Brasil , Argentina , México e Chile
Feature

Agtechs latino-americanas obtêm capital de risco apesar da seca de financiamento

Bnamericas
Agtechs latino-americanas obtêm capital de risco apesar da seca de financiamento

As Agtechs, também conhecidas como agritechs ou agrifoodtechs, cresceram e se tornaram uma das meninas dos olhos dos investidores privados na América Latina, enquanto outros tipos de startups, principalmente as em estágio avançado, estão lidando com uma desaceleração generalizada em fundos de capital de risco (também chamado de venture capital, ou VC) para suas operações.

O crescente interesse por empresas que fornecem soluções para o agronegócio é bem fundamentado, já que a América Latina está vendo uma demanda crescente por produtos agrícolas e se posicionando como o celeiro do mundo.

Um relatório da OCDE e da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), publicado em junho passado, projeta que a produção agrícola e pesqueira na América Latina e no Caribe crescerá 14% na próxima década, com a expectativa de que a região responda por 18% do exportações globais de alimentos, fornecendo 61% das exportações globais de soja, 59% de açúcar, 45% de farinha de peixe, 43% de milho, 40% de carne bovina e óleos de peixe, 32% de aves e 25% de etanol.

De acordo com o Yield Lab Latam, grupo de capital de risco focado em agronegócios, o mercado de startups de AgriFoodTech na América Latina cresceu exponencialmente nos últimos seis anos, passando de um valor de mercado estimado de US$ 730 milhões em 2016 para US$ 1,4 bilhão em 2022, e as perspectivas são para que isso continue.

“Temos agendas importantes de investimentos para estourar em 2023. Estamos muito dedicados a projetos na área de agribusiness, climate change, govtech entre outros. O agribusiness deve continuar e vir muito forte em 2023, com o Brasil sendo cada vez ‘o cara’, mundialmente falando, deste setor”, disse à BNamericas Renato Ramalho, CEO do grupo de gestão de ativos KPTL, à BNamericas.

Os setores especificamente visados pela KPTL são o agronegócio, juntamente com biotecnologia e mudanças climáticas, bem como govtechs e projetos relacionados à IoT.

O grupo já investiu em 110 empresas desde que foi fundado, há quase 20 anos, e hoje tem cerca de R$ 1 bilhão (US$ 189 mi) sob gestão em seis fundos ativos, com 51 empresas em seu portfólio.

“Fomos os primeiros e continuamos a estar entre os principais investidores de biotech, biotech para agro, para saúde, entre outros”, acrescentou Ramalho.

De acordo com o executivo, o grupo tem negócios em andamento em vários setores que serão anunciados no início de 2023, quando espera fazer 10 investimentos, incluindo captações subsequentes e novos aportes.

A última edição do estudo Radar Agtech Brasil mapeia mais de 1,6 mil empresas de agtech no país e fica claro que, apesar do crescimento dos últimos anos, a América Latina ainda pode colher muito mais em termos de financiamento para agtechs.

De acordo com o AgFunder, grupo global de VC para foodtechs e agtechs, os cinco países que receberam mais capital para agtechs em 2021 foram os EUA, com US$ 21 bilhões em 1.062 negócios, seguidos pela China (US$ 7,3 bilhões em 123 negócios), Índia (US$ 4,0 bilhões em 164 negócios), Alemanha (US$ 3,0 bilhões em 100 negócios) e Reino Unido (US$ 1,3 bilhão em 188 negócios).

O Brasil ficou em sexto lugar no AgFunder, com 102 negócios envolvendo US$ 1,3 bilhão.

De olho nessas oportunidades, a Yield Lab Latam lançou há alguns meses seu terceiro fundo de investimento para a região, com o qual espera alocar US$ 50 milhões em capital semente para rodadas da Série B (estágio inicial), visando expandir startups de agtech e foodtech nos próximos cinco anos.

Fundada em 2017, a Yield Lab Latam tem escritórios na Argentina, Brasil e Chile, e busca investimentos em inovação em toda a cadeia de valor da indústria de produção de alimentos.

A empresa mapeou mais de 1,3 mil startups do México ao Chile. É nesses mercados que está encontrando as maiores fontes de inovação e startups do ecossistema AgriFoodTech, junto com Brasil e Argentina.

ACORDOS

Em um dos últimos negócios de agtech, na terça-feira, a brasileira Cromai anunciou ter garantido R$ 15 milhões em uma rodada de financiamento com a participação dos grupos locais Baraúna Venture Capital e Agropecuária Sucuri.

A agtech, cuja tecnologia usa inteligência artificial para processar imagens de drones, detectar ervas daninhas e sugerir relatórios adequados de manejo da lavoura, afirma que sua solução está presente em 16% das usinas de açúcar do país, incluindo as 30 maiores. A meta é chegar a 33% até o final de 2024.

Este é o segundo investimento que a Cromai recebe em menos de dois anos, somando-se a uma rodada anterior de R$ 5 milhões.

