Suécia e México
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Caminhões, o pilar da sustentabilidade na mineração

Bnamericas Publicado: terça-feira, 29 novembro, 2022
Caminhões, o pilar da sustentabilidade na mineração

O Heavy Tipper é o principal produto que a fabricante sueca de caminhões Scania oferece para a indústria de mineração no México, prometendo ganhos substanciais de eficiência e sustentabilidade, que devem aumentar quando a versão elétrica do caminhão estiver disponível, em 2025 ou 2026.

Nesta entrevista, o gerente de vendas e pós-vendas de mineração, construção e aplicações especiais da Scania México, Edgar Robles, conta à BNamericas como as máquinas ajudam a reduzir custos e discute as metas de crescimento da empresa, entre outros assuntos.

BNamericas: Há quanto tempo a Scania está no México e quais produtos e soluções ela oferece para o setor de mineração no país?

Robles: A Scania tem quase 30 anos no México. Somos especializados em soluções de transporte de passageiros, transporte de cargas e também soluções de geração de energia através da venda de motores para este tipo de indústria, motores industriais ou marítimos.

Para o setor de mineração, temos um produto especializado, que é o nosso Scania Heavy Tipper, um caminhão que oferece [...] 40 toneladas de carga útil. É um caminhão para transporte de minérios e terra em operações de mineração a céu aberto e subterrâneas.

Dentro destas soluções, oferecemos um serviço sob medida para cada operação. Ou seja, de acordo com as necessidades da mina, desenhamos uma solução de serviço adequada para proporcionar não só a maior disponibilidade mecânica, mas também o que pode ser o menor custo operacional.

BNamericas: Quais são os produtos ou serviços mais demandados no setor de mineração?

Robles: Além dos caminhões Heavy Tipper, temos soluções para transporte de pessoal para esse tipo de mina, bem como soluções para geração de energia e veículos complementares.

Temos serviços que podem dar suporte à operação, desde guindastes, betoneiras, caminhões do tipo gôndola. Todos esses veículos podem ser utilizados nas diferentes partes da operação e produção da mina.

Podemos oferecer soluções para transporte e também para geração de energia. Vendemos motores que, obviamente, podem ser usados na geração de energia e máquinas especializadas, como trituradores, podemos ter opções para isso também. São motores Scania projetados e fabricados por nós.

BNamericas: Qual é o valor agregado e o diferencial que a Scania oferece para a indústria de mineração?

Robles: Um dos principais benefícios é que o caminhão se adapta à mina. Fazemos tudo sob medida para a operação. Não é a mina que se adapta ao caminhão. Esse é um dos conceitos e filosofias que seguimos, porque, no final, ao oferecer um veículo personalizado, conseguimos obter os melhores benefícios e retornos da operação.

No caso do Heavy Tipper, agregamos valor em diferentes fases. A primeira é que tem o menor custo por tonelada do mercado, graças ao consumo de combustível que temos, de cerca de 10 litros por hora, em média. Em comparação com a concorrência, podemos reduzir os custos de combustível por hora trabalhada em até 66%. Esse é o principal diferencial. Mais horas, mais economia.

Há uma redução significativa nos custos de manutenção, já que nossos veículos, por contarem com um sistema modular e especializado, têm a vantagem competitiva de serem muito mais eficientes nos custos de manutenção em relação às máquinas que existem hoje no mercado. Essas máquinas amarelas, além de terem um capex elevado, também têm custos de manutenção e até de troca de pneus bastante elevados quando comparados com um caminhão dessa natureza.

Outra vantagem competitiva é que podemos oferecer 40 toneladas de carga útil. Nosso caminhão vazio pesa 20 toneladas e é capaz de transportar mais 40. A proporção de carga é de dois para um em comparação com o que existe por aí, geralmente de um para dois ou dois para três, e às vezes abaixo do que é transportado.

Nosso veículo é projetado para oferecer a maior produtividade, mas também eficiência energética, ou consumo de combustível, com os menores custos de manutenção.

Conectado com a parte de produtividade, em alguns casos, dependendo do equipamento instalado, conseguimos até aumentar a produção da mina, já que nossos veículos, por serem muito mais leves, também têm a possibilidade de fazer os ciclos muito mais rápido que um veículo dessa natureza.

