
O caminho da América Latina para o 5G

Por Daniel Losada, vice-presidente de vendas internacionais da Hughes Network Systems
As redes 5G oferecem atualizações de conectividade promissoras que, com o tempo, promoverão velocidades de dados mais rápidas, menor latência e maior capacidade para dispositivos conectados. No entanto, em muitas partes da América Latina, o advento do 5G não será rápido nem imediato.
Isso é particularmente verdade em áreas mais remotas ou historicamente carentes. Nesses casos, o caminho para o 5G é a continuação de um esforço contínuo para melhorar a conectividade gradualmente usando a melhor tecnologia disponível, inclusive LTE fornecido por backhaul de satélite, para facilitar a conectividade até mesmo em áreas mais rurais ou remotas.
A história sugere que a implantação do 5G seguirá o mesmo caminho das gerações anteriores do serviço. As operadoras terrestres concentrarão seus esforços primeiro na implantação em locais onde ela for mais eficiente. Isso significa levar conectividade de próxima geração para áreas urbanas densas e estabelecidas, com expansão gradual para regiões metropolitanas e rurais.
Para operadoras de rede móvel que desejam expandir suas redes rapidamente para alcançar áreas mais remotas, o satélite representa um meio rápido e econômico de ampliar a cobertura, pois elimina tempo e gastos consideráveis com a construção de infraestrutura de backhaul terrestre.
Por muitos anos, o backhaul via satélite permitiu a expansão das redes celulares – primeiro 2G, depois 3G e 4G – e também desempenhará um papel valioso na eventual implantação do 5G. Mas, embora a promessa do 5G seja empolgante para os consumidores, principalmente em partes do mundo que priorizam a mobilidade, a realidade é que as operadoras de rede ainda estão trabalhando para levar as redes da geração anterior a áreas com baixa cobertura.
Na América Latina, existem muitas áreas com conectividade precária ou mesmo inexistente. Um estudo de 2020 do BID constatou que 32% da população da América Latina e do Caribe não tinha acesso à Internet, e grandes disparidades entre centros populacionais rurais e urbanos persistem em toda a região. Os governos e o setor privado estão tentando atender à necessidade de acesso, muitas vezes em parceria, mas o esforço é constante.
A GSMA, organização que acompanha o crescimento do ecossistema de tecnologia móvel em todo o mundo, descreveu o cenário em seu relatório Mobile Economy Latin America 2021, observando que a maioria dos países latino-americanos está focada na tarefa de migrar clientes 2G e 3G para redes 4G, com os modelos mais otimistas sugerindo que a adoção do 4G representará 67% do mercado até 2025.
E embora o Brasil, o Chile e a República Dominicana tenham começado a alocar o espectro necessário para dar suporte às implantações de 5G, e Equador e Colômbia tenham sinalizado que seus próprios leilões de espectro estão chegando, é importante entendermos esses desenvolvimentos no contexto. O relatório da GSMA conclui que o investimento em 5G das operadoras de rede móvel na América Latina deve atingir o pico até 2025. Depois disso, o 5G representará apenas 12% do total de conexões da região.
Reconhecendo essa realidade, governos e operadoras de redes móveis que buscam soluções para ajudar a eliminar a exclusão digital agora deveriam continuar empregando o satélite como uma solução prática de conectividade em curto prazo. O backhaul celular via satélite continua ajudando a suprir a necessidade vital de conectividade em regiões carentes com 3G e 4G, e está pronto e apto para habilitar redes 5G quando chegar a hora.
Embora muitos consumidores móveis possam ter de esperar para colher os benefícios do 5G, os setores corporativo e governamental estão agindo mais rápido para implementar a tecnologia. O satélite oferece vantagens diferentes para esses tipos de redes geograficamente distribuídas e dinâmicas – incluindo recursos globais, alta segurança e capacidade de operar independentemente da infraestrutura terrestre.
Por exemplo, nos EUA, a Hughes está implantando uma rede 5G segura e privada em uma base aérea naval. Oferecendo suporte a aplicações como operações de voo, manutenção robótica de pistas e instruções mecânicas com realidade aumentada, a rede inclui conectividade via satélite resiliente, geoestacionária (GEO) e de baixa órbita (LEO) para backhaul e alcance global.
Em outras partes do setor privado, as redes 5G standalone apresentam conectividade mais confiável, taxas de dados mais rápidas e maior escalabilidade, segurança e controle de rede, que ajudarão a promover a inovação – e se beneficiar dela – em áreas como automação, realidade aumentada e virtual e inteligência artificial. Usando satélite, essas redes privadas podem ser implantadas em qualquer lugar do mundo, inclusive locais remotos e de difícil acesso em toda a América Latina.
A crescente demanda por dispositivos 5G para consumidores na América Latina é inegável, mas o progresso provavelmente não será rápido, sobretudo em áreas remotas e pouco povoadas. O uso contínuo de satélite para backhaul de celular trará os benefícios do 4G e 5G para mais usuários em toda a América Latina na próxima década, outro marco no caminho para diminuir a exclusão digital no mundo.
Enquanto isso, as vantagens intrínsecas da conectividade via satélite provavelmente garantirão um papel de destaque na implementação rápida de redes 5G para governos e empresas.
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