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Bons tempos para as fintechs da América Latina atraírem capital, dizem especialistas

Bnamericas Publicado: sexta-feira, 18 março, 2022
Bons tempos para as fintechs da América Latina atraírem capital, dizem especialistas

A pandemia deu um impulso ao ecossistema de fintechs da América Latina, à medida que as empresas lutavam para se transformar digitalmente e os consumidores buscavam maneiras de realizar transações de forma remota. Apoiar o crescimento foi o tipo de operação que os fundos de capital de risco dos EUA procuraram para aplicar dinheiro.

O mercado de fintechs da América Latina tem muito potencial, pois a região abriga legiões de consumidores com pouco acesso ao sistema bancário, porém que dispõem de smartphones.

Para discutir isso e muito mais, a BNamericas conversou via e-mail com acadêmicos e autores latino-americanos Bernardo Bátiz-Lazo e Ignacio Gónzalez-Correa.

Bátiz-Lazo e Gónzalez-Correa estão atualmente explorando as implicações organizacionais e de gênero das startups de fintech na América Latina. Esta pesquisa será publicada pela Routledge no final do ano.

BNamericas: Em termos gerais, o ecossistema de fintechs na região cresceu ou se contraiu desde a pandemia? Em outras palavras, como a indústria evoluiu nesse período?

Bátiz-Lazo: Sem dúvida, a pandemia está associada a efeitos opostos e o resultado líquido ainda não é claramente conhecido.

Por um lado, o ecossistema aumentou enormemente. Lockdowns obrigatórios e medo de contágio alimentaram a necessidade de mais soluções financeiras digitais. O sucesso das fintechs [existentes] fez com que essas novas empresas crescessem rapidamente.

Além disso, os governos latino-americanos que não se posicionaram sobre o setor de fintechs tiveram que fazê-lo. Um caso de destaque é a adoção em 2021 do bitcoin como moeda legal em El Salvador e, mais recentemente, o influente senador democrata norte-americano Ron Wyden alertou seus colegas sobre a possível regulamentação excessiva das criptomoedas.

Em outros lugares, muitos países da região agora têm associações [da indústria de fintech] com as quais adquiriram maior formalidade e poder de negociação com entidades governamentais.

Por outro lado, embora grandes empresas, como a mexicana Bitso, tenham ultrapassado a marca de US$ 1 bilhão em captações e o brasileiro Nubank tenha estreado na Bolsa de Valores de Nova York, em geral, as captações têm sido escassas e os dados preliminares sugerem que o ritmo do novo empreendedorismo parou. Enquanto isso, o FMI em janeiro deste ano pediu ao governo salvadorenho que abandonasse o bitcoin.

BNamericas: Na América Latina, quais segmentos estão apresentando os maiores níveis de crescimento?

Gónzalez-Correa: De acordo com o BID – em um estudo de 2018 – o setor mais importante na América Latina são os pagamentos, incluindo as remessas internacionais, que representam 24% das fintechs. Isto é razoável e coincide com a tendência mundial, pois os pagamentos estão entre os setores bancários menos regulados. Por exemplo, não é necessário capital mínimo para participar.

Em segundo lugar estão as empresas dedicadas a empréstimos (18%), seguidas pelas empresas de administração financeira corporativa (16%) e de administração financeira pessoal (8%). Estes setores continuam sendo os mais dinâmicos.

Entre os setores menores está a área de identidade, fraude e score (4%). No entanto, este setor é um dos que apresenta maior taxa de crescimento, provavelmente devido à baixa base inicial, mas também devido ao aumento da demanda por esses serviços à medida que o restante dos serviços de fintech cresce.

BNamericas: Existem segmentos ou nichos emergentes?

Bátiz-Lazo: Cibersegurança – identidade e fraude – é um segmento emergente. Além disso, existem outros setores que ainda não se expandiram tanto quanto os outros, incluindo seguros […] ou regulação – regtech. Isto também se reflete no crescimento do financiamento da indústria de fintech. Por exemplo, o YCombinator, em seu lote de 2022, está dando suporte a uma regtech argentina, a Celeri.

Por outro lado, um setor emergente na Europa que pode ter muito sucesso na América Latina é o chamado cashtech, onde especialistas buscam maneiras de preencher a lacuna entre a economia digital e a economia monetária. Nesse sentido, já existe um programa piloto de uma empresa suíça de cashtech no México.

