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Dados, IA e IoT aceleram os investimentos da Rumo em tecnologia ferroviária

Bnamericas Publicado: quarta-feira, 23 novembro, 2022
Dados, IA e IoT aceleram os investimentos da Rumo em tecnologia ferroviária

O grupo logístico brasileiro Rumo, maior operador ferroviário do país, está acelerando os investimentos em transformação digital com foco em análise de dados, IoT e inteligência artificial para monitorar trilhos, trens e cargas.

Desde o ano passado, o grupo investiu R$ 700 milhões (US$ 130 mi) em projetos de tecnologia e sistemas de TI, e a previsão é de gastos semelhantes em seu próximo ciclo de investimentos, conforme explicou à BNamericas Rodrigo de Souza, gerente de tecnologia ferroviária do grupo.

O total, porém, pode variar de acordo com o perfil dos projetos. Iniciativas em que a etapa é mais voltada para o desenvolvimento tendem a demandar menos recursos do que projetos já em fase de implantação ou que requerem aquisição de hardware, por exemplo.

“O orçamento varia muito de acordo com a necessidade. Hoje posso estar implantando mais do que desenvolvendo. E, com isto, o próximo ano pode ser um pouco menor [que o capex deste ano]”, disse Souza.

A Rumo está priorizando projetos relacionados à automação, digitalização e sensoriamento da malha ferroviária, visando aprimorar a manutenção preventiva e corretiva.

Chamado de detecção de trilhos quebrados (DTQ), o sistema de verificação de falhas nos trilhos começou a ser desenvolvido em 2017. Em 2018, a empresa iniciou a implantação do sistema.

Agora, o projeto entrou em uma segunda fase com a inclusão de inteligência artificial, para que algoritmos mais precisos identifiquem padrões e ajudem o sistema a detectar falhas. Atualmente, 60% das DTQs implantados na rede da Rumo são alimentados por IA.

Em agosto e setembro, a DTQ com IA ajudou a identificar 102 casos de trilhos quebrados.

O software, incluindo os algoritmos, foi desenvolvido internamente na Rumo, enquanto o hardware (sensores) foi desenvolvido pela Ricci Eletrônica, de Curitiba. Ambas as empresas compartilham uma patente de produto.

O DTQ está implantado no principal corredor da empresa, que liga as cidades de Rondonópolis, no Mato Grosso, ao porto de Santos, além de alguns trechos de sua malha sul no Paraná e Santa Catarina.

A Rumo está mapeando os próximos trechos para receber o sistema DTQ.

“Estes corredores [onde a DTQ está presente] têm circulação intensa, gerando muita tensão nos trilhos. A implementação futura depende de os trilhos serem novos ou não, se há ou não um risco maior, entre outros fatores. A opção pode ser apenas instalar novos trilhos. Tudo isso alinhado com a área de infraestrutura. Estamos mapeando isto com a equipe”, acrescentou Souza.

Atualmente, a empresa administra cerca de 14 mil quilômetros de trilhos ferroviários nos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais, Goiás e Tocantins.

Também possui 1,4 locomotivas e 35 mil vagões.

NUVEM E IoT

A Rumo também está investindo na migração da maior parte de seus dados para a nuvem. Tanto dados operacionais, que incluem o próprio sistema ferroviário, quanto dados internos, relacionados ao backoffice e seu centro de operações de rede (NOC).

A empresa possui contratos com dois dos principais provedores de nuvem pública do mercado. Souza disse que não poderia nomeá-los.

Os maiores provedores de nuvem são AWS, Microsoft, Google e Oracle.

Em IoT, a Rumo priorizou soluções de baixo custo.

“O dólar e até a guerra na Ucrânia impactaram muito os custos dos componentes estrangeiros. Hoje estamos trabalhando muito com os dados que já temos em mãos, com a implantação de sistemas em parceria com empresas locais e, por fim, na captação de dados via sensores.”

Essa captação é feita por um sistema denominado Way Side, composto por equipamentos distribuídos ao longo da linha que monitoram a acústica, o impacto das rodas nos trilhos, entre outros elementos.

Antigamente, esses dados vinham separados, e a leitura era feita, na maioria das vezes, caso a caso. Todas essas medições agora estão sendo centralizadas, lidas e processadas de uma só vez pela empresa, segundo Souza.

A Rumo não pretende necessariamente colocar sensores IoT nos vagões, pois os sistemas externos já geram muitos dados para serem trabalhados, explicou o executivo.

CONECTIVIDADE

Para mitigar problemas relacionados à conectividade nas áreas por onde passam seus vagões, muitos dos quais com pouca ou nenhuma cobertura, a empresa tem apostado principalmente em satélites. Os principais fornecedores são Globalsat, Inmarsat e Cobhan, conforme contrato assinado em 2020, além da Sencinet, mais recentemente.

Sempre que possível, a Rumo utiliza a rede pública de celular, incluindo a tecnologia 2G (GSM), pois grande parte dos dados transmitidos é simples e requer baixa largura de banda. Neste caso, a rede celular utilizada é da Claro.

Segundo Souza, a empresa também está realizando testes com a tecnologia celular IoT LoRa (longo alcance). Uma característica fundamental do LoRa é o baixo consumo de energia, o que significa que os dispositivos podem permanecer em operação por longos períodos sem carregar.

Embora individualmente os sensores transmitam dados mais simples, o total transmitido gera um “data lake” de cerca de 1,8 terabytes, segundo o executivo.

Em julho, a brasileira Surf Tech fechou parceria com a Rumo para passar redes de fibra ótica ao longo das ferrovias da empresa. O objetivo é levar conectividade aos municípios presentes nos nove estados brasileiros, cobertos pela rede sob concessão do grupo.

Este projeto específico não está sendo conduzido pela equipe de Souza, mas o executivo pontuou que DTQ e WaySide devem se beneficiar desta conectividade.

Inicialmente, o projeto prevê investimento de R$ 1,5 bilhão por parte da Surf Tech.

EXPANSÃO

A digitalização das operações é fundamental para a empresa, à medida que a Rumo amplia sua malha ferroviária.

Seu conselho acaba de liberar uma primeira fase de R$ 4,5 bilhões e 211 quilômetros de um projeto ferroviário de R$ 15 bilhões no Mato Grosso.

“Este projeto é transformador para a Rumo e para o estado do Mato Grosso, região com maior produção de grãos do país. Nossa tese de investimento é baseada na expectativa de demanda crescente de alimentos na Ásia. Nossa projeção é de que a produção de grãos no Mato Grosso crescerá 30% até 2030, o que exigirá muita estrutura logística para ser atendida”, afirmou Rafael Bergman, CFO da Rumo, em teleconferência para apresentação dos detalhes do projeto.

A primeira fase ligará as cidades de Rondonópolis e Campo Verde. A previsão de duração das obras é de três anos e o início das operações está previsto para o primeiro semestre de 2026.

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