No início deste mês, o fundo de investimento regional Kamay Ventures investiu na startup argentina Kilimo, que desenvolveu uma plataforma para permitir que os agricultores gerenciem a irrigação com eficiência. O valor do negócio não foi divulgado pelas partes.

Também em dezembro, a empresa chilena WiseConn, que desenvolve soluções de georreferenciamento para irrigação, fechou uma rodada de financiamento Série B em outro negócio sem valor divulgado, liderado pela empresa norte-americana de capital privado e VC Morningside Group.

Espera-se que esse investimento apoie a expansão global da WiseConn para países como Austrália, Europa e Brasil em 2023.

“No âmbito da economia digital, tecnologias como a agricultura de precisão, pesquisa genética contínua e mecanismos de proteção financeira, e a sofisticação dos produtos financeiros como o mercado de derivativos e de seguros, só são escaláveis com uso intensivo de dados e modelos matemáticos e estatísticos”, escreveu Luiz Ohara, chefe de Mercados Financeiros da empresa de análise de dados Semantix, em um artigo recente sobre o uso de dados no agronegócio.

Para Ohara, há muita oportunidade de digitalização e uso de dados avançados no setor.

“Em um espectro mais amplo, até as recentes demandas da sociedade como rastreabilidade da cadeia, monitoramento e segurança alimentar e o controle sobre atividades de sustentabilidade ambiental são essencialmente cadeias de informações não-estruturadas”, ele acrescentou.

Por seu potencial, o segmento agtech tem atraído cada vez mais a atenção de consultorias e gigantes de serviços profissionais.

No mês passado, a PwC gastou uma quantia não revelada para adquirir a AgTech Garage, considerado o maior polo de inovação aberta do agronegócio no Brasil e um dos maiores do mundo. Fundado em 2017, o hub conta com mais de mil startups conectadas a clientes de toda a cadeia do agronegócio.

Segundo a PwC, a aquisição reforça sua estratégia global e espera fazer investimentos de mais de R$ 1 bilhão no Brasil nos próximos cinco anos.

“Tecnologia e inovação são fundamentais para apoiar nossos clientes em diversas oportunidades e desafios que se apresentam diariamente no setor, sendo o principal deles, o de alimentar um mundo em constante mudança e crescimento populacional, de forma sustentável”, afirmou na época Marco Castro, CEO da PwC Brasil.

“Temas como biotecnologia, rastreabilidade, eficiência operacional, data analytics, conectividade no campo, foodtechs, agro fintechs, descarbonização, proteínas alternativas, transição energética, ESG, entre outros, estão na agenda dos principais tomadores de decisão das empresas do Agro”, ele complementou.

MERCADO

Segundo a Associação Latino-Americana de Private Equity & Venture Capital (Lavca), os investimentos de VC na região retomaram um ritmo de crescimento mais razoável, com um total de US$ 1,2 bilhão investido na região no terceiro trimestre de 2022, em linha com a média trimestral de US$ 1,1 bilhão para 2019 e 2020.

Em linha com as tendências globais, o ajuste no investimento de VC se estendeu além das rodadas de estágio avançado (Série C+). As startups em estágio avançado têm optado cada vez mais por linhas de crédito de bancos de investimento tradicionais como fonte alternativa de financiamento.

Tenha acesso à plataforma de inteligência de negócios mais confiável da América Latina com ferramentas pensadas para fornecedores, contratistas, operadores, e para os setores governo, jurídico e financeiro.

Assine a plataforma de inteligência de negócios mais confiável da América Latina.

Outros projetos em: TIC

Tenha informações cruciais sobre milhares de TIC projetos na América Latina: em que etapas estão, capex, empresas relacionadas, contatos e mais.

Outras companhias em: TIC (Brasil)

Tenha informações cruciais sobre milhares de TIC companhias na América Latina: seus projetos, contatos, acionistas, notícias relacionadas e muito mais.

  • Companhia: BOOST Mission Critical Engineering
  • A descrição contida neste perfil foi retirada diretamente de fonte oficial e não foi editada ou modificada pelos pesquisadores do BNamericas, mas pode ter sido traduzida automat...
  • Companhia: Ozônio Telecom Inc.  (Ozonio)
  • A descrição contida neste perfil foi extraída diretamente de uma fonte oficial e não foi editada ou modificada pelos pesquisadores da BNamericas, mas pode ter sido traduzida aut...
  • Companhia: VOCE Telecom  (Você Telecom)
  • A descrição contida neste perfil foi retirada diretamente de fonte oficial e não foi editada ou modificada pelos pesquisadores do BNamericas, mas pode ter sido traduzida automat...
  • Companhia: HT Cabos e Tecnologia  (HT Cabos)
  • A descrição contida neste perfil foi retirada diretamente de fonte oficial e não foi editada ou modificada pelos pesquisadores do BNamericas, mas pode ter sido traduzida automat...