Argentina e Chile
Notícias

YPF fala em projetos intermediários na Argentina, enquanto ex-ministro alerta sobre risco do dólar para Vaca Muerta

Bnamericas Publicado: quarta-feira, 16 novembro, 2022

A petrolífera estatal argentina YPF revelou detalhes de vários grandes projetos de midstream.

A empresa e seus pares do setor estão aumentando a produção na bacia de Neuquén, o que, por sua vez, impulsiona a demanda por investimentos em infraestrutura de midstream para apoiar o crescimento, visando no fim substituir as importações no caso do gás e, no caso do petróleo bruto, expandi-las.

Durante uma conferência focada na Argentina organizada pela agência de classificação Moody's na quarta-feira (16), o CFO Alejandro Lew discutiu projetos de oleodutos, entre outras áreas.

Prevê-se que o crescimento anual da produção de petróleo e gás na bacia de Neuquén – impulsionado principalmente por projetos existentes – aumente neste ano e no próximo e depois diminua até 2035. É o que diz relatório da consultoria Wood Mackenzie, cujas projeções se baseiam na produção atual e nos investimentos confirmados. Até 2035, a produção de petróleo da bacia deverá atingir cerca de 560 mil b/d, enquanto a produção de gás deverá registrar pouco mais de 4,0 Bf³/d (bilhões de pés cúbicos por dia, ou 120 MMm³/d).

A produção de setembro na bacia, que abriga o reservatório não convencional de Vaca Muerta, foi de 58,1 mil m³/d de óleo (365.438 b/d) e 93,2 MMm³/d de gás, de acordo com um relatório do think tank de energia local Instituto General Mosconi.

ATUALIZAÇÃO DOS PROJETOS YPF

Oldelval

A concessionária de oleodutos Oldelval está realizando um projeto de US$ 750 milhões para dobrar a capacidade de transporte entre a bacia e as instalações marítimas de exportação na província de Buenos Aires.

A Oldelval – que transporta cerca de 90% do petróleo produzido na bacia de Neuquén – planeja aumentar a capacidade de despacho, de 36 para 72 mil m³/d (452.866 b/d), aliviando um gargalo resultante do rápido crescimento em Vaca Muerta. O duto está realmente transportando cerca de 43 mil m³/d, em parte por meio do uso de polímeros para aumentar a compressão.

O forte interesse dos produtores de petróleo que buscam garantir capacidade no oleoduto indicou o “apetite que existe no mercado para acelerar os planos de crescimento, o que é claramente uma boa notícia”, afirmou Lew na conferência da Moody's, acrescentando que o projeto apoiaria o crescimento da produção nos próximos dois ou três anos.

Oleoduto e terminal em Rio Negro

A YPF anunciou recentemente planos para construir um oleoduto entre a bacia de Neuquén e um futuro terminal de petróleo na província de Río Negro.

O projeto – com a marca Vaca Muerta Sur – está na fase de engenharia e design, segundo Lew.

A infraestrutura teria capacidade “para duplicar novamente toda a capacidade de despacho para o Atlântico”, disse ele. Enquanto as autoridades ainda estão definindo a localização ideal para o terminal, o objetivo é construir uma instalação que possa receber “navios mais modernos, VLCCs [transportadores de petróleo de grande porte], navios desse tipo, que também permitem maior eficiência nas exportações de petróleo argentino.”

Durante a última teleconferência de resultados da YPF, Lew explicou que espera “ter notícias sobre esse projeto em breve, e acreditamos que deverá estar em funcionamento no final de 2025 ou início de 2026, então precisamos começar a progredir o mais rápido possível.”

Oleoduto Transandino

O gasoduto tem 425 km e é operado pela concessionária Otasa entre a província argentina de Neuquén e a região chilena de Biobió. A Otasa está desativando o oleoduto, que transportou petróleo pela última vez em 2006.

A empresa é de propriedade conjunta da YPF, da Chevron e da estatal chilena de hidrocarbonetos Enap.

O gasoduto tem capacidade para transportar entre 8 e 17,5 mil m³/d (50.318 a 110.071 b/d).

“A ideia é poder colocar o oleoduto novamente em serviço na primeira parte do próximo ano”, disse Lew, acrescentando que um novo oleoduto ligando seus ativos petrolíferos de Vaca Muerta ao duto deverá estar disponível até o final de 2023.

“Esperamos, até ao final de 2024, poder ter capacidade para utilizar plenamente este oleoduto, o que seguramente acontecerá por etapas”, acrescentou.

Ele acrescentou que o Chile provavelmente precisará realizar trabalhos de modificação de terminais portuários associados.

“A Enap tem a opção de acessar o petróleo que será transportado pelo gasoduto e espera poder atender cerca de 30% da demanda de sua refinaria de Bío Bío”, afirmou a empresa em comunicado no início deste ano. “Além disso, o diferencial de petróleo bruto transferido pelo oleoduto não adquirido pela Enap poderia ser exportado da Argentina como carga em trânsito pelo porto de San Vicente [localizado em Talcahuano, distrito de Biobió ]”.

