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Como a transição energética está ajudando a diversificar o setor de mineração do Brasil

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Como a transição energética está ajudando a diversificar o setor de mineração do Brasil

Com a transição energética em curso, a demanda global por minerais está aumentando, o que poderá levar a uma maior diversificação do setor de mineração do Brasil.

O minério de ferro, ainda o principal mineral do país, continuará importante, uma vez que as características de baixo carbono da produção brasileira facilitam os planos de redução de emissões das siderúrgicas.

Afonso Sartorio, sócio responsável pelo setor de mineração e metais da EY para a América do Sul, conversa com a BNamericas sobre o cenário da mineração no Brasil e a evolução do setor.

BNamericas: Qual é o potencial do setor de minerais críticos do Brasil?

Sartorio: Primeiro, é importante mencionar a importância do minério de ferro brasileiro, que pode ser considerado um mineral crítico para o Brasil pelo volume de receitas e benefícios que gera para a balança comercial do país. É um minério que tem grande impacto para a atividade econômica do país. 

Além dessa importância econômica, o minério de ferro brasileiro também tem uma relevância grande para a transição energética. Ele tem alta qualidade, com alto teor de ferro e menos contaminantes, comparado com o minério de ferro de outras regiões do mundo, o que significa que é necessário usar menos energia para o beneficiamento desses minérios em altos-fornos.

Diante disso, o minério de ferro do Brasil tem uma grande importância para a descarbonização da indústria siderúrgica global, que é uma atividade crucial para a produção de veículos, para projetos de infraestrutura, entre outras aplicações.

É sempre necessário mencionar o minério de ferro como sendo de grande importância para o Brasil, porque temos uma combinação de reservas elevadas e indústria já implantada aqui para a produção em larga escala.

BNamericas: Qual é a posição do Brasil em relação a outros materiais?

Sartorio: O Brasil tem uma posição muito relevante em relação a alguns outros materiais. Eu começaria citando o elevado potencial para extração de bauxita, que é utilizada na produção de alumínio, um importante insumo para projetos de energia eólica, por exemplo.

Se o Brasil é o segundo maior produtor de minério de ferro do mundo, quando se trata de bauxita o país também é muito relevante, sendo o quarto maior produtor global.

Já com relação ao níquel, temos a terceira maior reserva do mundo, mas em termos de produção ainda estamos apenas na oitava posição.

Há um fato curioso sobre o níquel, porque a maior empresa de níquel do Brasil é a Vale, mas, na própria Vale, as operações que mais produzem níquel estão no Canadá e na Indonésia. Há espaço para crescimento no Brasil. Além da Vale, temos empresas com importantes iniciativas de níquel, como Horizonte Minerals, Nexa, Centaurus, Anglo American, e essas empresas fazem com que o Brasil tenha um potencial interessante.

O nióbio é outro elemento importante, mas que apresenta algumas particularidades.

Atualmente, a CBMM produz mais nióbio no Brasil do que o mundo demanda, então isso faz com que a empresa trabalhe com universidades do mundo todo, com muitas pesquisas, para avaliar aplicações adicionais do nióbio, que já mostra sinais de que pode ser importante para a produção de baterias.

BNamericas: E quanto ao potencial do cobre nacional?

Sartorio: Eu não citei o cobre porque, quando olhamos para o Brasil pela perspectiva sul-americana, o potencial do cobre é muito menor do que o de potências da região, como Chile e Peru, mas temos uma posição relativamente importante no cobre, com o projeto Salobo, da Vale.

Também vale falarmos do lítio. O Brasil vem registrando aumento no volume de reservas provadas. Até alguns anos atrás, tínhamos apenas uma empresa trabalhando com lítio, a CBL, hoje já temos várias. A Sigma tem um projeto avançado, além de muitas outras companhias.

BNamericas: Considerando a importância do minério de ferro para o Brasil e a crescente demanda global por outros materiais, até que ponto o setor local pode se diversificar?

Sartorio: O Brasil tende a ver uma diversificação maior do segmento mineral, mas nunca deixando de mencionar que nos tornamos uma potência em minério de ferro ao longo de vários anos.

A Vale viu uma expansão muito acelerada de suas atividades de minério de ferro na década de 2000, uma vez que a expansão da economia chinesa gerou uma demanda gigantesca pelo mineral. Esse fenómeno chinês também beneficiou a expansão acelerada de outras empresas globais de minério de ferro, como a Rio Tinto e a BHP.

Agora, o cenário do minério de ferro está focado na busca pelo minério da mais alta qualidade, e o Brasil tende a se beneficiar de um minério que exige menor uso de altos-fornos.

Dito isso, todo o apelo ESG global fará com que se busque minerais para ajudar na transição energética, e é por isso que tendemos a ver uma maior diversificação.

BNamericas: Como o Brasil pode se colocar no mapa global da transição energética do ponto de vista da mineração?

Sartorio: O Brasil, através do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social], está avaliando a criação de um fundo para financiar projetos de pesquisa geológica.

Esse é um passo fundamental para que o Brasil conheça melhor o potencial mineral do seu vasto território. O Brasil tem um conhecimento geológico muito menor do que grandes países mineradores, como Canadá, Austrália, Chile e Peru. O país fica até atrás da Argentina em termos de conhecimento geológico.

Vamos precisar de um esforço conjunto das empresas e do governo para aumentar nosso conhecimento geológico e diversificar o setor de mineração.

BNamericas: Qual é o cenário de licenciamento para os projetos de mineração no Brasil?

Sartorio: Em termos de licenciamento, temos um arcabouço legal estável. Não somos um país que suspende concessões.

Mas temos outros problemas. Hoje temos uma multiplicidade de agentes envolvidos no processo de licenciamento ambiental e, diante disso, há uma demora muito grande na aprovação das licenças.

Por conta disso, os investidores acabam sendo obrigados a dedicar muito tempo ao processo de licenciamento. Esse é um gargalo que temos de enfrentar, caso contrário, se o licenciamento demorar muito, o investidor vai avaliar projetos em outros países.

BNamericas: Qual é a sua perspectiva sobre o cenário na região?

Sartorio: Se começarmos pelo México, podemos dizer que o setor de mineração não é tão importante quanto o setor de óleo e gás. Na mineração, o México tem uma atividade importante de cobre e mais ainda de prata.

No Peru, temos muitas idas e vindas do ponto de vista de riscos políticos, mas é uma fronteira importantíssima de mineração. O Peru tem o maior potencial mineral do mundo por quilômetro quadrado.

A Bolívia é uma incógnita, com sinalizações de reservas importantes, mas muitas estão em áreas protegidas.

Neste momento, a Argentina talvez tenha a maior intenção política de abertura do setor de mineração. Talvez tenhamos mais facilidade para fazer negócios no setor no médio prazo.

O Chile continua sendo uma potência do cobre, um país que tem tecnologia e uma indústria muito eficiente.

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