Análise

Digitalização e industrialização: um duplo desafio para a América Latina

Bnamericas Publicado: sexta-feira, 18 novembro, 2022
Digitalização e industrialização: um duplo desafio para a América Latina

A América Latina carece de políticas estruturais de longo prazo para diversificar sua base industrial e liberar todo o potencial da transformação digital, de acordo com um estudo da Cepal.

“Os países com menor nível de desenvolvimento apresentam um desafio industrial que os enfrenta com a dupla tarefa de continuar a diversificação produtiva e criar condições para o surgimento da indústria 4.0 e sua difusão no tecido produtivo”, escreveu o órgão da ONU em seu estudo de 113 páginas.

Em seu relatório Visão 2025, voltado ao desenvolvimento econômico sustentável e inclusivo, publicado em 2021, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) destacou alguns dos mesmos desafios.

“A região continua presa à produção de bens e serviços tradicionais, com poucos ganhos na produção de produtos de maior valor agregado e mais complexos. Manufatura, mineração, agricultura, construção, turismo e outros serviços tradicionais continuam a dominar a maioria das economias”, afirma o livro branco do BID.

O banco também afirmou que as PMEs representam mais de 90% das empresas da região e geraram 61% dos empregos e estão muito expostas a crises de crédito e escassez de liquidez, levando a um baixo crescimento. Investir tanto na transformação digital quanto nas “reformas de desenvolvimento produtivo” é fundamental para viabilizar as oportunidades da quarta revolução industrial, concluiu.

“Tornou-se cada vez mais evidente que uma sociedade digital não é apenas mais dinâmica e produtiva, mas também mais resiliente; ou seja, tem maior capacidade e flexibilidade para reagir a choques e crises de diversos tipos. Por isso é necessário construir uma infraestrutura digital para o século 21, reduzir as desigualdades de acesso e nivelar o campo de jogo”, afirmou a Cepal.

Em outro estudo recente, a consultoria Deloitte estima que cerca de US$ 100 bilhões em ganhos econômicos poderiam ser gerados na América Latina até 2025 com soluções relacionadas a cidades digitais e inteligentes, desde ganhos de produtividade até economia de custos.

Em outra análise, o Google projetou que a transformação digital poderia impulsionar as exportações de seis grandes economias latino-americanas em até US$ 140 bilhões anuais até 2030.

Os países latino-americanos promoveram nos últimos anos políticas e mudanças regulatórias que levaram a ganhos em conectividade e programas digitais para educação, saúde e serviços de governo eletrônico.

A Cepal recomendou que essas nações trabalhem para expandir a conectividade e as ferramentas digitais, especialmente em áreas carentes, com fundos públicos e subsídios, se necessário. Além disso, é importante promover mudanças estruturais sustentáveis por meio da inovação nas cadeias produtivas com a criação de novos modelos de negócios, inserção em cadeias de valor, defesa e promoção da concorrência e desenvolvimento de mecanismos de financiamento.

A entidade também defende a agilização dos processos de leilão de espectro – com licenças a custos acessíveis –, programas específicos de recursos humanos e formação profissional com foco em competências digitais. Também recomenda a adoção de serviços de governo eletrônico fáceis de usar; programas de promoção da digitalização das PME; e incentivos para a transição verde digital, bem como regulamentação de concorrência justa para mercados digitais.

Os relatórios da Cepal e do BID podem ser acessados aqui e aqui (em espanhol e inglês, respectivamente).

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