Como a Ericsson vê o 5G na América Latina
Enzo Zunino, diretor da Ericsson no Chile, fala sobre como a empresa sueca vê o desenvolvimento do 5G na América Latina.
A região já está se movendo em direção ao 5G com lançamentos comerciais nos estágios iniciais em 10 países, incluindo Chile, Brasil e Peru. Quais são as grandes apostas para o avanço do 5G em 2022?
Partindo da premissa de que o 5G já é um fato, podemos falar dos grandes compromissos de provedoras, teleoperadoras e empresas de tecnologia com os quais trabalharemos juntos no próximo ano. Sem dúvida, o trabalho conjunto de todos os atores é e será fundamental para a implementação cada vez mais rápida das redes de quinta geração na região.
As grandes apostas para a região estão nas indústrias como mineração, indústria marítima, portos, indústria florestal. Além disso, as indústrias 4.0 aplicadas a setores como o varejo são um desafio relevante pelo que têm a ver com as implementações e chegada do 5G nos diferentes territórios.
Na mineração, a possibilidade de ter maior segurança informática, grandes capacidades de transmissão de dados – os chamados "oceanos de dados" – e com prazos muito curtos proporcionará cenários promissores. Por exemplo, os operadores que trabalham no subsolo, em condições extremas, poderão operar as máquinas remotamente, a partir de um ambiente seguro. Por sua vez, aqueles cuja natureza de seu trabalho não lhes permite estar em outro ambiente, e têm a obrigação de estar em canais subterrâneos, poderão ter um canal de comunicação instantâneo e seguro. Isto é algo que não existe hoje, pois as tecnologias atualmente disponíveis têm limites de frequência e alcance. Ao mesmo tempo, a eficiência nas operações permitirá às empresas economizar combustível, o que terá impacto na redução do consumo de recursos, beneficiando o meio ambiente e tornando os negócios mais sustentáveis.
No caso dos portos, surgem oportunidades semelhantes de comunicação e eficiência. O efeito produzido pelos contêineres, que muitas vezes desativam o sinal de internet, não será mais um problema com a tecnologia 5G, sendo possíveis conexões seguras e estáveis. Além disso, as portas inteligentes proporcionarão maior segurança para seus trabalhadores e uma otimização de seus processos.
Tudo isso pode ser extrapolado para outros setores como o varejo, onde cadeias de suprimentos equipadas com aplicativos desenvolvidos para 5G prometem ótimos resultados em termos de eficiência e otimização.
Sem dúvida, o 5G oferece vários casos de uso. Quais são as indústrias que mais se beneficiam na região graças a essa nova tecnologia?
O 5G permitirá que a inovação seja levada a diversos setores, gerando uma grande quantidade de conhecimento, aplicações e desenvolvimento que ainda não conseguimos mensurar. Essa tecnologia será um fator principal de transformação econômica, gerando competitividade e melhorando a eficiência em vários setores da economia na próxima década e é nosso desafio proporcionar essas oportunidades em todos os cantos da região.
A tecnologia de quinta geração combina grande capacidade de conectividade, velocidade muito alta com latência muito baixa e segurança de ponta a ponta. Essas características permitem que o mundo da Internet das Coisas seja massificado para vê-lo incorporado em aplicações relacionadas a diversos setores, como mineração com robotização e automação de atividades, telemedicina, tele-educação, cidades inteligentes, entre outras. O importante é buscar aplicações que tragam benefícios concretos.
Na mineração, existem aplicações relevantes, que são de baixa latência, alta velocidade e hiperconectividade, mas também algo importante, que é a segurança. O 5G é o padrão mais seguro já desenvolvido. A nível global, existem aplicações de controle remoto de máquinas onde os trabalhadores podem ter mais segurança, automatização de procedimentos dentro da mina, em redes dedicadas para seus propósitos. Outro exemplo importante são os portos, onde o 5G permitirá uma gestão muito mais eficiente e segura para as operadoras. Aqui vemos aplicações com controle remoto das gruas que operam os contêineres, os quais permitem uma descarga muito mais eficiente das embarcações.
Como o avanço do 5G impactará o mercado no sul da América Latina?
