Como a Huawei está reforçando sua posição na América Latina em meio a ventos globais desfavoráveis
A chinesa Huawei está aumentando sua aposta na América Latina, expandindo os investimentos em diversas áreas, como computação em nuvem, equipamentos solares e transformação digital.
O gigante chinês enfrentou um 2021 difícil que afetou seu desempenho devido ao governo dos EUA proibi-lo de usar componentes fabricados nos EUA tanto no segmento de produtos residenciais quanto corporativos, ao mesmo tempo em que foi impactado pela escassez global de componentes e pelos desafios logísticos trazidos pela pandemia de Covid-19.
A Huawei continua sendo uma grande força nos segmentos de smartphones e equipamentos de rede, especialmente em mercados emergentes, onde muitas empresas consideram os preços mais baixos de seus equipamentos um fator muito atraente.
“Os esforços contínuos do governo dos EUA para conter a ascensão da Huawei estão começando a aparecer nos números, especialmente fora da China. Ao mesmo tempo, a Huawei continuou a dominar o mercado global, sendo ainda quase tão grande quanto Ericsson e Nokia juntas”, escreveu Stefan Pongratz, analista da consultoria Dell'Oro, em um relatório recente.
De acordo com os dados da Dell'Oro de janeiro a setembro, a Huawei liderou o mercado global de equipamentos de telecomunicação em termos de receita, respondendo por 30% do mercado de US$ 100 bilhões, seguida por Nokia, Ericsson, ZTE, Cisco, Samsung e Ciena.
Os números incluem acesso de banda larga, micro-ondas e transporte ótico, núcleo móvel e rede de acesso de rádio (RAN), bem como roteador SP e equipamento de switch.
Na América Latina, estima-se que a participação de mercado da empresa seja ainda maior.
Em parte em resposta à pressão dos EUA, a empresa reforçou suas posições em regiões emergentes como a América Latina, onde foi além dos smartphones e rádio para investir em áreas como computação em nuvem, transformação digital , equipamento solar e treinamento de talentos.
No Brasil, a Huawei se diz parceira de 90 universidades e institutos de ensino, por meio do Programa Huawei ICT Academy, e que já formou 36 mil alunos nos últimos dez anos.
A meta é formar mais 40 mil alunos e professores nos próximos cinco anos. A empresa já investiu R$ 40 milhões (US$ 7 mi) em P&D no Brasil em 2021.
A empresa tem um programa latino-americano mais amplo, denominado Huawei Competition, no qual jovens estudantes que fazem parte da ICT Academy se enfrentam em competições regionais.
Em julho a Huawei inaugurou um centro de testes de soluções 5G em São Paulo, que demandou um investimento de R$ 35 mi.
A empresa disse que busca atrair clientes e parceiros, além de universidades e startups, para participarem de experimentos que simulem as condições reais da nova geração de redes móveis em diversos setores de negócios, incluindo agronegócio, mineração e manufatura.
A Huawei estima que mais de 50% das redes móveis (3G e 4G) no Brasil rodem com seus equipamentos, embora esse número seja contestado por concorrentes. E seu equipamento 5G também está sendo usado nos primeiros lançamentos das teles brasileiras TIM e Algar, além da Telefónica Chile, entre as poucas que já ativaram as redes 5G após os leilões de espectro realizados na América Latina.
No México, “a probabilidade de você fazer uma ligação que passa por um dispositivo Huawei é muito alta, mais de 80%”, disse recentemente o diretor de marketing e estratégia da empresa para a América Latina, Joaquín Saldaña.
A Huawei está agora procurando expandir sua base e obter novos contratos com operadoras menores e novos participantes no mercado móvel regional.
Mas, ao contrário da Ericsson, a Huawei não fabrica equipamentos de telecomunicações na região, embora isso agora faça parte de seus planos.
A Ericsson fabrica equipamentos 3G, 4G e agora também 5G em sua fábrica latino-americana localizada no Brasil, que ajudam a agilizar a entrega de equipamentos para operadoras locais e regionais.
A capacidade atual da fábrica da Ericsson é de 2.500 equipamentos de rádio 5G por mês. A empresa sueca disse que três operadoras brasileiras com presença nacional — Telefônica , Claro e TIM — fizeram pedidos de equipamentos 5G.
NUVEM
A Huawei também está intensificando a expansão de sua presença em nuvem na América Latina.
No mês passado, lançou uma segunda região de nuvem no México, localizada no município de Tultitlán, no Estado do México.
Desde a abertura de sua operação mexicana de nuvem, em 2019, a Huawei diz que as vendas locais aumentaram mais de 80% e afirma ser a empresa de nuvem pública de crescimento mais rápido na região.
A Huawei tem nove datacenters na região: dois no Brasil, Chile, Peru e México, e um na Argentina. Isso é mais do que qualquer outro provedor de nuvem pública.
Em termos de participação de mercado, a Huawei ainda está muito atrás dos líderes AWS , Microsoft e Google, na maioria dos países latino-americanos.
A empresa está estudando novos datacenters em nuvem e redes de entrega de conteúdo (CDNs, estruturas para levar o conteúdo para mais perto do cliente e reduzir a latência) em outros mercados latino-americanos.
Paraguai e Uruguai são mercados onde a Huawei planeja ativar CDNs no curto prazo. A empresa também planeja abrir CDNs na Bolívia, Barbados, Suriname, Belize, Bahamas, Guiana, Jamaica e Nicarágua a partir de 2022.
“A Huawei se voltou para o mercado de nuvem e tenta se apresentar como um fornecedor de TI confiável para os setores público e privado e como uma alternativa para as grandes empresas de software de TI, que fornecem uma combinação de serviços e uma nuvem”, escreve a consultoria Strand Consult.
Para impulsionar as vendas da nuvem, a empresa lançou recentemente seu Spark Program no Brasil, o qual conta com um recurso de suporte de US$ 100.000 para startups para ajudá-las a comprar serviços da Huawei Cloud.
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