México
Perguntas e Respostas

Como o Banco Europeu de Investimento está ajudando a América Latina a aproveitar seu potencial de hidrogênio verde

Bnamericas Publicado: segunda-feira, 17 outubro, 2022
Como o Banco Europeu de Investimento está ajudando a América Latina a aproveitar seu potencial de hidrogênio verde

O interesse pelo hidrogênio verde está crescendo na América Latina, uma região com abundantes recursos de energia limpa.

Projetos voltados tanto para o mercado interno quanto para o mercado externo estão avançando.

Chile, Brasil e Colômbia são pioneiros, posicionando-se para aproveitar a próxima onda, enviando sinais ao mercado por meio de estratégias e incentivos setoriais.

A tecnologia e as fontes de financiamento estão lá. Outros aspectos em jogo para liberar todo o potencial da região incluem infraestrutura, envolvimento comunitário, desenvolvimento de habilidades e coordenação entre oferta e demanda.

Entre as instituições que trabalham para o avanço da região ao longo da estrada do hidrogênio verde está o Banco Europeu de Investimento (BEI), cujo objetivo, por meio de financiamento para os setores público e privado, é ajudar os países a descarbonizar suas economias e, quando necessário, apoiar seus planos de exportação.

Para saber mais sobre o trabalho do banco na região e muito mais, a BNamericas conversou com María Shaw-Barragán, diretora de empréstimos do BEI para a América Latina, África e Ásia, e com Alexandre Staff Varela, chefe do escritório de representação na América Latina.

A BNamericas conversou com eles durante o H2LAC 2022, evento do setor realizado recentemente na Colômbia, organizado pela empresa norte-americana New Energy Events e pelo BID. Tanto Shaw-Barragán quanto Staff Varela participaram do evento.

LEIA TAMBÉM:

Chile e Europa lançam as bases para as exportações de hidrogênio verde

Aproveitando o potencial de hidrogênio limpo da América Latina

BNamericas: Você pode nos dar uma breve visão geral sobre o foco do banco em relação ao hidrogênio verde?

Shaw-Barragán: Trabalhamos com o setor público – soberanos e subsoberanos – mas também com o setor privado. Isto é muito importante, principalmente no contexto do hidrogênio verde, porque o que você precisa é de contribuições tanto do setor público quanto do setor privado.

Trabalhamos dentro e fora da UE, com a nossa atividade fora da UE a crescer em importância e em alinhamento com as prioridades globais, as prioridades europeias e as prioridades dos países específicos onde trabalhamos.

Falando especificamente sobre o hidrogénio verde, a UE tem estado na vanguarda de todos os seus desenvolvimentos, assumiu grandes compromissos em termos de produção de hidrogénio verde – o produzido no nosso território mas também as potenciais importações.

Onde o Banco Europeu de Investimento pode entrar é no apoio, com financiamento, dentro e fora da UE. Somos muito ativos em ambos e, neste momento, temos uma carteira de operações assinadas de cerca de US$ 2 bilhões.

Dentro da UE, trata-se principalmente de pesquisa e desenvolvimento, apoiando a inovação para fazer o melhor uso do hidrogênio verde. Fora da UE, estamos discutindo com alguns países a produção de hidrogênio verde para sua própria descarbonização e, potencialmente, caso tenham interesse, para exportação. Mas o objetivo principal é a própria descarbonização e isto é importante que seja notado.

BNamericas: Você pode falar um pouco sobre o que estão fazendo na América Latina?

Shaw-Barragán: Aqui na América Latina há um enorme potencial, em termos de ser um parceiro estratégico da UE em hidrogênio verde, começando com os três pioneiros […] Chile, Colômbia e Brasil.

Já identificamos 11 países na região da América Latina e Caribe com uma estratégia de hidrogênio verde e com os quais estamos conversando para ver como podemos atender suas necessidades nesta fase, que pode ser, no início, assistência técnica, ajudando o governo a criar um ambiente no qual o setor privado possa prosperar.

E estamos discutindo com várias empresas privadas, tanto para a produção de hidrogênio verde, mas também para o uso de hidrogênio verde, em termos de aço verde, cimento verde, combustíveis verdes – agregando valor na América Latina, o que é muito importante para a criação de empregos e para que a economia do hidrogênio verde se torne algo que beneficie toda a população da região.

BNamericas: Você pode nos dar um exemplo de operação de financiamento?

Shaw-Barragán: Você verá anúncios sobre isso no contexto da COP-27; estamos, por exemplo – no contexto da iniciativa Team Europe [esquema de desenvolvimento multi-países], portanto, juntamente com outros atores financeiros europeus, em particular o banco de desenvolvimento alemão KfW e com a Comissão Europeia, que fornecerá uma subvenção –, fornecendo financiamento ao Chile para apoiar os investimentos em infraestrutura que eles terão que fazer para facilitar essa economia do hidrogênio verde.

