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Como a transição energética está estimulando a digitalização da indústria, e vice-versa

Bnamericas Publicado: quinta-feira, 01 dezembro, 2022
Como a transição energética está estimulando a digitalização da indústria, e vice-versa

A transição para fontes renováveis e cadeias produtivas mais verdes não apenas abre oportunidades de negócios e investimentos para empresas diretamente envolvidas no setor de energia, mas também tem o potencial de acelerar a digitalização relativamente baixa de toda a indústria.

Essa é a opinião de Adriano Correia, diretor de energia, utilidades e recursos da PwC Brasil, para quem o oposto também é verdade: as tecnologias digitais ajudam a promover a transição energética.

“Fala-se muito sobre o uso de ferramentas digitais para otimizar o consumo, evitar o desperdício e permitir a contratação de fontes renováveis, mas também vemos a possibilidade de seu uso para melhor medição e previsibilidade na geração, incluindo investimentos em digitalização para avaliar a demanda por fontes intermitentes”, disse ele à BNamericas.

Correia acrescentou que estes investimentos estão começando a ganhar força principalmente entre as empresas de geração eólica, ao invés de energia solar, em grande parte devido às características das fontes de energia.

Ele explicou que já existem vários projetos em estágio inicial no Brasil, como a implantação de sensores em pás eólicas, os quais coletam dados para alimentar a modelagem computacional.

Isto ajuda a controlar melhor a potência das pás, alerta sobre a necessidade de manutenção preventiva e gera insights sobre onde os ventos estão mais concentrados, entre outras aplicações.

Com inteligência artificial e machine learning, estes dados podem ser processados e enviados de forma mais organizada aos centros de operações de rede (na sigla em inglês, NOCs) das empresas e, eventualmente, ao operador da rede nacional.

BAIXA DIGITALIZAÇÃO

Embora as fontes renováveis já representem 84% da matriz energética brasileira (hidrelétricas, eólicas e elétricas), a indústria de energia elétrica como um todo ainda apresenta baixos níveis de digitalização em seus processos e operações em comparação com outros setores.

“Acredito que falta um grande catalisador para a digitalização no setor – que já tem bons níveis de atendimento e opera com uma estrutura robusta – como a pandemia foi para o varejo, por exemplo”, afirmou Correia.

Os gargalos da digitalização tendem a se concentrar mais na operação da rede e na geração e transmissão do que na distribuição. A integração adicional de todas essas cadeias com sistemas compartilhados também ocorrerá.

No entanto, isto não significa que a indústria tenha poucos bons exemplos de digitalização.

Exemplos de implementações bem-sucedidas incluem startups com foco no setor de energia, também conhecidas como energytechs, criadas nos últimos anos principalmente para facilitar o acesso a contratações no modelo de geração distribuída, principalmente fontes solares.

O mesmo se passa com as fintechs que se dedicam a financiar a aquisição de painéis solares ou a gerir os consumos desta fonte de energia.

Segundo levantamento feito pela Distrito Dataminer, já existem mais de 160 energytechs em operação no Brasil.

Os investimentos nessas energytechs cresceram 134% entre janeiro e outubro, em comparação com todo o ano de 2021. Essas empresas receberam US$ 288 milhões em 15 rodadas de investimento nos primeiros 10 meses do ano, superando os US$ 123 milhões de janeiro a dezembro de 2021.

Tudo isso também aconteceu em um momento em que as startups geralmente tinham dificuldade em captar recursos no mercado.

Ainda de acordo com o relatório da Distrito, o aumento dos investimentos no setor de energia foi impulsionado pelo segmento de renováveis, com US$ 399 milhões em investimentos recebidos desde 2015.

ABERTURA DE MERCADO

Na visão de Correia, um potencial catalisador para uma maior digitalização do setor de energia no Brasil é a prometida maior abertura do setor de geração distribuída para consumidores menos intensivos em energia.

Isto deve trazer o aumento da concorrência, a entrada de novos players e a criação de novas soluções de base tecnológica.

“A competição pelo consumidor final irá se intensificar e a tecnologia será fundamental para isso. Há muita movimentação para acontecer no setor. Alguns ativos estão sendo colocados à venda. Eu vejo uma movimentação muito intensa na comercialização, muitos players entrando, inclusive instituições financeiras. Haverá uma reorganização importante lá.”

Correia prevê também que haverá uma crescente intersecção entre os serviços de telecomunicações e os serviços de energia/potência.

Por outro lado, o analista da PwC concorda que ainda são poucas as empresas de base tecnológica que se dedicam a ser um balcão único, tanto para as indústrias gerenciarem as emissões de carbono e quanto para terem consultoria na transição verde.

As empresas, potencialmente em parceria com consultorias como a própria PwC, poderiam se oferecer para preparar a transição verde, desde a análise das cadeias de suprimentos até o monitoramento do consumo interno de energia, além de fornecer painéis para metas de redução de emissões, elaboração de relatórios e emissão de certificados, entre outras coisas.

As distribuidoras brasileiras de energia devem investir cerca de R$ 106 bilhões (US$ 20 bilhões) entre 2023 e 2026.

“Com a retomada do crescimento econômico e a evolução tecnológica do setor elétrico, as distribuidoras precisam estar preparadas para atender às demandas de seus clientes. Temos uma excelente perspectiva para o setor”, afirmou Ricardo Brandão, diretor executivo da Abradee (Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica), à BNamericas.

“ARÁBIA SAUDITA DO HIDROGÊNIO VERDE”

Entre as tendências gerais de transição energética no Brasil, Correia aponta para a crescente viragem para a eletrificação da economia, com a passagem gradual dos veículos de combustão interna para os elétricos, mas destaca especialmente o aumento dos investimentos no hidrogénio verde.

No entanto, ele explicou que “neste front, ainda falta muito debate para a viabilidade operacional desses projetos”.

As tecnologias de armazenamento e transporte de hidrogênio verde por navio, desenvolvidas pelos japoneses, seriam uma grande novidade para o Brasil se ganhassem escala, pois o país poderia exportar a produção para países europeus a partir do Nordeste, região com abundância recursos para energia solar e eólica.

“Tem gente que acha que o hidrogênio verde será o substituto natural do petróleo. Algumas pessoas dizem que o Brasil pode ser a Arábia Saudita do hidrogênio verde.”

Hype à parte, Correia acredita que este é, no geral, o caminho a ser percorrido.

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