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‘Nós estamos fomentando o ecossistema para redes privadas na América Latina’, afirma diretor da IBM

Bnamericas Publicado: quinta-feira, 17 novembro, 2022
‘Nós estamos fomentando o ecossistema para redes privadas na América Latina’, afirma diretor da IBM

Com 61 datacenters globais, incluindo quatro na América Latina, e uma rede secundária de comunicação, processamento e armazenamento de dados em expansão, a IBM se posicionou como um importante provedor de infraestrutura para datacenter de borda e ecossistema de rede sem fio privada.

Antecipando as possibilidades de alta capacidade e baixa latência esperadas das redes 5G, várias dezenas de projetos de redes privadas estão em andamento em diferentes indústrias e setores da região. Muitos outros devem ser anunciados nos próximos meses por operadoras, fornecedores e integradores de redes e sistemas.

Nesta entrevista, Thiago Viola, diretor de nuvem da IBM Latin America, fala sobre a estratégia go-to-market da empresa neste campo e no ecossistema de redes privadas, sobre a expansão da infraestrutura de dados local e as perspectivas para o 5G industrial.

BNamericas: Como a IBM está desenvolvendo o ecossistema de redes privadas na América Latina?

Viola: Temos trabalhado em três frentes. A IBM atuando diretamente nesses projetos, em parceria com as telcos e em parceria com as telcos e com parceiros.

Nossa visão, no âmbito do 5G, é a de que quanto mais conseguirmos “granularizar”, chegar às pontas, melhor. O 5G vem para transbordar tudo o que a gente tem de conectividade, de dados, e quanto mais na ponta estivermos, mais eficazes seremos.

Como temos atuado? Basicamente com a nossa infraestrutura de dados. Temos uma presença hoje no Brasil, com uma região de cloud composta de três datacenters. Esses três datacenters se conectam entre si e também, por outras rotas, entre diversas regiões no país, para atingir diversos estados.

A ideia é que o cliente tenha um centro de dados para poder processar as informações, mas que não fique carente em qualquer região em que esteja. E com isso possa acelerar seus processos, consultar as informações, armazenar um dado. Isto favorece diversas indústria: saúde, agro, auto. 

Todas podem consumir e utilizar os serviços independentemente do local. O objetivo é criar esse ecossistema entre IBM, telcos e parceiros para que todos possam se favorecer do negócio independentemente. Nós estamos fomentando o ecossistema para redes privadas na América Latina.

BNamericas: A IBM também opera um datacenter no México, atualmente em expansão.

Viola: Nossa região no México tem um datacenter e um PoP [point of presence], uma zona de comunicação entre as redes.

No Brasil, são três sites, todos em São Paulo. Em Jundiaí, Vinhedo e Alphaville. Além disso, possuímos mais dois PoPs para troca de comunicação, os dois também em São Paulo.

BNamericas: A IBM também está expandindo essa infraestrutura por outros países da América Latina. Como está esse processo?

Viola: A IBM tem hoje, ao redor do mundo, 61 datacenters, com presença na Europa, Américas e China. Em todos os lugares. A ideia da IBM é expandir esse tipo de comunicação para outros locais. 

A nossa proposta é hybrid cloud com inteligência artificial. Temos uma solução chamada IBM hybrid cloud satellite, que coloca na mão de uma operadora, de uma empresa ou de um parceiro a possibilidade de que ele seja uma cloud privada da IBM. 

Através dessa solução, o cliente “tem” a nuvem da IBM dentro de suas premises. Consegue consumir os serviços, criar novos modelos de negócios, acessar os serviços de 5G, IoT, analytics etc. e tornar-se uma extensão da nuvem da IBM. Em qualquer região que ele estiver.

Por isso, a gente não pretende necessariamente lançar datacenters em novos mercados, mas sim granularizar isto com essas estruturas secundárias.

BNamericas: Mas há questões de latência e redundância [para os dados], não? Por isso os datacenters principais.

Viola: Em questão de conectividade, através de PoPs, sim, temos isso mapeado para a América Latina. Porque aí conseguimos aproximar do cliente para reduzir latência ou, por uma questão de compliance do cliente, ter os dados dentro daquele país. 

Ao invés de ficarmos lançando datacenters por todos os lados, queremos nos apoiar mais neste ecossistema.

BNamericas: Em relação às redes privadas, na visão tradicional de conectividade sem fio dedicada em uma mina, por exemplo, onde a IBM entra?

Viola: No back-end. A rede em si fica entre operadora, fornecedoras de equipamento e integradora, e nós participamos desse processo no back-end, com a sustentação do projeto para a entrega de novas tecnologias que serão viabilizadas pela redes. 