BNamericas: Estamos falando de dutos, por exemplo?

Shaw-Barragán: Pode ser dutos, pode ser linhas de transmissão, pode ser infraestrutura portuária, pode ser dessalinização onde for necessário, encanamentos de água. Mas também podem ser investimentos mais brandos, em termos de apoio à capacitação da população local para que ela possa participar.

Nosso financiamento também pode ser usado para garantir que haja um sistema de certificação que seja claro sobre o que o hidrogênio é verde. Tem que ser compatível com a região e, idealmente, com a UE, se você está pensando em exportar para o bloco.  

BNamericas: Então as coisas estão atualmente em fase de discussão?

Shaw-Barragán: Exatamente. É onde estamos, mas deve acontecer rapidamente. O papel desempenhado pelo governo pode impulsionar o setor privado, então você precisa fazê-lo desde o início. Também estamos em discussões com vários estados do Brasil, discussões muito avançadas em alguns casos, e tivemos conversas muito promissoras aqui na Colômbia com o governo. Alex estará acompanhando.

BNamericas: Você pode dizer quanto será emprestado para o Chile?

Shaw-Barragán: As discussões giram em torno de € 100 milhões, com outros 100 milhões do KfW e combinados com um subsídio da Comissão Européia – se finalmente aprovado – de 17 milhões.

São operações consideráveis. Os investimentos necessários serão grandes e a coisa com o nosso financiamento é que dá um longo prazo de reembolso, o que permite que o governo tenha os fundos iniciais para fazer o investimento e eles têm toda a vida útil do investimento para gerar a receita para pagar o empréstimo.

Staff Varela: Só para complementar, em termos de envolvimento potencial do BEI na região, estamos falando de € 1 a 2 bilhões de euros por ano em financiamento. Como nosso foco principal é o clima, acredito que temos recursos suficientes para apoiar todos os projetos em potencial que virão em nosso caminho em hidrogênio verde, e talvez também tecnologias complementares para apoiar essa transição energética em vários países daqui.

Shaw-Barragán: O financiamento não será um problema. A questão será se as medidas certas estão sendo implementadas, se os investimentos certos estão sendo feitos […] o importante é que façamos as coisas certas desde o início e que os investimentos sejam bons que possam facilitar o setor privado.

Também estamos engajados no financiamento para empresas, empresas locais da América Latina e empresas europeias. Assinamos [por exemplo] um empréstimo com a Enel Chile de US$ 300 milhões em agosto […] para geração de energia renovável, principalmente eólica e solar, mas esta energia também pode ser usada pela Enel em vários de seus projetos termos de produção de hidrogênio verde no Chile. Estamos discutindo com outras empresas para apoiar sua própria nova geração renovável, mas também a aquisição dos eletrolisadores que serão necessários para produzir hidrogênio e depois, dependendo do caso, talvez para a produção de amônia e combustíveis sintéticos.

BNamericas: Então é justo dizer que há muito movimento nos bastidores?

Shaw-Barragán: Há muito interesse e do nosso lado há muita vontade de contribuir para isso. Houve vários projetos-piloto na América Latina. Agora o desafio é a mudança para a produção de hidrogênio verde em escala comercial.

A questão é fazer em termos que sejam competitivos com as fontes alternativas de energia, as sujas. Lá, a escala faz uma grande diferença.

Muitos dos projetos já em discussão, em fase de estudos, são projetos multibilionários em termos de investimento total. O Banco Europeu de Investimento terá todo o prazer em contribuir, mas serão necessários muitos outros. Haverá muito espaço.

Vemos nosso papel como acelerar isso, estar lá desde o início, quando talvez os outros sejam um pouco mais reticentes […] acelerar no início e criar confiança no mercado.

BNamericas: Que tipos de financiamento serão necessários? Dívida, capital privado, non-recourse, de-risking, por exemplo?

Shaw-Barragán: Será um pouco disso tudo. Haverá muita necessidade de financiamento em geral. Mais uma vez, acredito que podemos fazer a diferença em finanças que estão bem adaptadas às diferentes necessidades das empresas em diferentes momentos. Por exemplo, antes de começar a produzir, você precisa comprar os moinhos de vento ou os eletrolisadores. Para isso, você precisa fazer adiantamentos […] e, para tanto, você precisa de alguém que o financie e assuma o risco com você.

O que podemos oferecer é essa capacidade de assumir de risco desde o início, e depois convertê-la em uma operação corporativa ou de project finance mais padrão.

Trata-se de fornecer os instrumentos financeiros necessários às empresas em diferentes momentos.

BNamericas: Vocês podem nos contar sobre algum projeto específico de hidrogênio verde sendo atualmente considerado?

Shaw-Barragán: Não podemos citar nomes específicos até que sejam totalmente aprovados por nossos órgãos de governo, mas posso dizer que, no Chile, eles selecionaram vários grandes projetos, e o governo e estamos discutindo com muitos dos promotores desses projetos.

