamento e as consultas às comunidades.

“É aí que as comunidades exigem ser consultadas sobre os projetos, antes que eles provoquem questões ligadas à contaminação e, novamente, invasão territorial”, disse ela.

No que diz respeito às empresas, Manuel González, diretor sênior da S&P Dow Jones Indices para a América Latina, lembrou durante o webcast que elas estão tentando ser mais transparentes e fornecer mais dados, mas essa é uma tarefa difícil para empresas privadas que não necessariamente têm as pessoas e os recursos para criar equipes com foco em ESG e ter maior transparência.

Paloma García Segura, consultora independente de mineração e meio ambiente no México, disse à BNamericas em comentários privados que a criação de equipes dedicadas a aspectos ESG é uma tendência que veremos cada vez mais, e isso já aconteceu com as questões ambientais.

“Há 30 anos não havia departamentos para questões ambientais e, de repente, eles começaram a se profissionalizar. O mesmo tem acontecido com o aspecto social. Quando você chegava em algum lugar, os geólogos ou profissionais de recursos humanos costumavam começar a fazer isso. Agora não. Já se trata de uma área social com pessoas formadas em questões de desenvolvimento, antropologia social e trabalho de campo, e está se especializando cada vez mais”, acrescentou García.

Para González, da S&P Dow Jones Indices, um dos grandes desafios das empresas é fornecer mais informações sobre o título que estão emitindo, o projeto que estão implementando ou a própria empresa.

“Não podemos dizer simplesmente: vamos olhar para o projeto, mas não para a empresa. Todo mundo está tentando olhar para todos os elementos de ambos os fatores.”

Outro desafio que o analista percebeu na região é que os investidores estão tentando influenciar mais as empresas, ter mais participação e voz nas decisões tomadas pelas companhias.

Por fim, González acrescentou que algo que prevê para o futuro é uma taxonomia, ou um sistema de classificação comum contendo uma lista de atividades econômicas ambientalmente sustentáveis, como a taxonomia da União Europeia, criada para atender às metas climáticas e energéticas do bloco para 2030 e alcançar os objetivos do acordo verde europeu.

“Eles [os investidores institucionais] vão começar a olhar para os dados brutos e tomar decisões seguras. Isso é o que eles verão no futuro, ao tentar entender e tomar decisões”, afirmou González.

O analista acrescentou que eles receberão apoio de provedores de dados para isso, já que estão tentando usar os dados deles ou desenvolver pesquisas próprias para determinar as pontuações de empresas em países como o México.

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