A tecnologia por trás da revolução da energia limpa na Colômbia
A ISA Intercolombia está desenvolvendo 28 projetos de transmissão no país andino, que incluem 1.486 km de linhas de transmissão e 33 subestações.
A BNamericas conversou com seu gerente-geral, Carlos Mario Caro, sobre como a empresa está implementando novas tecnologias e priorizando medidas para acelerar a transição para energias limpas.
Caro é palestrante do evento Energyear, que está sendo realizado na cidade colombiana de Medellín.
BNamericas: Você poderia nos contar um pouco sobre os principais projetos de transmissão que a ISA está desenvolvendo na Colômbia?
Caro: A ISA Intercolombia é a empresa líder em transmissão de energia no país, a única com cobertura nacional que constrói, gerencia, opera e mantém a infraestrutura elétrica da ISA na Colômbia. Operamos 70% da rede de transmissão do país, com a qual se desenvolve o mercado de energia colombiano. Atualmente, desenvolvemos 28 projetos, com 1.486 km de linhas e 33 subestações previstas para projeto e construção.
Destaco principalmente o projeto de interconexão Cuestecitas-Copey-Fundación, de 500/220 kV, que ajudará a evacuar as energias renováveis não convencionais que serão instaladas na área de La Guajira, aumentando a capacidade instalada do parque de geração do Sistema Interconectado Nacional (SIN) e melhorando a confiabilidade do serviço nos departamentos de La Guajira, Cesar e Magdalena.
Por sua vez, o projeto de interconexão de Sogamoso-La Loma, de 500 kV, reforçará o sistema nacional de transmissão na zona norte do país e também facilitará a ligação e evacuação de energias renováveis.
E o projeto de interconexão Colômbia-Panamá, de 300kV, conectará os dois países, integrando o mercado elétrico da comunidade andina com o Mercado Elétrico Regional (MER) da América Central. O percurso da linha terá uma extensão aproximada de 500 km, dos quais cerca de 130 km seriam submersos. A capacidade de transporte será de 400 MW, por meio da tecnologia conhecida como transmissão de energia em corrente contínua de alta tensão (HVDC).
BNamericas: A transição para a energia limpa está ganhando força na Colômbia. Qual é o impacto disso na abordagem e nos negócios da ISA?
Caro: Nosso maior desafio como operadores da rede de transmissão é garantir permanentemente a confiabilidade do sistema. Em um cenário de crescimento na geração de energia, que deverá dobrar até 2032, é essencial que a transmissão cresça e se adapte antecipadamente para oferecer ao sistema capacidade e confiabilidade suficientes para atender a essa demanda.
Estamos cientes de que, com uma maior eletrificação da economia, os transmissores serão demandados a fornecer uma capacidade maior ao sistema para integrar as novas fontes dentro de um quadro de confiabilidade e segurança. Estamos acompanhando a conexão dessas novas fontes ao sistema. Essa diversificação na matriz energética exige que o sistema seja mais robusto e, consequentemente, a transmissão precisa se adaptar para corresponder a essas expectativas.
BNamericas: Quais tecnologias emergentes a ISA está adotando no setor de transmissão? Há alguma iniciativa relacionada ao hidrogênio verde, armazenamento de energia ou ambas?
Caro: As redes elétricas precisarão ser mais flexíveis e inteligentes, mantendo a confiabilidade e a resiliência do sistema como prioridade, mas com maior ênfase na acessibilidade e eficiência na prestação de serviços. Para esse propósito, a rede do futuro na transição energética precisa incorporar novas tecnologias, gerenciar de forma eficiente os fluxos de energia e reduzir os impactos ambientais ao longo do ciclo de vida de suas operações. Isso pode ser feito aproveitando a infraestrutura disponível e as faixas de servidão das linhas de transmissão existentes.
As principais áreas em que estamos implementando tecnologia na ISA e suas empresas são as seguintes:
Primeiro, a incorporação da tecnologia HVDC por meio da execução de um importante projeto de 1.350 km no Chile, que permitirá a integração de grandes volumes de geração renovável. No caso da Colômbia, o projeto de transmissão que permitirá a incorporação de 3.000 MW de geração renovável em La Guajira também está previsto para ser desenvolvido em HVDC e um dos grandes desafios da ISA será a participação no projeto de convocatória correspondente.
Segundo, a adoção de soluções tipo FACTS (sistemas flexíveis de transmissão de corrente alternada) para fornecer a flexibilidade necessária ao sistema através de projetos como válvulas inteligentes, liderados pela ISA Transelca. Essa tecnologia melhora a capacidade de transmissão em áreas críticas do sistema, e a ISA Transelca está desenvolvendo projetos desse tipo em Atlântico e La Guajira-Cesar-Magdalena.
Terceiro, a aplicação da tecnologia de cabo marinho – pouco comum em nossa região – para viabilizar novas faixas de servidão de transmissão. Ela foi utilizada no projeto Interligação Elétrica Biguaçu no Brasil e é a base da solução proposta, assim como a HVDC, para a Interconexão Colômbia-Panamá .
Quarto, a adoção da tecnologia de armazenamento de energia, que permite retirar energia elétrica da rede – quando há excesso – e armazená-la para fornecê-la posteriormente ao sistema, quando necessário. A ISA CTEEP desenvolveu o primeiro projeto de armazenamento de energia em baterias em larga escala no Brasil, e a ISA tem a expectativa de continuar desenvolvendo esse tipo de projeto na região e no país.