Isso, respeitando os limites de segurança que existem em todas as minas e que, dependendo das condições, podem ser de 30 km por hora, 20 km por hora. Podemos justamente adaptá-lo às necessidades dos clientes, mas sobretudo da operação.

Sobre o custo do combustível, hoje sabemos que o caminho é a eletrificação, mas, com essa solução, ao poupar 66% de combustível, estamos poupando 66% do CO2 emitido na atmosfera. Essa é a terceira vantagem, que podemos ter soluções muito mais sustentáveis e ecologicamente corretas sem a necessidade de uma grande mudança de tecnologia.

Por fim, todas as soluções que oferecemos ao mercado têm uma solução personalizada, mas, acima de tudo, uma representação direta da marca. Não temos distribuidores terceirizados, todo o pós-venda é nosso, e o atendimento ou contato que os clientes possam ter é direto com a fábrica.

Essa é uma vantagem extremamente importante, pois nos permite prestar um melhor serviço, ter uma alta disponibilidade de peças de reposição e, principalmente, um atendimento personalizado para os clientes.

BNamericas: Como vocês adaptam as soluções que oferecem para as minas ou operações específicas?

Robles: A cada operação, fazemos uma avaliação, um mapeamento de toda a mina. Nós vemos a mina como se fosse uma fábrica, onde há a extração, a movimentação, etc. Analisamos todos os fatores e componentes que interferem na produção, mapeamos, anotamos o tempo e desenvolvemos uma oferta, uma especificação do veículo acompanhada de uma oferta de serviço e, acima de tudo, outros benefícios ou acréscimos específicos que possam garantir a melhor produtividade.

Nosso veículo, nosso sistema, é como um Lego. Todo o nosso sistema de produção e design de produto é como se fosse um Lego, com diferentes peças intercambiáveis. Isso nos permite ter uma ampla oferta personalizada de veículos para a mina.

Podemos falar de caminhões para minas subterrâneas ou a céu aberto que podem ter capacidade de 16, 18 ou 20 metros cúbicos. Mesmo em minas a céu aberto podemos entregar soluções de 20, 22 e até 30 ou 32 metros cúbicos de volumetria. Isso vai ser determinado pelo peso específico do material que vai ser movimentado para dar a garantia das 40 toneladas de carga útil.

Também temos a possibilidade de entregar caminhões Euro 5 e Euro 6 e, em breve, também já estamos trabalhando em outras partes do mundo, não no México, com veículos que operam a céu aberto com tecnologias de gás natural comprimido. Estamos testando até mesmo caminhões elétricos com alguns dos nossos clientes no norte da Suécia e na Austrália.

BNamericas: Quantos clientes do setor de mineração vocês têm no México? Quais empresas estão incluídas?

Robles: Temos operações de pedreira com a Cemex e com a Apasco – uma pedreira que fica no Estado do México e o cliente é uma subempreiteira. Também já temos contratos com várias subempreiteiras e operações com a Comsa, que é uma mina de gesso, a maior que temos no México e uma das principais produtoras do mundo, na Ilha de San Marcos.

Também estamos na operação da First Majestic em Sonora, e estamos realizando diferentes avaliações com a Autlán e outros clientes. Nessas avaliações, acompanhamos os clientes para revisar sua operação e tentar oferecer uma solução sob medida, mas acima de tudo disruptiva em termos de custos e produtividade das operações.

BNamericas: Qual é o principal uso de seus caminhões na mineração na região e no México?

Robles: O Scania Heavy Tipper é usado para o transporte de materiais, mas também podemos fabricar ou projetar veículos para todo o ambiente de mineração, que ajudem a reduzir os custos por tonelada transportada ou hora trabalhada.

BNamericas: Por que e como seus produtos ajudam a tornar esse setor mais sustentável?

Robles: Na Scania, trabalhamos em três frentes diferentes. Em primeiro lugar, parte da nossa estratégia de sustentabilidade é a eficiência energética. Todos os veículos que projetamos e entregamos devem ser configurados adequadamente para a operação. Não colocamos em estoque veículos que não sirvam para todas as operações.