De acordo com o último Relatório de Mobilidade da Ericsson, o mercado 5G está projetado para gerar mais de US$ 28,4 bilhões por ano, até 2030, em receita aprimorada de banda larga móvel. Isso significa um impacto relevante em todos os tipos de indústrias. Recordemos que o 5G permitirá a utilização de novas aplicações e gerará desde novos negócios em empresas já estabelecidas até a criação de novas empresas inteiramente dedicadas ao desenvolvimento de aplicações que funcionem com tecnologia de quinta geração.
É por isso que podemos dizer que o 5G terá impacto econômico, mas também social, pois os novos aplicativos desenvolvidos terão impacto na maneira como as pessoas interagem, se educam, se informam e se divertem. Claramente, a irrupção das redes de quinta geração nas comunidades será um antes e um depois em diferentes áreas. O surgimento de novos empregos e especializações derivados da capacidade da tecnologia também moldará os empregos do futuro e os profissionais do futuro, lançando as bases para os próximos processos de transformação digital.
De acordo com o último Mobility Report, o 4G é atualmente a tecnologia de acesso via rádio dominante. Na verdade, representa 66% das assinaturas até o final de 2021. Que estratégia a Ericsson propõe para poder substituir isso e definir o 5G como a tecnologia dominante?
Na região, estimamos que até 2030 serão geradas receitas de US$ 56 milhões, dos quais um terço será dedicado ao desenvolvimento de redes 5G. É um negócio relevante no final desta década. A Ericsson faz projeções de receita constantemente e, nesse sentido, consideramos o desenvolvimento do 5G como importante. Em 2026, estima-se que teremos 180 milhões de conexões fixas sem fio. Neste sentido, a colocação de redes por parte das operadoras é essencial para atingir o objetivo de que o serviço 5G esteja disponível em todos os cantos da região. É por isso que trabalhamos de forma contínua e conjunta para nos aproximarmos cada vez mais desse ponto.
Embora novas aplicações ligadas a tecnologias como Internet das Coisas e IA sejam mais ágeis com a chegada do 5G, essas novas redes complementarão as já existentes. Portanto, é possível que em algum tempo o 5G seja a tecnologia dominante, mas isso não significa que as redes 4G ou outros padrões desapareçam. Será um grande ecossistema hiperconectado.
O que representa a ativação da rede comercial 5G no Chile?
Em dezembro de 2021, no Chile, foi ativada a primeira rede 5G da região, viabilizando o atendimento com as operadoras de telefonia que ganharam o espectro. Para nós, isto representa um grande passo na configuração das redes de quinta geração como a tecnologia por excelência para todos os tipos de aplicações.
Contar com essas redes já habilitadas significa uma grande oportunidade não só para nós como prestadores de serviços, mas também para empresas e PMEs do Chile e da região que, a partir da disponibilidade do serviço, poderão pensar e planejar melhorias em seus processos, gerar novas aplicações, repensar objetivos e projeções de negócios.
Além disso, vemos que o Chile e toda a região têm um potencial inestimável em relação aos usos práticos de desenvolvimentos e implementações que podem ser executados em redes de quinta geração. Vemos isso em suas indústrias como mineração, na indústria marítima, também na agricultura e com muita força no varejo. Além disso, tudo relacionado ao entretenimento, como o setor de jogos, de desenvolvimento, de música, terá uma reviravolta completa que proporcionará às comunidades novas formas de entretenimento e recreação.
Graças a esta primeira ativação da rede no Chile, que é um ponto de partida, mas com um longo caminho a percorrer, podemos dizer que o futuro está aqui e que hoje devemos pensar em 5G, viver em 5G e conectar em 5G porque é para lá que vão a evolução, o aprimoramento e as grandes mudanças tecnológicas que já estamos vivenciando na região.
Quais são as observações sobre o leilão 5G no Brasil?
Estamos muito satisfeitos com o que chamamos de “o primeiro passo para o início da operação 5G Standalone no Brasil”. O modelo deste leilão brasileiro é um dos mais modernos do mundo, com ênfase na universalização versus cobrança. Pela primeira vez na história, teremos um leilão não coletivo, em que o capital é trocado por investimento. Em primeiro lugar, pode ser emitido um cheque que irá para os administradores do governo, ou este mesmo cheque pode ser convertido em investimento. A segunda opção, se bem desenhada, promove a competitividade do país. Em outras condições, não haveria possibilidade de ter cobertura 5G em estradas, pequenas cidades ou escolas na Amazônia. A Anatel o projetou para ter essa cobertura. Isso promoverá novos modelos de negócios, aumentará a competitividade da nossa logística, reduzirá as desigualdades por meio da educação e levará o trabalho para o interior do país, entre outros resultados.