PERSPECTIVAS DO SETOR

A Moody's está otimista com as perspectivas gerais para o setor argentino de hidrocarbonetos, onde o crescimento da produção está sendo impulsionado por produtores de não convencionais em Vaca Muerta.

“Mesmo com as fracas condições macroeconômicas locais e a falta de acesso ao mercado internacional de crédito, a Moody's Local Argentina considera que o setor aumentará o nível de produção em 2023 e manterá sólidas métricas de crédito”, disse a agência em relatório. “As produtoras locais, principalmente em Vaca Muerta, seguem com forte aumento no nível de produção, alavancadas pelos altos preços internacionais, e com melhorias nos níveis de endividamento e geração de caixa.”

Em 2023 e além, as perspectivas de produção dependem principalmente de projetos de desgargalamento do midstream.

ACESSO A DÓLARES

Juan José Aranguren, consultor e ex-ministro da Energia, disse que o acesso limitado a moeda estrangeira pode prejudicar a produção em Vaca Muerta.

As empresas na Argentina enfrentam restrições no acesso ao MULC, o mercado de câmbio oficial do país. O governo da Argentina está trabalhando para proteger – e expandir – suas fracas reservas estrangeiras.

“Hoje, Vaca Muerta corre o risco de não poder continuar sua produção porque não há dólares suficientes para que as PMEs tragam os insumos de que precisam para continuar contribuindo”, disse Aranguren em uma conferência realizada simultaneamente na quarta-feira (16) pela mídia local EconoJournal “Se não resolvermos o acesso à moeda estrangeira neste setor, Vaca Muerta será um problema.”

O relatório da Moody's cobre o tema, opinando que “os baixos níveis das reservas internacionais, o elevado hiato cambial [entre as taxas oficiais e não oficiais], a inflação crescente e as restrições ao acesso ao MULC e à transferência de lucros para o exterior desencorajam e encarecem as decisões de investimento de longo prazo do setor privado.”

“Da mesma forma, as dificuldades na importação de equipamentos e materiais que produtores e empresas de serviços utilizam como insumos podem afetar o ritmo de aumento da extração e criar gargalos na produção de petróleo bruto e gás no país”, completou a agência

FINANCIAMENTO

A turbulência econômica e os elevados níveis associados de risco-país sufocaram fontes viáveis de financiamento internacional para empresas na Argentina.

Lew disse que o fluxo de caixa e as opções de financiamento no mercado local atenderiam às necessidades de investimento da YPF no próximo ano.

Isso foi repetido pelo relatório da Moody's, que cobre o financiamento de investimentos em midstream.

“Apesar de acreditarmos que existem grandes desafios operacionais e financeiros para realizar estas obras, consideramos que os investimentos necessários em infraestrutura de transporte de petróleo bruto podem ser financiados por meio do mercado de capitais local, aportes de capital e adiantamentos de empresas do setor, além do fluxo de recursos próprios das concessionárias”, concluiu a agência.

Assine a plataforma de inteligência de negócios mais confiável da América Latina. Deixe-nos mostrar nossas soluções para Fornecedores, Empreiteiros, Operadores, Governo, Jurídico, Financeiro e Seguros.

Assine a plataforma de inteligência de negócios mais confiável da América Latina.

Outros projetos em: Infraestrutura (Argentina)

Tenha informações cruciais sobre milhares de Infraestrutura projetos na América Latina: em que etapas estão, capex, empresas relacionadas, contatos e mais.

Outras companhias em: Infraestrutura (Argentina)

Tenha informações cruciais sobre milhares de Infraestrutura companhias na América Latina: seus projetos, contatos, acionistas, notícias relacionadas e muito mais.

  • Companhia: Durmientes de Hormigón Argentinos S.A.  (DHASA)
  • Durmientes de Hormigón Argentinos SA (DHASA) é uma empresa argentina criada em 2012 que obteve a concessão para substituir os dormentes dos trechos ferroviários Buenos Aires-Mar...
  • Companhia: José J. Chediack SAICA  (Chediack)
  • José J. Chediack SAICA (Chediack) é uma empresa argentina de construção e concessões em operação desde 1947. Propriedade do empresário argentino Juan Chediack, com escritórios e...
  • Companhia: CPC Ingeniería e Infraestructura S.A.  (CPC)
  • A CPC SA é uma empresa argentina fundada em 1977 com o nome Comercial del Plata Construcciones SA Atua no desenvolvimento de projetos de engenharia e infraestrutura, tendo reali...
  • Companhia: Panedile Argentina S.A.I.C.F. e I.  (Panedile)
  • Panedile Argentina SA (Panedile) é uma empresa de engenharia e construção com foco na prestação de projetos de grande porte nas seguintes áreas: hidrelétrica e hidráulica, rodov...
  • Companhia: UCSA
  • UCSA é uma empresa argentina de engenharia que se dedica às obras civis, ferrovias, gasodutos, setor elétrico, rodovias e redes de saneamento. A empresa participa de um consórci...
  • Companhia: Alquimaq S.A.  (Alquimaq)
  • A descrição contida neste perfil foi extraída diretamente de uma fonte oficial e não foi editada ou modificada pelos pesquisadores da BNamericas, mas pode ter sido traduzida aut...