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A posição da América Latina sobre o futuro do hidrogênio

Bnamericas Publicado: sexta-feira, 18 novembro, 2022
A posição da América Latina sobre o futuro do hidrogênio

Em um cenário em que o desenvolvimento do hidrogênio verde atrai o interesse de investidores na América Latina e no mundo, as empresas buscam as melhores formas de aproveitar essa oportunidade.

À medida que os países da região publicam roteiros e estratégias para o hidrogênio verde, vários projetos-piloto visando iniciativas de maior escala estão surgindo.

Como empresa de engenharia e tecnologia, a espanhola Sener presta serviços a muitas dessas companhias. A América Latina ainda está longe de implementar seu primeiro projeto de hidrogênio verde em grande escala, mas muitos players estão em estágios iniciais, nos processos de concepção e trabalhos de engenharia.

A BNamericas conversou com Nora Castañeda, gerente de negócios de hidrogênio da Sener Energy, sobre as perspectivas para o desenvolvimento na região, a posição da indústria em relação aos projetos de hidrogênio verde na América Latina e como ela está se saindo em comparação com outros locais.

BNamericas: Qual é a experiência da Sener no desenvolvimento de projetos de hidrogênio verde na América Latina?

Castañeda: Somos uma empresa de engenharia e tecnologia, e o que estamos fazendo na área do hidrogênio verde é acompanhar os clientes, que estão nas fases iniciais dos projetos. Em geral, estão fazendo estudos de viabilidade, análise de tecnologias e engenharia conceitual para definir quais são as melhores configurações para o projeto ou as melhores soluções. É um mercado que está sendo criado, e há uma fase inicial de análise de alternativas em que são definidos os projetos futuros. Existe uma outra série de clientes que já têm suas ideias mais estruturadas. Com eles partimos da definição básica até a engenharia de detalhamento dos projetos.

No momento, existem poucos projetos de hidrogênio verde em execução. Estamos executando um projeto na Espanha para a Repsol, mas há muitos que estão sendo preparados para o lançamento ser o quanto antes. Na América Latina, estamos trabalhando principalmente no Chile e no Brasil, e também vemos oportunidades muito interessantes na Argentina, Uruguai e Paraguai. São locais com recursos renováveis muito interessantes e onde estão sendo desenvolvidos projetos grandes, para a geração massiva de hidrogênio com a intenção de o exportar para locais em que há previsão de grande consumo no futuro. São projetos que exigem um longo processo de desenvolvimento, com trabalho de engenharia, conhecimento tecnológico, e que demoram a sair do papel.

BNamericas: Alguns dos poucos projetos que estão em estágios mais avançados na região são conhecidos como “projetos-piloto”. Quando veremos a construção de projetos de grande porte?

Castañeda: Há duas linhas paralelas avançando. Os projetos que serão executados primeiro são os pequenos, com eletrolisadores de 20 MW a 50 MW, até menos. São projetos que buscam demonstrar a tecnologia, sua viabilidade e testar os primeiros usos. Esses são os que estão mais próximos da execução. A outra linha de trabalho, que é a mais abundante, são projetos da ordem dos 500 MW para cima, até cerca de 2,5 GW, que estão em uma fase muito preliminar, em que estão avaliando como realizar um projeto com essas características. Para realizar um projeto desse tipo, é necessária a geração renovável associada a esses eletrolisadores, que na maioria dos casos serão construídos especialmente para a geração de hidrogênio, com tudo o que isso implica a nível de procedimentos e licenças. Por outro lado, existe a usina de geração de hidrogênio. A unidade fundamental desta central é uma pilha que hoje tem uma dimensão de 5 MW, para a qual teriam de ser colocadas em operação cerca de 100, dependendo da dimensão do projeto. E um equipamento de eletrólise de 5 MW pesa mais de 50 toneladas. Com isso, falamos de projetos com muito trabalho pela frente para o desenvolvimento das soluções técnicas que integrem essas equipes. Então, existe uma linha de projetos de curto e médio prazo e outra de médio e longo prazo – e ambas seguem em paralelo. O objetivo é estar em condições de fornecer hidrogênio para as futuras oportunidades que virão da Europa por volta de 2026-2030, quando vários países se preparam para importar toneladas de hidrogênio.