Fazemos um trabalho específico para que o veículo tenha o melhor desempenho energético e assim possamos ajudar ou contribuir para a eficiência energética e a redução de emissões.

O segundo pilar é que temos, além de toda a linha de motores a diesel, um amplo portfólio de motores Scania a gás, e também soluções de combustíveis alternativos. No México, por exemplo, não usamos o SVO, que é um diesel sintético, mas em outras partes do mundo podemos usar esse mesmo veículo para usar o biodiesel, se houver acesso a ele.

Todos os nossos motores a gás natural estão preparados para trabalhar com gás natural ou mesmo com uma combinação de biogás, [...] e conseguimos reduzir as emissões até 80%.

Temos um caminho difícil, mas, acima de tudo, já estamos muito alicerçados em soluções de eletromobilidade. Todos os anos lançamos uma nova solução elétrica. No México, já temos veículos de distribuição urbana, por questões de tecnologia e capacidade de bateria, e sobretudo pelo desenvolvimento de uma tecnologia que está em constante transformação.

A estimativa é que até 2025-2026 já tenhamos os primeiros Heavy Tipper elétricos disponíveis comercialmente no México. Já temos o primeiro protótipo, o primeiro piloto com a LKAB, que é uma das maiores minas de minério de ferro do norte da Suécia. Esse caminhão já está dedicado à operação de mineração e entrega cerca de 30 toneladas de carga útil.

Ano após ano, no México e no mundo todo, vamos replicar novas tecnologias e novas aplicações onde não só os clientes, mas também o ecossistema, forem próprios para a migração para essas soluções.

BNamericas: Como a nova tecnologia está mudando o segmento? Quais avanços ou novidades você está vendo no uso de caminhões elétricos e autônomos e quais mudanças importantes poderemos ver nos próximos 5 a 10 anos?

Robles: Vemos três tendências importantes, não só no setor de mineração, mas também no transporte de cargas. Uma delas é a conectividade, que vem acelerando, principalmente desde a pandemia, mas antes já tínhamos trabalhos nesse sentido.

Esperamos que as soluções de conectividade, implementadas em todos os nossos veículos desde 2015, venham de fábrica com hardware que alimente nossos sistemas e nos forneça todos os dados operacionais que usamos, não só para melhorar o desempenho de produtos futuros, mas para ter informações importantes sobre as atividades em tempo real e atender remotamente qualquer situação de serviço.

A parte da eletrificação, digamos, é o futuro. Vemos que os caminhões elétricos e outros tipos de alternativas, como o hidrogênio, já estão sendo explorados. E, embora não sejam tão eficientes quanto os caminhões elétricos hoje, também estabelecerão um padrão para que os veículos tenham zero emissões.

E, por último, a parte dos veículos autônomos, não só por uma questão de segurança, principalmente nesses ambientes de minas, onde temos condições operacionais complexas. Isso vai dar o tom para que os veículos, assim que as condições da própria mina estiverem disponíveis, sejam também veículos autônomos.

Já existem veículos autônomos rodando. Temos um projeto em Río Tinto, na Austrália, em fase operacional, em que estamos testando a tecnologia e desenvolvendo todo o ecossistema dos veículos.

Vemos isso em um nível geral. O cenário mudará de acordo com as necessidades do cliente, e sobretudo com o ecossistema e os regulamentos que nos ajudam a fazer isso acontecer.

BNamericas: Quais são seus planos de crescimento no México?

Robles: Entre as expectativas, há um plano de execução em que a Scania México será um dos principais mercados para carga do mundo. Ela já é no segmento de ônibus, e temos a missão de sermos um dos 10 maiores mercados globais para a Scania.

No setor de mineração, temos planos de crescimento, mas acima de tudo queremos continuar colaborando com os nossos parceiros de negócio para que eles tenham acesso a esse tipo de tecnologia e reduzam os custos operacionais.

Temos uma equipe dedicada a todo o setor de mineração e queremos seguir com a assessoria e a avaliação feita sob medida para suas operações, para apresentar as soluções que possam ajudar a reduzir os custos por tonelada.

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