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Fazsol Energia: ‘Olhamos com muita confiança para o mercado brasileiro’

Bnamericas Publicado: terça-feira, 07 junho, 2022
Fazsol Energia: ‘Olhamos com muita confiança para o mercado brasileiro’

Uma joint-venture entre a japonesa Shizen Energy e a brasileira Espaço Y, a Fazsol Energias Renováveis fechou contrato com a Órigo Energia para a construção de 17 parques solares, em todo o Brasil.

Os projetos totalizam 33,4 MWp de capacidade instalada, com produção de 65 GWh/ano, equivalente à energia elétrica utilizada em 130 mil residências durante um mês.

Com conclusão prevista para este ano, os parques solares serão construídos no Distrito Federal, Minas Gerais e Ceará, onde estarão localizados os clientes da Órigo Energia.

Esses clientes receberão a energia por meio de um sistema remoto de geração distribuída compartilhada (GD) e terão a quantidade de energia gerada descontada em suas contas; caso a geração ultrapasse o consumo, eles poderão utilizar os créditos nos meses seguintes.

A BNamericas conversou com o diretor da Fazsol, Nélio Pereira, sobre este e outros projetos, e planos para os próximos anos.

BNamericas: Qual a importância da parceria com a Órigo e o andamento da construção das usinas?

Pereira: Este é um projeto que muda o patamar da empresa, tanto em termos de governança quanto do ponto de vista técnico, operacional e de relacionamento com diversos stakeholders, entre outros aspectos.

Começamos em 2018 com um projeto-piloto para demonstrar aos controladores a validade do modelo de negócios, que tínhamos mercado e capacidade de sair do papel e colocar em prática. Começamos com a geração solar fotovoltaica distribuída por ser um modelo mais consolidado na época e pela maior agilidade para atingir as metas. Chegamos agora a 36 MWp de capacidade instalada.

Nosso planejamento continua com a entrega das 17 plantas este ano. Está dentro dos marcos estabelecidos. São 17 usinas, mas divididas em sete ou oito aglomerados, localizados em terrenos contíguos. Então, do ponto de vista da construção, são projetos integrados.

BNamericas: Qual é o investimento esperado?

Pereira: Cerca de 150 milhões de reais [US$ 30 milhões]. Os sites estão sendo preparados; já começamos a receber equipamentos. As empresas envolvidas estão em processo de contratação e até o final de junho devemos ter o NTP [aviso para prosseguir] das obras, com as usinas prontas para conexão até o final do ano.

Em alguns casos, ainda dependemos da entrega do reforço de rede pela concessionária da região, mas acreditamos que isso acontecerá dentro do prazo estimado.

BNamericas: Que outros projetos estão sendo desenvolvidos pela empresa no país?

Pereira: Ganhamos três licitações do Banco do Brasil para atender suas agências no Distrito Federal, Ceará e Pernambuco.

No Distrito Federal, é uma usina de 2,5 MWp, já concluída, e estamos negociando com a Neoenergia a subestação que receberá essa energia, com previsão de conexão nos próximos meses.

No Ceará, vamos fazer o trabalho em paralelo com as obras da Órigo para aproveitar as sinergias locais. É uma usina de 1 MWp, com previsão de entrega para este ano.

Em Pernambuco, aguardamos autorização para conectar o projeto e esperamos concluí-lo em fevereiro ou março de 2023.

Também no Distrito Federal, temos uma usina de 1,5 MWp para dois clientes, envolvendo prédios corporativos.

BNamericas: Quais são as perspectivas de investimento e crescimento?

Pereira: A expectativa é que a parceria com a Órigo seja de médio e longo prazos. A entrega das usinas este ano nos dá uma perspectiva de credenciamento para novos projetos de usinas, posteriormente.

Além disso, estamos analisando outras oportunidades na área de geração distribuída compartilhada.

Nossa perspectiva é atingir 250 MW até 2024, independentemente do segmento: mercado livre, consumo remoto ou geração compartilhada.

O importante é colocar plantas no chão e contribuir para a transição energética. Temos um pipeline de 600 MW, 700 MW de oportunidades em diferentes níveis de negociação com clientes.

BNamericas: Você também está olhando para outras fontes de energia?

Pereira: Para 2023, estamos focados em energia solar, mas também olhamos para fontes como biomassa e, mais a longo prazo, eólica offshore. A Shizen está desenvolvendo energia eólica offshore no Japão, então estamos monitorando a questão regulatória no Brasil.

BNamericas: O plano é focar na construção e operação de usinas? O foco será no mercado livre ou podem competir em leilões regulamentados?

Pereira: Na medida em que tivermos escala suficiente, poderemos verticalizar alguns processos que hoje são terceirizados, como operação e manutenção.

Hoje não estamos pensando em participar de leilões regulamentados. O mercado teve, nos últimos anos, alguns desajustes, com o rompimento das cadeias produtivas, preços mais altos de módulos fotovoltaicos, aço etc. Não vemos, hoje, condições de participar desses leilões e obter bons resultados em termos de preço e custo do negócio.

O pipeline de projetos para 2023 e 2024 também está atrelado ao mercado livre, incluindo PPAs de longo prazo com clientes que demandam usinas próximas à carga, como projetos de autoprodução.

BNamericas: Como a inflação e os juros mais altos estão impactando os projetos?

Pereira: O impacto foi muito significativo. Alguns projetos do portfólio eram viáveis há dois anos, mas não são mais.

Acho que tendemos a voltar a um preço mais aceitável, com menos influência dessa conjuntura atípica de pandemia e guerra.

Outra questão é o custo de oportunidade do dinheiro. A inflação combinada à alta da Selic [taxa de referência]... o custo do capital é um diferencial. Hoje, quando você vai ao mercado para funding, você está falando de IPCA+10, 11%, o que mata o negócio.

BNamericas: O que mais você considera fundamental?

Pereira: Para qualquer investimento de longo prazo, a previsibilidade é um fator essencial. E a nova regulamentação para a DG, embora traga alguns custos adicionais, gera segurança jurídica, com a expectativa de que não haja mudanças arbitrárias. Isso é muito positivo.

E olhamos com muita confiança para o mercado brasileiro, pois sua dinâmica é diferenciada em relação a outros países. Primeiro, porque as energias renováveis começaram a decolar depois de outros países. Então, tendemos a dobrar a necessidade de fornecimento de energia nos próximos 20 anos.

Além disso, a população do Brasil vai crescer, chegando a 240 milhões, em 2035. Então, apenas pelo crescimento natural, há necessidade de mais energia. E não há outros grandes rios para novas hidrelétricas, então esse abastecimento virá de fontes renováveis, como eólica e solar.

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