Staff Varela: É um modelo que estamos vendo em muitos países. Estamos em discussão com o governo para apoiar suas ações e paralelamente já estamos discutindo com a iniciativa privada os investimentos e projetos individuais. A outra coisa em que podemos ajudar é o acesso a fornecedores europeus.

BNamericas: Quais são os maiores obstáculos para a América Latina hoje?

Shaw-Barragán: O potencial [da região] é enorme e o impulso é enorme. Em termos de obstáculos, é importante que esse ímpeto resulte em ações. O hidrogênio verde se tornará um mercado global e aqueles que forem os pioneiros terão uma vantagem. Vemos, neste momento, os passos certos sendo dados em vários países da América Latina, mas é importante que isso continue, e isso exige muito esforço do governo.

Continuar o ritmo acelerado, mas ao mesmo tempo cuidar de envolver a sociedade e garantir que haja formação suficiente, para que as PMEs locais possam participar nesta economia, é um desafio e é importante que isso seja feito de forma adequada […].

Depois, há a questão da certificação. Consideramos que será extremamente importante, porque não adianta produzir esse hidrogênio e não poder certificar que é verde de acordo com uma série de critérios. Não é apenas a fonte de energia […] tem-se cuidado das questões ambientais ao seu redor [por exemplo]?

BNamericas: Uma vez que já existem problemas de congestionamento de rede na região, os governos também deveriam se concentrar na transmissão de energia?

Shaw-Barragán: Sim, mas os governos sabem como fazê-lo. Linhas de transmissão não são mais ciência de foguetes. Trata-se realmente de uma abordagem integrada, fazendo estudos sobre o que é necessário e não duplicando a infraestrutura. Esse planejamento mais amplo em nível de governo será extremamente importante.

BNamericas: Alguma opinião final sobre o hidrogênio verde?

Shaw-Barragán: O hidrogênio verde é o futuro para descarbonizar certas partes do uso de energia, e portanto para o transporte e as indústrias difíceis de reduzir. O que quero dizer é que o hidrogênio verde não é a única tecnologia para o futuro. Precisamos continuar produzindo energia renovável […] e depois há a questão das baterias. É com uma combinação que teremos a abordagem certa.

BNamericas: Além do hidrogênio verde, qual são os focos do banco na região?

Staff Varela: Apoiamos tudo o que envolve clima, tudo o que contribui para combater as mudanças climáticas que já estão acontecendo na região. A adaptação é um elemento-chave da contribuição do BEI. Podemos citar as energias renováveis e a eficiência energética, juntamente com o transporte público, principalmente os sistemas de metrô nas grandes capitais, onde temos participado de quase todos os projetos.

Água e saneamento, em termos de abastecimento de água às comunidades e tratamento de água […] proteção ambiental e reflorestamento. Nós nos esforçamos muito, e às vezes é difícil encontrar projetos nesta área, mas temos seguido algumas pistas no Peru e no Brasil, e esperamos um dia conseguir um projeto nesta área.

Não temos um limite de [financiamento] por país por ano. Trabalhamos por ordem de chegada para os projetos.

Shaw-Barragán: Trata-se realmente de alcançar o maior número de países possível.

Assine a plataforma de inteligência de negócios mais confiável da América Latina. Deixe-nos mostrar nossas soluções para Fornecedores, Empreiteiros, Operadores, Governo, Jurídico, Financeiro e Seguros.

Assine a plataforma de inteligência de negócios mais confiável da América Latina.

Outros projetos em: Energia Elétrica (México)

Tenha informações cruciais sobre milhares de Energia Elétrica projetos na América Latina: em que etapas estão, capex, empresas relacionadas, contatos e mais.

Outras companhias em: Energia Elétrica (México)

Tenha informações cruciais sobre milhares de Energia Elétrica companhias na América Latina: seus projetos, contatos, acionistas, notícias relacionadas e muito mais.

  • Companhia: ICA Fluor, S. de R.L. de C.V.  (ICA Fluor)
  • ICA-Fluor Daniel, S. de RL de CV (ICA Fluor) é uma JV formada em 1993 entre o grupo mexicano de construção de engenharia ICA e a empresa americana de engenharia, aquisição, cons...
  • Companhia: Voltamex
  • A descrição contida neste perfil foi retirada diretamente de uma fonte oficial e não foi editada ou modificada pelos pesquisadores do BNamericas, mas pode ter sido traduzida aut...
  • Companhia: Transformadores INELEM
  • A descrição contida neste perfil foi retirada diretamente de uma fonte oficial e não foi editada ou modificada pelos pesquisadores do BNamericas, mas pode ter sido traduzida aut...
  • Companhia: Delta Electric
  • A descrição contida neste perfil foi retirada diretamente de uma fonte oficial e não foi editada ou modificada pelos pesquisadores do BNamericas, mas pode ter sido traduzida aut...