Quais são os próximos passos para o Brasil?
Espera-se que o 5G esteja disponível nas capitais brasileiras em julho de 2022. Na ocasião, foram leiloadas quatro faixas de frequência de rede (700 MHz, 2,3 GHz, 3,5 GHz e 26 GHz), entre lotes nacionais e regionais, com direito de exploração por 20 anos. Cada banda é responsável por atender uma demanda específica. Não apenas as pessoas, mas também as coisas irão interagir de forma diferente umas com as outras. A interação gerará uma massa de dados que nos ajudará a tomar decisões mais inteligentes. Nesse novo mundo, não só a consulta com o médico será virtual, mas também a mesa de operação. Será possível conduzir um drone ou um veículo à distância. Os benefícios da inteligência e produtividade, realidade virtual e realidade aumentada são inúmeros. Na Ericsson, estamos trabalhando em estreita colaboração com nossos clientes e os clientes de nossos clientes como orquestradores na criação do ecossistema que permitirá tudo isso de forma rápida, segura e econômica.
O que deve ser preparado para que as operadoras e o governo sejam proativos na implementação da tecnologia 5G?
Preparar a infraestrutura e equipar uma antena com rádios 5G que permitem que o ícone apareça no smartphone é uma pequena parte do processo de implantação do 5G. Ativar novas tecnologias para possibilitar a transformação que todos esperamos exigirá que todos esses atores desempenhem papéis muito diferentes. As operadoras terão que transformar seus negócios. Você pode ver esse movimento de duas maneiras: simplesmente entregar; ou seja, ser proativo para criar serviços que não existem atualmente, agregando valor e com maior retorno do investimento. Por exemplo: o 5G vai reformular o mercado de jogos, um dos mais promissores, pois pode trazer poder computacional, com latência baixíssima, alta velocidade e capacidade de conectar 1 milhão de dispositivos por quilômetro quadrado (dez vezes mais do que em 4G). Podemos ter serviços avançados de telemedicina, educação altamente conectada ou novas arquiteturas de agronegócios. Mas as operadoras terão que se transformar. Quando falamos em governo, é preciso ir além do papel regulatório para atuar como promotores de pesquisa, desenvolvimento e criação de ecossistemas de inovação.
E para as empresas e outros segmentos da economia?
As pessoas adotam a tecnologia quando pegam um táxi, assistem a um filme ou pedem algo por delivery. O 5G tem um aspecto inédito de automação e digitalização de empresas. Portanto, empresas de diversos setores da economia devem adotar a tecnologia para se manterem competitivas no mercado global. Quando essa conectividade é adicionada, dá a todos os usuários maior potencial para fazer um salto de referência. O agronegócio é um dos setores em que a região é pioneira em tecnologia, mas ainda não em tecnologia conectada. Um grande produtor agrícola não tem apenas tecnologia no campo, automatizando máquinas; precisa também nas estradas, nos insumos, na logística e no escoamento das lavouras.
As empresas mudarão seu foco para adotar a tecnologia. Portanto, o padrão 5G é tão diferente do 3G e do 4G. Tem um impacto muito maior na criação de novos modelos e na necessidade de promover os diferentes órgãos governamentais.
Para o consumidor final, 5G é mais que velocidade?
Sim! Para o consumidor, o 5G pode ser sua banda larga doméstica, o chamado FWA. Ele substituirá o que está disponível em muitas áreas, especialmente onde a fibra ótica não está disponível. Os jogadores poderão experimentar a jogabilidade conectada com processamento de rede, sem afetar a latência. Assim como veremos novos modelos de negócios em realidade virtual e realidade aumentada para pessoas físicas ou pequenas empresas. A inovação vem de fora para dentro. Assim como o lançamento do 4G, ninguém poderia descrever que uma revolução viria no mercado de hotéis, vídeos e transporte individual. O potencial em termos de redes rápidas e poder de computação é infinito.
O 5G é como um teletransporte de pessoas e poder de computação. Em poder de computação, da nuvem ao seu dispositivo, seja um console de jogos ou um computador sofisticado de IA. E para as pessoas também, porque você pode estar sentado no sofá da sua casa assistindo a um jogo de futebol com a visão do árbitro, no campo, ou pedindo para um médico realizar uma cirurgia remotamente em todo o país.
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