BNamericas: A execução de projetos de grande escala certamente traz grandes desafios logísticos. Também há avanços nessa área em paralelo (portos, cadeias de suprimentos, etc.)?

Castañeda: Para avançar em todo esse mercado, estão trabalhando na geração renovável, nas usinas de eletrolisadores, mas também em toda a infraestrutura adicional necessária. Estamos vendo trabalhos para projetar terminais de amônia, tanto no Chile quanto no Brasil. Eles estão em fases preliminares: engenharia, garantia do terreno, estudo da infraestrutura. Ainda não estão sendo construídos e ainda há trabalho a ser feito.

Para ter sucesso no mercado de hidrogênio, você também precisa de infraestrutura portuária, se quiser exportar. No Chile, os melhores lugares para a geração de hidrogênio estão em lugares remotos, seja ao sul ou ao norte, onde não há consumo. Por isso é necessário levar o produto para outro local. Para grandes volumes, a forma mais razoável de transporte será transformá-lo em amônia ou algum condutor, que esteja sendo trabalhado tecnologicamente, e exportá-lo para a Europa, Ásia ou até América Latina, já que as zonas industriais ficam distantes. Ainda não se sabe se teremos uma infraestrutura de gasodutos de hidrogênio disponível em alguns países. Talvez, devido às distâncias, não faça sentido. É preciso ver quais serão os locais mais adequados para essa geração de hidrogênio.

BNamericas: O México é um país com enorme potencial que muitas vezes é deixado de fora das negociações sobre hidrogênio verde. Como você vê o futuro deste mercado?  

Castañeda: Conhecemos bem o México e é verdade que, devido à atual situação política, é difícil considerar o desenvolvimento de projetos de renováveis porque o setor público está pressionando muito. No entanto, há um grande potencial tanto pelo recurso renovável presente quanto pela proximidade com os EUA. O México continua sendo um foco industrial muito poderoso para abastecer o mercado norte-americano. E entendemos que as exigências de descarbonização de suas empresas aumentarão nos próximos anos. Nesse sentido, os industriais que estiverem por lá e precisarem promover a descarbonização, ter consumo de geração verde, já estão se preparando para fazer essa mudança. Os projetos estão sendo desenvolvidos, abrindo caminho para quando sua realização for viável para ter geração renovável própria, geração de hidrogênio própria in situ. Até lá, muitos estarão prontos.

BNamericas: Como está o desenvolvimento da América Latina em comparação com outras regiões do mundo, como a Europa, onde a Sener está presente?

Castañeda: Quando se trata de pequenos projetos, a Europa vai avançar e ter geração local de hidrogênio para consumos específicos, incluindo o mundo petroquímico, de fertilizantes, consumidores que podem ser facilmente convertidos em hidrogênio verde. Mas a partir de então, para obter grandes volumes de hidrogênio a preços razoáveis, o desenvolvimento da Europa estará em sintonia com o desenvolvimento da América Latina ou de outras áreas, como o Oriente Médio. Os preços mais competitivos, dado o recurso renovável disponível nessas áreas, impulsionarão o desenvolvimento para exportação. Isso acontecerá mesmo com menos projetos-piloto realizados na América Latina. É algo consistente com o que vemos, pois há menos projetos-piloto [do que na Europa], e o desenvolvimento de projetos já está voltado para exportações em grande escala.

BNamericas: Para finalizar, qual é, na sua opinião, um ponto-chave a ser trabalhado para materializar a indústria do hidrogênio verde?

Castañeda: Estamos muito otimistas de que um mercado de hidrogênio se desenvolverá gradualmente, mas estamos conscientes de que isso requer um grande esforço de desenvolvimento tecnológico e trabalho com as soluções existentes. Eles existem, mas precisam evoluir para atender a esses usos e tamanhos de projetos. Não se trata apenas de integrar tecnologias, mas de evoluí-las e trabalhar nelas. Estamos fazendo um esforço significativo nessa área, lançamos três projetos de pesquisa e desenvolvimento, e acredito que promover essa inovação será uma parte fundamental para que sejam encontradas a soluções interessantes para os projetos que estão sendo desenvolvidos e pensados.

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