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América Latina já se prepara para o 6G

Bnamericas Publicado: quinta-feira, 24 novembro, 2022
América Latina já se prepara para o 6G

A internet 5G mal começou a se estabelecer na América Latina, mas os preparativos para a tecnologia 6G já estão em andamento.

Embora as previsões da indústria indiquem que a próxima tecnologia móvel só estará disponível comercialmente em todo o mundo a partir de 2030, são necessárias pesquisas sobre nova arquitetura de rádio, novo espectro e dispositivos para auxiliar nesse processo, e isso já está acontecendo na região.

No centro de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) da Ericsson em Indaiatuba, no estado de São Paulo, o grupo está testando aplicações práticas para o 6G com ondas milimétricas ultra-altas, envolvendo robótica avançada, gêmeos digitais de última geração e experiências multissensoriais em particular.

“Estamos falando de novas faixas de frequência, algumas acima de 100 GHz, e de uma eficiência ainda maior de espectro para as faixas já disponíveis e licenciadas”, disse à BNamericas Edvaldo Santos, vice-presidente de PD&I da Ericsson para o Cone Sul.

A visão da Ericsson para o 6G envolve casos de uso com a “internet dos pensamentos”, em que o objetivo é que o pensamento seja transformado em ações de comando e controle de coisas no mundo físico, tudo sem “uma interface tecnológica invasiva, no caso da Ericsson”, explicou Santos.

O plano também incluiria a “internet dos sentidos”, ou a representação digital de sensações como olfato e paladar nas redes de telecomunicações. Em um caso de uso prático, seria possível comprar comida online “experimentando” os produtos antes de efetuar a compra, conforme exemplo compartilhado pelo vice-presidente.

Também incorpora conceitos avançados de gêmeos digitais, com representações digitais programáveis mais imersivas do mundo físico, além de telepresença e holografia.

Para que todos esses casos de uso funcionem, novas arquiteturas serão necessárias.

Isso inclui a IA como ingrediente nativo para que as redes sejam automatizadas e até autônomas, assim como a computação de borda “por design”, ou seja, com um aplicativo já incorporado com os meios para realizar computação, armazenamento e orquestração, entre outras coisas, segundo a Ericsson.

A unidade brasileira de P&D da Ericsson, única do gênero na América Latina, atua em conexão com os demais polos globais de pesquisa da empresa.

Desde a criação do centro, há 50 anos, mais de 200 famílias de patentes globais foram registradas a partir de tecnologias ali desenvolvidas, representando 800 produtos individuais. Hoje, cerca de 300 profissionais trabalham no centro no Brasil.

“Não somos meros replicadores ou importadores de tecnologia. Participamos ativamente da construção de diversos padrões globais, redes 5G, por exemplo, por meio de trabalhos de desenvolvimento e pesquisa realizados aqui”, apontou Santos.

INATEL E UFCE

Também no Brasil, o Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), centro de ensino, pesquisa e desenvolvimento tecnológico criado em 1965, é um dos coordenadores do grupo Consórcio Brasil 6G e está trabalhando no processo de desenvolvimento da tecnologia.

O Brasil 6G faz parte do PPI, programas e projetos prioritários de tecnologia da informação coordenados pela rede nacional de ensino e pesquisa RNP e realizados em conjunto com Inatel, CPQD e universidades.

O consórcio é formado principalmente por universidades e institutos de pesquisa e conta com o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

“Estamos trabalhando no desenvolvimento de todas as frentes e aspectos do 6G, notadamente a parte de sensoriamento, processamento e uso de IA e aprendizado de máquina, bem como o uso adequado do espectro para maximizar o potencial das redes para que possam operar em velocidades muito mais altas”, destacou à BNamericas o diretor do Inatel, Carlos Motta Martins.

O projeto teve início em fevereiro de 2021, e o objetivo é construir um ambiente de experimentação (testbed) para novas aplicações em redes móveis 6G e de outras tecnologias.

“Com velocidades muito altas e latência muito baixa, é possível praticamente criar instantaneidade nas comunicações, muito mais do que o 5G pode fazer, gerando novas aplicações e novas formas de operar diferentes verticais da economia”, acrescentou.

O trabalho do consórcio inclui uma ampla gama de soluções, desde software de código aberto até plataformas próprias (de empresas).

Atualmente, está testando 15 conjuntos de software para aplicativos, dois para redes centrais, sete para plataformas de virtualização, 19 para suporte à inteligência artificial, dois para transceptores de rede de longo alcance e um para pilhas de protocolo usadas em antenas 5G.

No Ceará, a universidade federal UFCE também está trabalhando em testes visando a implantação futura do 6G.

“Esses primeiros cinco anos [até 2025] são essenciais para o desenvolvimento da tecnologia. Eles são uma janela única de oportunidade para a academia. A segunda metade da década é a parte mais avançada da definição de padrões globais, com base em tudo o que foi estudado anteriormente”, disse à BNamericas o professor Rodrigo Cavalcanti, chefe do grupo de telecomunicações Gtel da UFCE.

O Gtel atua principalmente em testes envolvendo infraestrutura e em parceria com empresas do setor, como a própria Ericsson.

Segundo Cavalcanti, a arquitetura 6G precisa ser ainda mais colaborativa do que o 5G, priorizando padrões abertos.

Em outras partes da América Latina, pesquisadores de telecomunicações estão trabalhando em estudos de 6G no México, Chile, Colômbia e Argentina.

Neste último, o centro argentino de engenheiros (CAI) publicou um artigo no mês passado com as primeiras visões do grupo sobre o estado do espectro e o caminho para a nova tecnologia.

FORNECEDORES

Outros fornecedores globais de equipamentos de telecomunicações também estão empenhados em mapear o caminho para o 6G, como Huawei, Nokia e NEC.

A Nokia anunciou em julho que liderará o projeto KOMSENS-6G do ministério da educação alemão. O KOMSENS-6G faz parte de uma iniciativa de 6G alemã mais ampla, com financiamento total de € 14,9 milhões (US$ 15,5 milhões).

O projeto inclui mais de 30 parceiros, como Bosch, Siemens, Airbus e Vodafone e Ericsson.

A iniciativa visa impulsionar a padronização global prévia de uma perspectiva alemã e europeia, com foco específico na rede como tecnologia sensorial. A iniciativa terá duração de três anos.

A Nokia também está liderando a Hexa-X, a principal iniciativa de 6G da Comissão Europeia para pesquisa sobre a próxima geração de redes sem fio.

Além disso, a Nokia anunciou que estava colaborando com a japonesa NTT e sua subsidiária de telecomunicações, DOCOMO, em outro projeto para definir os padrões 6G.

Segundo o grupo finlandês, a parceria vai se concentrar no desenvolvimento de provas de conceito para novas tecnologias 6G, entre elas uma interface de rede com IA nativa e acesso a frequências “sub-THz”.

A Nokia acredita que a fase de padronização do 6G provavelmente começará em 2025, levando à primeira especificação da tecnologia no corpo global de padronização móvel Release 21 (o documento global com padrões para redes sem fio) da 3GPP até 2028, seguida por implantações comerciais por volta de 2030.

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