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O que esperar da agenda de infraestrutura do Brasil em 2023?

Bnamericas Publicado: segunda-feira, 24 outubro, 2022
O que esperar da agenda de infraestrutura do Brasil em 2023?

O resultado da eleição presidencial do Brasil pode afetar a velocidade de implementação da agenda de concessões e PPPs de infraestrutura no país, mas não deve haver uma mudança significativa de rumo.

Os brasileiros vão às urnas no dia 30 de outubro para votar no segundo turno da eleição presidencial. A decisão será entre o atual presidente de direita Jair Bolsonaro e o ex-presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva.

De acordo com as pesquisas mais recentes, Lula continua sendo o favorito, mas sua vantagem sobre Bolsonaro diminuiu nos últimos dias, apontando para um resultado apertado.

Alexandre Pierantoni, diretor da área de finanças corporativas e M&A da consultoria internacional de riscos Kroll no Brasil, conversa com a BNamericas sobre o provável ambiente de negócios do país no próximo ano.

BNamericas: Qual é a sua expectativa para a agenda de infraestrutura no Brasil em 2023?

Pierantoni: A infraestrutura tem sido um dos pilares do desenvolvimento no Brasil nos últimos anos e a tendência é que continue assim nos próximos anos, uma vez que o governo está convencido de que isso [as concessões e PPPs] pode ser uma grande fonte de recursos.

As concessões foram extremamente importantes para atrair players estratégicos e financeiros para o setor de infraestrutura, por isso sigo acreditando que essa agenda permanecerá forte nos próximos anos.

BNamericas: Você espera alguma mudança na agenda de infraestrutura se Bolsonaro ganhar um segundo mandato ou Lula for eleito?

Pierantoni: Obviamente, devemos ver um governante dando um pouco mais de ênfase às concessões do que o outro, mas qualquer um que for eleito tende a ver as concessões de uma maneira muito atrativa.

A partir do momento em que o então presidente Temer [Michel Temer, presidente entre maio de 2016 e dezembro de 2018] estabeleceu o PPI [programa federal de parcerias de investimentos], criou-se uma parceria muito forte em termos de agenda entre o governo federal e os investidores.

Com o PPI, o Brasil passou a estruturar projetos em sequência, e isso ajudou a mostrar as conexões que existiam em todos os ativos de infraestrutura, desde portos, aeroportos, rodovias, energia, entre outros.

Dito isso, mantenho uma visão positiva para a infraestrutura no Brasil, qualquer que seja o governo.

BNamericas: Além de dar continuidade a essa agenda, que outros passos o Brasil precisaria dar em termos de infraestrutura para atrair mais investidores?

Pierantoni: O Brasil precisa se posicionar melhor internacionalmente.

Há um grande volume de projetos de Infraestrutura no Brasil, mas não é tão grande se compararmos com China ou Índia. É preciso trabalhar na estruturação de projetos ainda maiores, porque pensar grande ou pensar pequeno dá o mesmo trabalho.

Mas além de pensar em projetos maiores, também é preciso avançar mais nas questões regulatórias e no foco em aspectos ESG, principalmente para o Brasil em questões relacionadas com o meio ambiente.

BNamericas: Com relação à agenda de infraestrutura dos estados, que também tiveram eleições em outubro, você espera alguma mudança?

Pierantoni: Isso vai depender de quem está assumindo o governo em cada estado. Se os governos estiverem mais à direita, a tendência é ter uma agenda mais acelerada.

Em São Paulo, por exemplo, caso o ex-ministro da Infraestrutura Tarcísio de Freitas seja eleito, devemos ter uma agenda mais agressiva na parte de concessões.

BNamericas: Falando sobre as atividades de M&A no Brasil, quais são suas expectativas?

Pierantoni: O ano de 2022 tem apresentado um desempenho parecido com o de 2021, apesar do contexto mais desafiador relacionado a aumentos de juros, incertezas políticas, disrupções na cadeia de suprimentos, inflação mundial e guerra da Rússia na Ucrânia. As operações de M&A têm sido sustentadas por investidores locais no Brasil.

Se olharmos para a atividade de M&A no mundo todo, podemos ver que ela caiu cerca de dois dígitos este ano, o que não aconteceu no Brasil, onde o nível do ano passado se manteve, mesmo em um ambiente de menor liquidez.

Apesar de toda essa turbulência internacional, e turbulência interna por causa das eleições, da inflação em todos os países, todas essas turbulências, o Brasil teve um desempenho melhor do que outros países em termos de M&A.

No Brasil, há uma multiplicidade de setores, por isso a atividade de M&A não fica tão concentrada em apenas alguns setores da atividade econômica.

BNamericas: Qual é a sua estimativa para o volume de operações de M&A?

Pierantoni: Acho que até o final do ano chegaremos a 1.600 transações anunciadas, que é o patamar visto em 2021.

É importante dizer que, nos últimos anos, o número de transações anuais no Brasil mudou. Até 2018, tínhamos um patamar anual de M&As em torno de 800 transações por ano, depois passamos para 1.000 e agora 1.600.

Temos uma atividade de M&A muito influenciada pela tecnologia e logística nos últimos anos.

Em 2023, minha perspectiva é positiva para esse setor.

BNamericas: Qual é o cenário esperado para as fusões e aquisições em 2023?

Pierantoni: Independente de quem for eleito presidente, vejo um posicionamento atrativo do Brasil perante o mercado internacional.

Podemos ter uma nova mudança no patamar de operações em 2023, porque há dinheiro represado para investir no Brasil. Há ventos favoráveis no Brasil, embora as incertezas no mundo continuem grandes.

Mas também é importante dizer que há incertezas relacionadas à política econômica que será adotada pelo próximo presidente.

As pessoas estão mais endividadas, a taxa de juros continuará nesse patamar alto até o meio do ano que vem e temos uma pressão inflacionária já contratada, com preço de energia e gasolina.

Além disso, pelo lado negativo, não acredito que no ano que vem teremos grandes reformas econômicas. Não vejo uma grande reforma tributária, por exemplo, como prioridade no Congresso.

Falando dos aspectos positivos para as atividades de M&A, vejo que há apetite por operações de IPO. Há entre 20 e 30 IPOs já planejados para o ano que vem. Os IPOs são positivos, pois geram um círculo virtuoso para M&As.

Eu diria que em 2023 podemos esperar um crescimento em torno de 15% a 20% no volume de transações de M&A em relação ao ano de 2022. Mas é importante que o mercado de capitais fique aquecido para isso se materializar.

A tendência deve ser de uma curva ascendente durante o ano. No início do ano, as empresas começarão a arrecadar mais e no segundo semestre elas já estariam vendo um ambiente de redução de juros.

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