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Lenovo da China: ‘Seremos a número 1 em infraestrutura de datacenter’

Bnamericas Publicado: terça-feira, 04 outubro, 2022
Lenovo da China: ‘Seremos a número 1 em infraestrutura de datacenter’

O Lenovo Infrastructure Solutions Group (ISG), unidade do grupo chinês para servidores, armazenamento, racks e equipamentos de computação, está aumentando seus investimentos na América Latina em meio aos planos de se tornar líder nos principais mercados da região.

“Os [investidores] chineses pensam no longo prazo. [Eles] funcionam assim”, disse João Bortone (foto), presidente da Lenovo ISG para a América Latina, à BNamericas.

“Nós, na Lenovo, trabalhamos por muitos anos para ser a número 1 em PCs, e hoje somos. E seremos a número 1 em infraestrutura de datacenter. Isso passa por uma visão global de abastecimento, onde vamos colocar nossas fábricas e produzir equipamentos, e representa uma grande oportunidade para nós aqui, na América Latina”, acrescentou.

Bortone é ex-diretor de infraestrutura da Dell Technologies e se tornou CEO da unidade de infraestrutura regional da Lenovo há três meses. Ele disse que a ISG Latin America apresentou um crescimento consistente nos últimos sete trimestres, mas não forneceu números concretos.

Cláudio Stopatto, gerente geral da unidade da ISG do Brasil, disse à BNamericas que a empresa se tornou, recentemente, o segundo player no segmento de infraestrutura de TI de datacenter local, atrás apenas da Dell.

Agora, o grupo visa o crescimento regional no chamado segmento de supercomputadores, ou High Processing Computing (HPC), com perspectivas nos setores de previsão do tempo, financeiro e de petróleo e gás, além de expandir no segmento de computação de ponta.

O parque industrial distribuído da empresa é visto como uma vantagem de mercado.

“Temos um polo de fábricas espalhadas por todo o mundo. Entre nossos concorrentes diretos, acho que somos os únicos a ter essa quantidade de plantas. Isso dá ao cliente, entre outras coisas, o benefício de preços mais baixos e um melhor tempo de colocação no mercado”, disse Bortone.

Três dessas fábricas encontram-se na América Latina e estão sendo ampliadas para receber novas linhas de produto, especialmente para os segmentos de infraestrutura, para atender à demanda crescente de datacenters, segundo Bortone.

Um deles, na cidade de Indaiatuba, no Brasil, fabrica equipamentos ISG e PCs. Um segundo site, também no Brasil (Jaguariúna), fabrica smartphones Motorola. A Lenovo comprou a marca do Google por US$ 2,91 bilhões em 2014.

Uma terceira fábrica, em Monterrey, México, fabrica produtos ISG e PC. No ano passado, a Lenovo ampliou esta planta mexicana com a abertura de um segundo prédio, focado na linha de infraestrutura. Todos os produtos de datacenter da Lenovo para clientes da América do Norte são fabricados em Monterrey.

No Brasil, cerca de 70% das vendas de servidores da Lenovo vão para grandes corporações, e o restante para pequenas e médias empresas, disse Stoppato. Globalmente, a empresa afirma fornecer 8 das 10 maiores empresas de nuvem pública.

“Quando falamos do mercado de datacenters no Brasil, em infraestrutura, os principais impulsionadores têm sido servidores e armazenamento, com os servidores representando a maior parte da receita”, disse Stopatto.

O grupo reporta um investimento de P&D anual no Brasil de cerca de 200 milhões de reais (US$ 39 milhões).

Parte dos produtos da Lenovo vendidos na região é fabricada localmente e parte importada. A empresa, no entanto, vem reduzindo a participação de produtos importados e aumentando a participação da manufatura local, segundo os dois executivos.

Atualmente, a Lenovo possui 50 plataformas de hardware em seu portfólio ISG, abrangendo servidores, armazenamento, borda e nuvem. Esta divisão acaba de completar 30 anos, mas a compra da linha de servidores da IBM há quase 10 anos permitiu à Lenovo dar um novo giro nesse segmento.

Depois de adquirir a linha de PCs ThinkPad da IBM em 2005, a Lenovo comprou o negócio de servidores x86 de baixo custo por US$ 2,3 bilhões em 2013.

DEMANDAS

Os investimentos das empresas na modernização da infraestrutura de TI pararam durante a pandemia, mas são um importante impulsionador de mercado para a Lenovo ISG, confirmam Bortone e Stoppato.

Quando escritórios e fábricas fecharam durante a pandemia, as vendas de infraestrutura caíram, mas as vendas de PCs para uso doméstico cresceram exponencialmente. A Lenovo também se beneficiou do aumento nas vendas de computadores.

Agora, espera-se que os projetos de modernização de TI sejam retomados, porque a base instalada antiga está preparada para uma atualização.

Além disso, de acordo com Bortone e Stoppato, muitas empresas estão desfazendo as migrações de nuvem de emergência feitas durante a crise da saúde e que, em muitos casos, levaram ao aumento dos custos comerciais.

A Lenovo também pretende atuar mais fortemente com players regionais que atuam no segmento de hiperescala. Há cerca de um mês, Bortone criou um grupo especificamente voltado para esse setor.

“Ainda não posso fornecer nomes, mas estamos em negociações. Espero, em breve, fechar parcerias com esses players regionais, que utilizam o espaço dos datacenters de hiperescala”, disse Stopatto.

De acordo com a IDC, depois de enfrentar o choque do mercado pandêmico em 2020 e, posteriormente, a turbulência econômica e as interrupções da cadeia de suprimentos em 2021, o mercado global de servidores cresceu mais de 6% ano a ano.

O mercado, no entanto, enfrenta desafios contínuos, incluindo alta inflação, interrupção da cadeia de suprimentos e conflitos geopolíticos.

NOVOS SEGMENTOS

Entre os novos segmentos, uma das principais apostas é o HPC.

Embora a Lenovo afirme ser líder global no setor, sua presença nesse nicho na América Latina ainda é incipiente. O mercado de HPC ainda está para decolar na região. Um grande concorrente é o grupo francês Atos, responsável pelos supercomputadores da Petrobras, por exemplo.

“Fizemos investimentos na América Latina, montamos um grupo de HPC, e espero que em breve possamos mostrar projetos importantes na América Latina que temos na área de óleo e gás, previsão do tempo e até dinâmica de fluidos, que atende a diferentes indústrias”, disse Bortone.

Outro foco é a computação de borda. Bortone disse que a Lenovo acaba de fechar um grande contrato com uma rede de serviços de varejo no México relacionada à computação de ponta, cujo nome ainda não pode ser divulgado. Outros projetos estão sendo negociados.

A empresa tem “centenas de milhares” de clientes corporativos na América Latina, atendidos direta ou indiretamente, por meio de parceiros, disse Bortone.

A América Latina responde por 7% dos cerca de 75 mil funcionários da Lenovo, cerca de 5.250 pessoas.

No primeiro trimestre do ano fiscal de 2023, encerrado em 10 de agosto, a Lenovo registrou US$ 16,9 bilhões em vendas, estável em relação ao ano anterior. O lucro líquido aumentou 11%, para US$ 516 milhões.

A receita do ISG ultrapassou US$ 2 bilhões pela primeira vez, um aumento de 14% ano a ano e agora lucrativo por três trimestres consecutivos.

 

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