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Mineradoras chilenas recorrem à água do mar em meio à queda de teores

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Mineradoras chilenas recorrem à água do mar em meio à queda de teores

O setor de mineração chileno está se voltando cada vez mais para a água do mar, à medida que enfrenta o declínio dos teores de minério em meio a uma seca que já dura uma década na nação andina.

Nos últimos 13 anos, as chuvas diminuíram de 20% a 40% nas regiões sul e central, e o país enfrenta um cenário futuro de escassez hídrica, disse a ministra do Meio Ambiente, Maisa Rojas, em um seminário recente sobre água organizado pela Universidade do Chile.

Enquanto isso, a queda nos teores de minério no setor de mineração local exigirá um novo modelo de negócios com mais tecnologia, eficiência e economia circular, apontou a comissão estatal de cobre Cochilco em um relatório. À medida que os teores do minério diminuem, o volume de água necessário para obter o cobre fino aumenta, uma vez que uma quantidade maior de mineral precisa ser processada.

“Foi solicitado que o setor de mineração chileno usasse a água que não é própria para o consumo humano, e todas as empresas estão trabalhando para isso”, disse à BNamericas Camila Montes, analista de políticas públicas da Cochilco.

Até 2032, cerca de 68% da água consumida pela indústria de mineração local virá do mar e aproximadamente 32% da água continental, de acordo com o relatório da Cochilco que analisou o uso de água em 56 operações de cobre.

Uma das metas da política de mineração do Chile é fazer com que a água continental represente apenas 10% da água usada pelo setor até 2025 e 5% até 2040.

Como resultado da seca recorde, o setor implantou usinas de dessalinização e novos sistemas hídricos. Sua capacidade de dessalinização está sendo expandida de cerca de 4.400 l/s em 2020 para quase 7.500 l/s em 2030, de acordo com o Ministério de Mineração.

As águas residuais tratadas podem se tornar uma opção no futuro, mas precisam de uma estrutura legal, especialmente para benefício dos investidores, apontou Montes.

Estima-se que o consumo de água continental das mineradoras atinja 6,7 m³/s em 2032, uma queda de 45% em relação a 2020, enquanto o consumo de água do mar deve saltar 165%, para 14,2 m³/s na mesma comparação, mostra o relatório da Cochilco.

Em 2020, 73% da água utilizada pelas minas de cobre veio de reúso (70% de água continental e 30% de água do mar ou dessalinizada).


O relatório da Cochilco também mostra que os concentrados do processo de mineração aumentarão nos próximos anos, o que levará a uma elevação do uso de água, dos rejeitos e da necessidade de mais terrenos para descarte.

Atualmente, 11 empresas de mineração no Chile usam água do mar em suas operações, incluindo:

  • Mina Spence, da BHP, na região de Antofagasta, que tem um rendimento de 95 mil t/d para produzir concentrado de cobre e molibdênio. A unidade tem uma planta de dessalinização com capacidade de 86.400 m³/d. Spence opera hoje apenas com água do mar dessalinizada.
  • A BHP também possui uma unidade de dessalinização para abastecimento de água na mina de cobre Escondida, no deserto do Atacama, em Antofagasta. Sua produção em 2021 foi de 1,1 Mt. A água do mar representa mais de 93% dos volumes de retirada de água da mina, de acordo com o relatório anual da empresa.
  • A mina de cobre Sierra Gorda, em Antofagasta, que teve uma produção no ano passado de 198 mil t. Para movimentar a água do mar, utiliza um aqueduto de 144 km que transporta o líquido para um tanque de armazenamento com capacidade de 750 mil m³.

Operação de usinas de dessalinização para atividades de mineração no Chile, segundo estudo da Cochilco.

Há também outros projetos de substituição de aquedutos e ampliação de capacidade em usinas existentes.

Até 2025, espera-se que dez projetos entrem em operação, incluindo três projetos de substituição/expansão, informou Montes, da Cochilco.

  • A usina de dessalinização de Los Pelambres começará a usar água do mar no segundo semestre de 2022, quando a construção da primeira etapa de 400 l/s estiver concluída. A capacidade será aumentada para 800 l/s até 2025, permitindo que Pelambres reduza o uso de água continental. A água dessalinizada e reutilizada representará mais de 90% de seu uso operacional, de acordo com o relatório de sustentabilidade de 2021 da empresa.
  • Usina de dessalinização do distrito norte de Codelco, na região de Antofagasta. Abastecerá as minas Radomiro Tomic (326.456 t em 2021), Chuquicamata (319.280 t) e Ministro Hales (181.704 t) através de um aqueduto de 160 km. A planta terá capacidade para 250 mil m³, com vazão de 840 l/s na primeira etapa e 1.956 l/s na segunda etapa.
  • Usina de dessalinização Quebrada Blanca fase 2 (QB2) para a mina de cobre da Teck. Terá um aqueduto de 165 km e o progresso da construção já ultrapassa 82%. O projeto também prevê a construção de um novo depósito que deverá entrar em operação total no segundo semestre deste ano, com produção estimada em 300 mil t/ano para os primeiros cinco anos da vida útil de 25 da mina.
  • Usina de dessalinização Collahuasi, na região de Tarapacá, que produzirá uma vazão máxima de 788 l/s de água do mar na primeira fase e 1.050 l/s na segunda fase. Espera-se que entre em operação este ano para garantir a continuidade das operações da mina Collahuasi por cerca de 20 anos. Em 2021, produziu 630 mil t de cobre fino.
  • Na Antofagasta Minerals, a otimização da água por água do mar no ano passado representou 45% de suas operações, com destaque para as minas Antucoya (96%) e Centinela (86%). A meta é que a água do mar e a água de reúso representem mais de 90% até 2025, de acordo com o relatório anual da empresa.

Vários projetos em fase de licenciamento ambiental estão previstos para 2027-2028, como a planta de distribuição Enapac, na região do Atacama, que transportará água do mar por um aqueduto de 166 km para clientes industriais.

“Nossa visão é que muitos usuários tenham acesso a uma fonte de água sustentável de modo que as águas interiores e das bacias da região, que estão sob forte estresse, não sejam mais utilizadas”, declarou o gerente do projeto Rafael Bustos em nota à imprensa.

DESAFIOS

Existem dois principais desafios para a expansão da dessalinização no setor de mineração, segundo Montes.

No nível nacional, ela vê a necessidade de maior coordenação multissetorial, incluindo ministérios, para tratar de questões como estrutura legal, infraestrutura compartilhada, análise de água tratada e gestão integrada para otimização da água.

Em um nível local e mais técnico, a adoção de uma metodologia comum para o registro de informações hídricas é fundamental para gerar confiança entre os stakeholders.

“A escassez de água é evidente e há o caso de Los Bronces, que precisou reduzir sua produção por falta de água. Mas, considerando os projetos em andamento, a expectativa é que eles consigam continuar produzindo e evitem um desequilíbrio entre a água disponível e a produção”, avalia Montes.

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