BNamericas: Em relação ao financiamento na região, qual é a situação atual? Por exemplo, que tendências você está vendo em relação ao tipo (patrimônio/dívida) de financiamento concedido? E de onde vêm esses fundos?

Gónzalez-Correa: Em geral, a atividade empresarial na América Latina está intimamente ligada aos grupos empresariais e às empresas familiares. No entanto, a indústria de fintech tende a ter uma capitalização baseada em financiamento externo com capital de risco. Isso é algo que afeta negativamente as mulheres empreendedoras, como mostramos em nossa pesquisa.

Ao nível da indústria, estes são bons tempos para atrair capital. A organização sem fins lucrativos LAVCA [Associação para o Investimento de Capital Privado na América Latina] demonstra o crescente interesse em financiar empresas de fintech na região. Por exemplo, segundo a LAVCA, em 2021 foram investidos cerca de US$ 29 bilhões, sendo mais da metade, 54%, capital de risco. Entre as empresas que eles financiaram aparecem várias fintechs como a Bitso, que se tornou um “unicórnio”, Konfio, Ualá e outras empresas de destaque como Rappi e NotCo. Esses números são notáveis em comparação com os US$ 9,1 bilhões investidos em 2018, US$ 15,6 bilhões em 2019 e US$ 16,8 bilhões em 2020.

Outro aspecto importante é o interesse de conhecidos programas de aceleração para empresas jovens. Um caso notável é o apoio do YCombinator na América Latina, um dos mais importantes programas de aceleração do Vale do Silício. A entrada de investidores importantes como a Sequoia – conhecida por financiar o Airbnb – para capitalizar e amadurecer a indústria de fintech vem sendo observada.

Em 2022, algumas das fintechs apoiadas pelo YCombinator são [o aplicativo de supermercado] Frubana, [o aplicativo de investimentos] Fintual, [a plataforma API de open banking] Belvo, [a plataforma de software como serviço] Digiventures, [o aplicativo de pagamentos] Fondeadora, a já citada Celeri, [as soluções de pagamentos] Wibond e Mono, [o aplicativo de compra de imóveis] Vencidario e [o aplicativo de entrega de última milha] Rappi, entre outros.

BNamericas: Existe muito interesse das fintechs europeias em entrar na América Latina?

Bátiz-Lazo: Embora tenhamos observado uma maior diversificação geográfica por fintechs da mesma região, como Global66, Mercado Pago ou Nubank, temos visto pouco apetite pelo mercado fintech latino-americano de países industrializados ou asiáticos.

BNamericas: E relacionado a isso, existe uma estratégia comum de como entrar na região (M&A ou greenfield)?

Gónzalez-Correa: A maioria parece ser greenfield com poucas aquisições ou brownfield. A que isto se deve? Embora não haja consenso sobre o que realmente define uma fintech, para nós é essencial ter um novo modelo de negócio. Portanto, a aquisição de outras empresas envolve a mudança do modelo de negócios da adquirente, sendo oneroso, em termos de recursos e tempo. É por isso que a aquisição de fintechs pelos bancos também está desacelerando um pouco – há um embate organizacional onde o banco acaba dominando.

Além disso, a parte tecnológica busca conseguir ganhos de escala, ou seja, continuar com o crescimento da plataforma tecnológica. Portanto, há pouco [a ser ganho] por uma aquisição – além das dores de crescimento! Mas, novamente, depende do setor de fintech em questão se uma estratégia de crescimento internacional por meio de aquisições faz sentido ou não.

BNamericas: E, finalmente, o que vocês preveem para 2022 quanto a indústria de fintech na região, em termos de tendências?

Bátiz-Lazo: O ano de 2021 foi especialmente bom para a região, pois o número de empresas, clientes e atração de capital – para empresas maiores – manteve a tendência de alta dos últimos anos. Menção especial para o Nubank, que conseguiu ser listado na Bolsa de Valores de Nova York. Portanto, espera-se que novas fintechs latino-americanas adquiram a categoria de “unicórnios”, se não em 2022, nos próximos anos, e continuem sua expansão.

O grande desafio das fintechs é encontrar clientes e, sobretudo, clientes de qualidade, como é o caso de mercados competitivos como pagamentos, empréstimos pessoais ou remessas, enquanto o grande desafio de toda a região é aumentar a inclusão financeira. Prova disso, e ao contrário de vários países industrializados, é que durante a pandemia cresceu o número de caixas eletrônicos, agências bancárias e uso de dinheiro. Ainda há um longo caminho a se percorrer na região.

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