Quinto, a implementação de Dynamic Line Ratings (DLR), tecnologia que possibilita o uso de capacidade de transporte que, normalmente, não estaria disponível com a metodologia estática atual. Ao combinar sensores e análises e, ainda, oferecer visibilidade da capacidade real dos condutores, com base em modelos algorítmicos, é possível operar de forma mais eficiente a capacidade de transporte das linhas existentes. Temos uma iniciativa na qual estamos começando a trabalhar para conhecer a tecnologia e realizar um piloto na Colômbia e na CTEEP.
O desafio é a incorporação efetiva de tecnologia para melhorar o funcionamento do sistema, por meio da otimização de novos despachos ou da aplicação em dispositivos de controle de fluxo.
Sexto, novos componentes de isolamento leve, equipamentos de isolamento poliméricos rígidos e leves aplicáveis à reconfiguração do isolamento em linhas de transmissão. Uma solução está sendo implementada no Peru.
BNamericas: Quais são os maiores desafios para os investidores no setor elétrico colombiano?
Caro: Os projetos de transmissão têm um propósito comum, que é garantir o funcionamento adequado e a capacidade do sistema nacional de transmissão com confiabilidade. Isso significa que um único projeto por si só não resolve todas as necessidades do sistema se os outros não entrarem em operação. Portanto, projetos de transmissão de energia de alta voltagem, como Sogamoso-La Loma e Fundación-Copey-Cuestecitas, são vitais para expandir a capacidade do sistema e exigem o apoio do Estado para agilizar os procedimentos e concluir as obras com sucesso, a fim de oferecer ao país maior capacidade, resiliência e confiabilidade.
Também entendemos o desafio enfrentado pelo setor e pelo país em alcançar uma modernização e expansão planejadas com visão de futuro da infraestrutura terrestre e marítima para facilitar o desenvolvimento, armazenamento, distribuição, transmissão e consumo de energia renovável.
Além disso, o processo de licenciamento e os trâmites junto ao Estado exigem um enfoque adequado para projetos que contribuam para a descarbonização da matriz energética. Isso envolve uma resposta oportuna das autoridades competentes no processo de licenciamento, autorizações e trâmites para incentivar o avanço dos projetos, cumprir as normas e garantir a proteção ambiental e a participação das comunidades, ao mesmo tempo que promovem o desenvolvimento do setor para atender às necessidades do país.
Por último, consideramos fundamental uma antecipação técnico-operacional para impulsionar o desenvolvimento da rede de transmissão nacional, alinhando-a com a velocidade de chegada de novos projetos de geração ao sistema. Devemos assegurar que a robustez da rede de transmissão seja compatível com essa dinâmica. Além disso, é necessário um planejamento territorial antecipado para compreender o ambiente e agir com o objetivo de estabelecer relações baseadas na confiança, envolvendo uma colaboração entre empresa, comunidade e Estado.
BNamericas: Quais são as principais oportunidades?
Caro: Em relação às oportunidades, gostaria de destacar as novas tecnologias. A rede na Colômbia deve evoluir, pois as energias renováveis têm características que exigem maior confiabilidade em termos de suportabilidade. Além disso, é importante promover e implementar projetos que incorporem o armazenamento, o que ajudará a garantir que essas fontes de energia renovável não convencionais entrem de forma tranquila e confiável no sistema elétrico.
Também estamos convencidos de que, ao criar mais oportunidades de desenvolvimento para as comunidades nas áreas de influência desses projetos, será possível promover a apropriação dos benefícios da transição energética, com entendimento e relações de confiança com os projetos, as empresas e as políticas públicas de transição. Por fim, a integração regional é uma grande oportunidade, pois fornece flexibilidade e resiliência aos sistemas ao conectar novos polos energéticos e permitir a complementação, compartilhamento e melhor uso dos recursos disponíveis.
BNamericas: A ISA está preocupada com os atrasos nos projetos solares e eólicos e suas conexões no norte do país? Como a Colômbia pode resolver essa situação e garantir a concretização desses projetos?
Caro: A transição energética na América Latina avança em um ritmo acelerado. Todos os países estão trabalhando para ter uma matriz diversificada e limpa o mais rápido possível. Contudo, é necessária maior integridade no esforço conjunto para aproveitar a complementaridade de sistemas e recursos.
É necessária uma regulação eficaz e relevante que permita o trânsito e a chegada de novas tecnologias para ampliar a capacidade do sistema por meio das diferentes possibilidades que o mercado oferece hoje. Devemos renovar e atualizar a regulamentação atual para permitir discussões sobre novas tecnologias, armazenamento e a sua introdução no país com maior segurança para investimentos futuros. Além disso, é preciso flexibilizar as regulamentações e requisitos para reduzir os prazos de construção dos projetos, garantindo que a transmissão esteja pronta para todos os projetos de geração de fontes não convencionais de energia renovável que serão integrados ao sistema.
Da mesma forma, vemos a necessidade para todo o setor de energia – e especialmente para os novos promotores – ter um maior conhecimento e compreensão do marco regulatório vigente, dos procedimentos, autorizações e licenças necessárias para operar. A regulamentação do setor e os riscos do negócio nos territórios devem ser conhecidos por esses novos agentes do mercado.
Por fim, os desafios técnicos são cada vez menores. Hoje, enfrentamos dinâmicas sociais e culturais que testam nossa capacidade de entendimento e diálogo com as comunidades. A construção de confiança é e sempre será nosso maior desafio e conquista como empresa.
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