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Análise

Equador consolida retorno aos mercados com colocação de US$4bi

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Equador consolida retorno aos mercados com colocação de US$4bi

Equador retornou aos mercados internacionais de capitais após sete anos com uma emissão de bônus de US$4 bilhões (bi), uma operação destinada a aliviar pressões fiscais e melhorar seu perfil de dívida.

A emissão foi estruturada em dois tranches: US$2,2bi com vencimento em 2034 e US$1,8bi com vencimento em 2039, e será complementada pelo Ministério da Economia e Finanças com um plano de recompra de títulos em circulação com vencimento em 2030 e 2035.

A emissão atraiu uma demanda próxima a US$18bi de mais de 340 investidores globais, incluindo gestores de ativos das Américas, Europa, Ásia e Oriente Médio, segundo dados oficiais.

O nível de ordens reflete um apetite renovado pelo risco equatoriano em um contexto de busca por rendimento em mercados emergentes e concede ao país maior margem de manobra para melhorar seu perfil de dívida.

“A operação foi executada de maneira estratégica, aproveitando um contexto de alta liquidez global e o apetite dos investidores por ativos com maior rentabilidade. Além disso, a queda significativa do risco-país —abaixo de 350 pontos— favoreceu a colocação”, assinalou à BNamericas Felipe Hurtado, analista da consultora Prófitas.

A emissão realizada na segunda-feira é a maior obtida pelo país desde 2014, quando o Equador retornou aos mercados internacionais após o default declarado pelo governo de Rafael Correa em 2008, um episódio que abalou a credibilidade do país perante os investidores por mais de uma década.

A lógica por trás  da operação responde à necessidade de aliviar o cronograma de pagamentos. O Equador deveria começar em 2026 a quitar semestralmente os bonos global 2030, com desembolsos de cerca de US$800 milhões anuais, o que representava uma pressão considerável sobre as contas fiscais, considerando que o déficit fiscal do país em 2025 ficou em torno de US$5,3bi. 

Um dos principais benefícios da emissão é a extensão de prazos e a recompra de títulos com vencimento mais próximo. Essa estratégia, que será financiada com parte dos recursos obtidos, dará um fôlego às finanças públicas no curto prazo e descarta a necessidade de recorrer a medidas como cortes fiscais ou aumentos de impostos para amortizar os bônus 2030.

A operação também reduz as preocupações sobre a capacidade de pagamento no curto prazo e fortalece a posição externa do país ao diminuir a saída de divisas nos próximos anos, acrescentou Hurtado.

O êxito da colocação evidencia ainda uma melhoria na percepção do Equador perante os mercados internacionais, já que a venda não exigiu colateral, ao contrário de emissões anteriores, o que reforça a confiança na capacidade do país de cumprir seus compromissos financeiros.

A estratégia visa melhorar a sustentabilidade da dívida e enviar um sinal de confiança em um momento em que o Equador busca consolidar seu acesso a financiamento externo. O interesse demonstrado pelos investidores também abre a possibilidade de novas emissões no futuro, dependendo da evolução fiscal até 2026.

“Em qualquer caso, a operação envia uma mensagem positiva de confiança em relação ao Equador, embora a taxa de juros continue elevada”, acrescentou Hurtado.

Para além do âmbito financeiro, a emissão poderia favorecer a atração de investimentos para indústrias extrativas e projetos de infraestrutura, em particular na carteira de parcerias público-privadas (PPP).

Atualmente, esta carteira soma 15 iniciativas por cerca de US$11,9bi, que incluem projetos rodoviários, portuários, hidrelétricos e de gestão de resíduos sólidos.

Segundo Hurtado, o relevante será definir os mecanismos para promover esses investimentos, considerando fatores geopolíticos que incidem sobre os fluxos de capital, como o interesse dos Estados Unidos em reduzir a influência da China na região.

No futuro, manter a disciplina fiscal e cumprir os compromissos de redução do gasto tributário serão determinantes para sustentar a credibilidade alcançada e evitar que o alívio temporário resulte em um novo ciclo de endividamento.

(A versão original deste conteúdo foi redigida em espanhol)

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