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Reforma da eletricidade no Brasil pode ‘desencadear uma revolução’

Bnamericas Publicado: terça-feira, 06 dezembro, 2022
Reforma da eletricidade no Brasil pode ‘desencadear uma revolução’

O financiamento de projetos no Brasil provavelmente florescerá no próximo ano, à medida que os ganhadores das concessões realizadas nos últimos anos buscarem recursos.

Embora a energia elétrica continue sendo o principal setor em termos de operação, a infraestrutura – principalmente os segmentos de rodovias e água e saneamento – está ganhando força.

Em 2023, os olhos dos investidores também estarão voltados para as mudanças regulatórias previstas com um novo Congresso – a mais aguardada delas é a abertura do mercado livre de energia.

Marcelo Girão, head de project finance do Itaú BBA, braço de investimentos do gigante bancário brasileiro Itaú Unibanco, conversou com a BNamericas sobre as principais expectativas para o próximo ano.

BNamericas: Como foi o desempenho da área de project finance do Itaú em 2022?

Girão: Temos sempre que lembrar que a natureza do negócio de project finance envolve operações de longo prazo, ou seja, as operações de financiamento que foram concluídas em 2022 referem-se a projetos gerados em anos anteriores.

No geral, o ano foi positivo, com os setores de geração e transmissão de energia, devido à robusta regulação, sendo os segmentos de maior destaque.

O que temos visto, uma tendência confirmada ao longo de 2022, é que, dentro do setor de infraestrutura, a vantagem relativa do setor elétrico em relação às operações de project finance vem diminuindo. Eu diria que saneamento e rodovias ganharam importância, embora aeroportos, portos e ferrovias também tenham sido relevantes.

Especificamente em rodovias e saneamento, atuamos tanto como financiador de projetos quanto como assessor em leilões e operações.

BNamericas: Quais são as expectativas para o cenário em 2023?

Girão: Ainda é provável que tenhamos até o fim deste ano o leilão para a privatização da Corsan. Além disso, o portfólio para 2023 é interessante, uma vez que os projetos rodoviários já leiloados, assim como os projetos de saneamento, tendem a começar a fechar seus respectivos financiamentos a partir do próximo ano.

Entre os projetos já contratados estão os investimentos na rodovia Dutra, assumidos pela CCR, os contratos vencidos pela Ecorodovias e também os investimentos da Aegea na área de saneamento no Rio de Janeiro.

Em paralelo aos setores que já mencionem, as operações de project finance também tenderão a ganhar importância para o setor de telecomunicações e todos os projetos relacionados com datacenters, torres e fibra ótica. O volume de capex desses projetos não é tão grande quanto em outras áreas, mas o número de operações é relevante.

BNamericas: O ano de 2023 começará com um novo presidente. Quais são os possíveis impactos para o setor de infraestrutura?

Girão: A infraestrutura no Brasil ainda tem um déficit de investimento tão grande que, não importa quem estiver no governo, os investimentos no setor tendem a ser uma prioridade.

Nossa expectativa é que os investimentos em infraestrutura continuem aquecidos com a agenda de concessões. Sim, como todo ano de transição de governo, pode haver uma reavaliação de alguns pontos específicos, mas a necessidade de investimento é tão grande que a agenda tende a continuar.

Para 2023, temos grandes expectativas de operações de project finance para leilões de transmissão de energia e também para leilões de concessão de rodovias estaduais e federais. Com os leilões acontecendo e já apontando para a geração de novas operações de project finance para os próximos anos.

O orçamento público é relativamente limitado para preencher essa lacuna de infraestrutura, então o governo tende a maximizar o uso do orçamento público estruturando projetos que atraiam capital privado para sua viabilização.

BNamericas: O setor de óleo e gás, em especial o segmento de FPSOs, é relevante para alguns bancos. Quais são as perspectivas para esse segmento, uma vez que um novo governo pode mudar algumas políticas de construção de FPSOs e favorecer a produção local?

Girão: No setor de óleo e gás, temos tido pouca atuação no financiamento de embarcações. Alguns desses projetos são financiados em moeda estrangeira e, como nosso financiamento é em moeda local, somos menos competitivos nessa modalidade.

Dito isso, nosso foco no setor é mais no upstream, onde avaliamos operações de financiamento para empresas independentes de óleo e gás. Mas todas as operações desse segmento são vistas com muita atenção da nossa parte, por conta de todas as obrigações de redução de emissões de gases de efeito estufa que temos nas operações em que participamos.

BNamericas: Falando sobre a agenda regulatória para o ano que vem, quais são os pontos que vocês vão acompanhar mais de perto?

Girão: Estamos atentos à reforma do setor elétrico, que já vem sendo discutida há algum tempo e me parece estar em um estágio maduro para votação [no Congresso]. Essa reforma, se acontecer, provavelmente desencadeará uma revolução no setor elétrico.

Hoje o setor está focado em leilões de contratos de longo prazo, e muitos dos projetos financiados são lastreados nesses contratos.

Agora o que está em discussão é a abertura desse mercado para que o consumidor de varejo também possa optar por comprar energia no mercado livre. Isso será transformador para a dinâmica do setor.

Já vemos uma migração de investimento do mercado regulado para o mercado livre. Com mais abertura nesse setor, haverá uma movimentação ainda maior.

Do lado do saneamento, também devemos ter algumas melhorias na regulamentação.

BNamericas: Como os juros elevados afetam as estratégias de financiamento das empresas hoje?

Girão: O custo de capital é muito importante em relação ao retorno dos projetos, mas há outro aspecto que é importante mencionar.

Para as empresas de infraestrutura, as receitas e a geração de caixa são indexadas à variação da inflação, de modo que o custo financeiro dessas empresas não está no nível das taxas de juros nominais, mas sim das taxas de juros reais.

Então podemos dizer que o aumento de juros das empresas nos últimos anos não foi de 2% para 13,75%, que é o quanto a Selic subiu, mas eu diria que foi um aumento entre 150 e 300 pontos base.

Dito isso, as empresas estão ansiosas para acompanhar a trajetória fiscal do novo governo, e a tendência é que os juros comecem a cair a partir do segundo semestre de 2023. Mas, mesmo com juros altos, sempre há financiamento e investimento pronto para ser feito em bons projetos.

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