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Gestão de resíduos da construção civil no Peru: um nicho com espaço para crescer

Bnamericas Publicado: segunda-feira, 21 novembro, 2022
Gestão de resíduos da construção civil no Peru: um nicho com espaço para crescer

As empresas do setor de construção peruano têm procurado adotar padrões ambientais, sociais e de governança (ESG) para reduzir seu impacto ambiental, obter benefícios associados a práticas de construção ecologicamente corretas e se posicionar no mercado como empresas responsáveis.

Isso abre caminho para empreendimentos especializados em melhorar os indicadores de gestão de resíduos e otimizar o uso de energia, entre outros aspectos, para que as construtoras sejam consideradas aliadas estratégicas. Essas melhorias se aplicam a vários itens econômicos, o que gera economias de escala.

A BNamericas conversou com Roger Mori, fundador e gerente técnico da Ciclo, empresa peruana dedicada ao gerenciamento de resíduos da construção civil e à fabricação de materiais nobres reciclados.

BNamericas: Qual é a linha de negócios da Ciclo?

Mori: A Ciclo é uma empresa dedicada à gestão integral de resíduos de construção e demolição e à fabricação de materiais nobres a partir da reciclagem que fazemos em nossas estações de tratamento. A empresa iniciou suas atividades no final de 2019 e tem como objetivo se posicionar como aliada para melhorar os indicadores de sustentabilidade do setor de construção.

BNamericas: Vocês têm uma usina no distrito de Cieneguilla, em Lima. Qual é a capacidade operacional da unidade?

Mori: Em relação ao tratamento de resíduos, a planta tem capacidade para processar cerca de 3 toneladas por hora. Por outro lado, produzimos aproximadamente 3.000 pedras para pavimentação para a construção por dia, atingindo uma produção anual de 500.000 unidades. A gestão de resíduos representa 65% do nosso negócio hoje, mas queremos aumentar a fabricação de materiais.

Temos a meta de ter uma segunda fábrica até 2024. Triplicar ou quadruplicar a produção [de pedras para pavimentação] seria um bom número para atender à demanda que vemos hoje. Pretendemos, no mínimo, dobrar essa quantidade.

BNamericas: Qual tem sido a abordagem para divulgar seus serviços para outras empresas?

Mori: No início estávamos focados apenas em construtoras, mas agora temos clientes de todos os tipos, principalmente empreiteiras. Quase todos eles atendem a dois critérios: estão tentando cumprir os regulamentos existentes e têm altos padrões ESG. Isso favorece modelos de negócios como o da Ciclo e nos posiciona como aliados.

Com quase o mesmo custo de uma solução convencional, agregamos o valor de melhorar os indicadores ESG das empresas, uma vez que estamos autorizados a emitir certificados da percentagem reutilizada dos resíduos. Somos uma empresa cadastrada no Ministério do Meio Ambiente e habilitada para realizar as atividades de coleta, transporte e destinação final de materiais.

BNamericas: Com quem vocês já trabalharam?

Mori: Trabalhamos com o Grupo Cobra, empreiteira da Enel Perú, para a qual gerenciamentos quase 2.000 m³ de resíduos de construção e a taxa de conversão ultrapassou 70%. Também desenvolvemos projetos na planta da Aceros Arequipa de Pisco e realizamos trabalhos para a Peru LNG, consórcio que processa o gás de Camisea em Pampa Melchorita, ao sul de Lima.

No que diz respeito à unidade de pedras para pavimentação, trabalhámos com a Besco, uma empresa imobiliária focada no desenvolvimento de habitação social e sustentável. Nessa categoria, é preciso atingir certos indicadores e usar certos materiais para obter as certificações correspondentes. É aí que temos uma oportunidade.

BNamericas: Como vocês vão encerrar 2022?

Mori: Vamos fechar um pouco melhor do que em 2021. Muitos projetos estão lentos em termos de operação e vimos um pouco de contração e repercussões da inflação. Estamos buscando financiamento para ampliar a capacidade operacional e melhorar o produto final. Estávamos conversando com um fundo de investimento, mas os acordos ficaram em espera devido à conjuntura econômica.

Embora o fechamento não seja o esperado inicialmente, encerramos o ano com um leque maior de clientes – cerca de 50 – e mais consolidados.

BNamericas: E as perspectivas para 2023, já que a desaceleração econômica deve continuar?

Mori: Vemos 2023 com otimismo. Temos um projeto com uma transnacional que vai nos dar um forte impulso nas duas linhas de negócios. É um contrato mínimo de um ano, renovável, e nos dará um bom faturamento.

Temos um acordo com outra empresa para a qual vamos administrar os resíduos e desenvolvemos um agregado especial para seus materiais de produção.

Embora a situação econômica seja difícil, a tendência do mercado por soluções sustentáveis nos favorece em termos de interesse e necessidade. Esperamos dobrar nosso faturamento em 2023 e iniciar o projeto da nova fábrica em 2024.

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