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‘O Chile não exporta só minério, mas também know-how’

Bnamericas Publicado: quarta-feira, 21 setembro, 2022
‘O Chile não exporta só minério, mas também know-how’

Criada em 2016, a Fundación Minera de Chile contribuiu para difundir o conhecimento da indústria de mineração e promover a transição energética, além de melhorar constantemente o setor para gerar recursos para responder às demandas sociais e incentivar o desenvolvimento.

Fundações semelhantes foram estabelecidas ou estão em processo de criação em outros países da região.

A BNamericas conversa com o presidente da entidade, Francisco Javier Lecaros, sobre a importância social do setor e os desafios regulatórios e tributários, entre outros assuntos.

BNamericas: O que você achou das disposições sobre mineração da proposta constitucional do Chile rejeitada no plebiscito de 4 de setembro?

Lecaros: Elas não eram apropriadas para o futuro do país. Vários setores econômicos, como pesca, silvicultura, mineração e agricultura, foram deixados na incerteza ao estabelecer direitos de água ou concessões de mineração como simples direitos administrativos. Além disso, ameaçavam a estabilidade dos investimentos em mineração.

BNamericas: O que espera do novo processo constitucional? Como a mineração deve ser abordada nos próximos debates?

Lecaros: O debate está agora no Congresso, mas deveria haver uma nova consulta com os cidadãos. Pessoalmente, acredito que as normas positivas que foram estabelecidas na proposta constitucional deveriam ser analisadas no Congresso por meio de um amplo debate entre os partidos.

Será necessário avaliar quais serão os custos de voltar a discutir um texto constitucional e informar aos cidadãos para que eles tenham clareza na hora de decidir se querem uma nova Constituinte ou se preferem que as reformas [à atual Constituição] sejam feitas no Parlamento.

BNamericas: Qual é a sua opinião sobre a proposta de royalties da mineração que faz parte da reforma tributária do atual governo?

Lecaros: Os investimentos e o crescimento econômico da mineração podem gerar mais recursos para o Estado do que um aumento de alíquota nas condições atuais. O Chile não pode perder competitividade em relação a países em que há um tributo de comparação, como Peru, Canadá, Austrália ou Estados Unidos.

O setor de mineração está aberto a uma carga tributária maior, mas sem perder competitividade, porque o verdadeiro patrimônio do país deve ser uma mineração virtuosa e sustentável, capaz de enfrentar as mudanças climáticas e desenvolver a eletromobilidade e as energias verdes.

BNamericas: Como você vê o panorama nacional do investimento em mineração?

Lecaros: Temos cerca de US$ 69 bilhões em projetos. O Chile é o primeiro fornecedor global de cobre, mas devemos aumentar a produção devido ao crescimento da demanda por efeito da eletromobilidade e das energias verdes.

Precisamos explorar mais opções de cobalto, por exemplo, que é outro elemento essencial para a eletromobilidade. No lítio temos um longo caminho a percorrer, porque a Austrália é o maior produtor mundial, mas tem menos reservas que o Chile. No caso do titânio, devido à guerra da Rússia com a Ucrânia, o abastecimento foi cortado em nível global. O Chile tem depósitos que poderiam abastecer a indústria aeronáutica ou médica. Temos de aumentar a produção e desenvolver novos projetos de maneira sustentável.

Minha preocupação é que projetos como Los Bronces, da Anglo American, e El Soldado estejam sendo rejeitados pelas autoridades políticas, apesar de atenderem às condições ambientais da autoridade técnica. É preciso remover a política das decisões técnicas. Isso atrasa projetos e investimentos, em um mundo que exige tantos minérios.

BNamericas: Embora a mineração no Chile use pouca água continental, o setor investiu em tecnologias de dessalinização para atender às mais altas demandas ambientais.

Lecaros: O setor liderou os investimentos relacionados à dessalinização no Chile. Um dos elementos-chave para a sustentabilidade é a redução da pegada hídrica. Hoje, 80% da água utilizada na mineração de grande porte é reaproveitada. Espero que o Estado promova a criação de usinas de dessalinização multipropósito para abastecer os setores agrícola, residencial e industrial, além de cumprir os decretos de escassez hídrica estabelecidos pelo Ministério das Obras Públicas.

A mineração também se comprometeu a avançar com as energias renováveis. Estou convencido de que a mineração de grande porte será um dos primeiros setores produtivos a atingir a meta de ser neutra em carbono.

BNamericas: Como você vê o plano traçado para a indústria chilena de lítio, baseado na criação de uma empresa nacional e uma parceria público-privada?

Lecaros: O Chile tem condições tecnológicas e conhecimento para aumentar a produção de lítio. No entanto, estamos presos no debate sobre sua nova institucionalidade. Somos grandes produtores de rênio e molibdênio, e não é por isso que criamos uma empresa nacional de rênio ou molibdênio.

A Codelco tem ativos e pode ampliar sua capacidade de atuação em relação ao lítio. A Empresa Nacional de Mineração (Enami) também pode participar. O importante é desenvolver uma mineração sustentável para gerar valor para o país e atender às necessidades sociais.

BNamericas: Que iniciativas globais podem ser benéficas para a mineração chilena?

Lecaros: A certificação de cobre verde concedida pela Copper Mark. Cada vez mais empresas estão aderindo a essa forma de trabalho. Empresas como Volvo e Volkswagen anunciaram que, em 2030, fabricarão apenas carros elétricos. Portanto, o Chile precisa deixar sua produção de cátodo e concentrados mais sustentável para atender os demandantes com padrões ambientais mais elevados.

BNamericas: Quais são os projetos da Fundación Minera de Chile para o setor?

Lecaros: O Chile não exporta só minério, mas também know-how, capital humano e institucionalidade. A fundação vem fazendo um ótimo trabalho na transferência de conhecimento e na promoção do capital humano.

Fundações semelhantes à nossa estão sendo criadas em outros países com o objetivo de abordar a realidade local do setor e ser a voz da mineração latino-americana. Já estão em funcionamento fundações semelhantes no Equador e na Argentina. No Peru e na Colômbia, as entidades estão sendo criadas.

Conversamos com o BID e com a Organização dos Estados Americanos, porque o desenvolvimento da mineração significará a entrega dos recursos necessários para satisfazer as demandas sociais dos países e seus povos.

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