Quando você olha os modelos de negócios a partir das redes privadas, as aplicações que o cliente irá desenvolver e suportar, o nosso back-end pode suportar.

BNamericas: Pode dar um exemplo? Vocês já têm contratos fechados envolvendo redes privadas?

Viola: Nesta parceria, a IBM entra com todo o back-end de tecnologia. Com uma plataforma, que é da Red Hat [subsidiária de Open source e hybrid cloud da IBM], com orquestração, controle de rede, estabilidade, performance, latência. 

A Logicalis entra com toda a bagagem de relacionamento e com o Layer 2, digamos assim, da comunicação. E depois vem a terceira fase, que são os clientes. Com essa parceria com a Logicalis visamos a entregar um pacote pronto. 

É deste modo principalmente que temos feito entregas no mercado. No Brasil, na América Latina.

BNamericas: Vocês já possuem contratos de fato?

Viola: Estas são informações mais estratégicas. Temos iniciativas ongoing, sendo executadas, mas não para serem comunicadas.

BNamericas: Em quais mercados?

Viola: O Brasil, claro, desponta nesses projetos. 

Vejo a Colômbia hoje, por exemplo, como um país que vem consumindo muita tecnologia e se preocupado com as interfaces que tem que ser criadas para poder expandir o 5G.

O Uruguai, ainda que pequeno, é outro país que tem uma capacidade de tecnologia e entrega, justamente pela capilaridade muito alta que possuem.

O Chile eu vejo com muito potencial, talvez num layer ainda mais intermediário de conhecimento. De buscar informação para criar os modelos de negócios.

No restante dos países, Argentina, Paraguai, Equador… as conversas ainda são incipientes.

BNamericas: E o México, que já possui redes 5G, vai fazer leilão de espectro, tem grande parque industrial e também é um lugar onde vocês têm datacenters?

Viola: O México eu também vejo com potencial, mas ainda num layer também secundário. Estamos buscando fomentar este ecossistema lá. É uma questão de maturidade do mercado.

Quando falamos em cloud, em consumo de workloads, o México já está em um processo avançado. Mas a maturidade do ecossistema de transformação digital dessas aplicações ainda tende a acelerar e a evoluir.

BNamericas: Ainda que redes privadas e edge não sejam formatos exclusivos do 5G, a nova tecnologia móvel é vista como o grande catalisador desses modelos em cujo ecossistema vocês apostam. Neste sentido, como vocês esperam o crescimento das redes na região?

Viola: De fato, o 5G é impulsionador de diversos modelos de negócios. O que temos feito, como disse, é preparar todo o back-end para suportar tudo o que vai ser desenvolvido em cima do 5G, e por isso o crescimento e o desenvolvimento destas redes na região é fundamental.

Temos soluções específicas para telco, como a IBM Cloud for Telco, para suportar todas as bilhões de conexões de tráfego de 5G, de IoT, que virão. Há também a parceria com a Logicalis, que mencionei. E toda a conectividade que a IBM tem feito e expandido no Brasil, no México, na América Latina como um todo, para se cercar de todas as entradas e saídas [de redes].

Acreditamos, com base em pesquisas e na visão de mercado, que há um crescimento forte vindo em consumo, redes e evolução de mercado do 5G. E o momento, com isso, passa a ser o de colocar em prática tudo o que se antevê com a tecnologia. Está na hora de começar a aterrissar e sair com os projetos de fato. E acredito que este é o próximo passo.

O B2B é um catalisador para conseguirmos estabelecer o que será usado e como será usado em termos de 5G, para então o B2C ser beneficiado por todos esses modelos que serão criados.

BNamericas: Finalmente, quais as perspectivas para os negócios de cloud em 2023, considerando demandas de mercado, mas também o ambiente macroeconômico e político?

Viola: Há diversos aspectos macroeconômicos e políticos em questão, mas a IBM tem 105 anos de Brasil e uma longa trajetória na América Latina. Sempre investimos em pessoas, tecnologias e estruturas, independentemente do governo, e assim continuaremos.

O que eu vejo especificamente para cloud é uma nova fase. Em 2023 vamos entrar em uma zona de maturidade, não somente de cloud, mas dos serviços correlacionados a ela. Este mercado cresce 30% ou 40% ano a ano, como as pesquisas mostram. E isto deve continuar, agora e nos próximos, com uma maior efetividade dos clientes na execução de workloads, migração e desenvolvimento de novas aplicações. A América Latina está em entrando em uma nova fase de cloud.



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