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O que fazer com o programa de águas profundas paralisado no México?

Bnamericas Publicado: quarta-feira, 29 junho, 2022
O que fazer com o programa de águas profundas paralisado no México?

As aspirações do México para águas profundas na Área Perdido, no Golfo do México, ainda podem ser realizadas com uma nova infraestrutura de midstream, de acordo com o autor de um novo relatório.

O consultor de energia de Houston e editor do boletim Mexico Energy Intelligence (MEI), George Baker, diz à BNamericas que há pelo menos três opções para que a produção paralisada na Área Perdido finalmente entre em operação.

“Para as empresas que detêm licenças nessa área, a saber, BHP, Chevron, CNOOC, Shell e Pemex, a melhor solução ‘farm-to-market’ – ou midstream – seria um duto de exportação para ‘se conectar’ […]  ao polo Great White, que fica a cerca de 70 milhas de distância, no lado dos EUA”, disse Baker à BNamericas.

Baker refere-se a Great White, um dos três campos com Tobago e Silvertip na Área Perdido, que entra no lado norte da divisão entre as águas dos EUA e do México.

“O enigma enfrentado pela empresa de dutos seria o diâmetro e a capacidade de vazão da linha”, acrescentou. “Quanto maior o volume prospectivo, maior o duto.”

Segundo Baker, uma questão semelhante se aplica ao que ele chama de “Plano B, que seria um oleoduto mais longo até um terminal na costa de Tamaulipas”.

Uma terceira opção, disse ele, envolve um FPSO que poderia levar a produção de petróleo ao mercado sem um oleoduto. “Ouvi dizer que esta solução está sendo avaliada”, acrescenta.

Baker elaborou as sugestões após uma análise da Área Perdido compilada em um relatório especial do MEI, com destaques disponíveis aqui.

A S&P Global detalha a propriedade do bloco na Área Perdido e a divisão entre as águas dos EUA e do México da seguinte forma:

HISTÓRICO

Em relação ao potencial de Perdido, o relatório cita um resumo de 68 páginas sobre o desenvolvimento da área compilado pelo regulador de hidrocarbonetos CNH em maio de 2012, que a divide em duas seções.

São elas: o Cinturão de Dobra Perdido, que tem recursos prospectivos de 8,86 Bboe (bilhões de barris de óleo equivalente) e o Cinturão do Subsal, com estimativa de 8,44 Bboe.

Embora o plano tenha sido aprovado, ficou claro na época que a Pemex não conseguiria passar para o próximo estágio de desenvolvimento do campo, dado seu conhecimento técnico limitado e a força de trabalho sem experiência no desenvolvimento em águas profundas.

As reformas energéticas de 2013-2014 tentaram resolver o problema envolvendo players privados com esquemas de parceria de capital, embora as operações de farm-out completas nunca tenham sido aprovadas.

RODADAS DE ENERGIA

Entre 2015 e 2018, o governo ofereceu 13 blocos na bacia de Perdido para empreiteiras em uma estrutura de royalties por barril estabelecida nas reformas energéticas.

O país leiloou 51% da área em parcerias de capital com empresas privadas nas rodadas 1.4 e 2.4, e os 23% restantes continuaram sem transferência, nas mãos do Estado.

POSIÇÃO ATUAL

Hoje, 22% da Área Perdido foram atribuídos à petroleira estatal Pemex e outros 40% pertencem à Pemex por meio de um contrato de prestação de serviços com a BHP Billiton no bloco Trión.

A imagem a seguir, do relatório do MEI, detalha a evolução do licenciamento em Perdido.

A BHP ainda não colocou o bloco em produção. No entanto, a empresa informou que, em 5 de agosto de 2021, destinou US$ 258 milhões para concluir a fase FEED, em que o projeto ainda se encontra.

Conforme observado no banco de dados de projetos da BNamericas, o CEO da Pemex, Octavio Romero, reuniu-se com a presidente da BHP Petroleum, Geraldine Slattery, em fevereiro de 2022, para revisar o progresso e o escopo do projeto no qual as empresas são parceiras e definir o que vem a seguir para Trión.

A Pemex não revelou detalhes das negociações, mas o presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador (AMLO) afirmou em várias ocasiões no ano passado que gostaria de ver progressos na área de águas profundas.

OUTROS OBSTÁCULOS

Baker, em seus comentários à BNamericas, sugeriu que outros fatores também estão travando a produção em Perdido, principalmente ligados à própria Pemex, além da ideologia política de AMLO.

Ao assumir o cargo, em dezembro de 2018, o presidente cancelou imediatamente as rodadas de petróleo planejadas e interrompeu as rodadas futuras de petróleo até pelo menos 2023.

A administração não fez nenhuma menção ao reinício das rodadas e, considerando as críticas de AMLO aos contratos de partilha de produção existentes, parece improvável que isso ocorra antes que seu mandato termine, em outubro de 2024.

“AMLO descreve os contratos com petroleiras privadas como licenças para roubar o que é – de novo – ‘propriedade’ dos mexicanos”, disse Baker à BNamericas, “A palavra certa seria gestão”.

Baseado na filosofia que viu o México expropriar os ativos de petrolíferas estrangeiras em 1938, ele afirmou: “A ideia de que ‘os mexicanos são donos do petróleo’ está tão enraizada na opinião pública que nada, ao que parece, poderia corrigi-la”.

Além disso, segundo Baker, os erros cometidos pelo governo mexicano durante a execução das rodadas de petróleo geraram um incentivo insuficiente para a BHP intensificar a produção.

A Secretaria da Fazenda do México “estava profundamente equivocada” em 2015 quando propôs que os royalties nos contratos de partilha de produção fossem uma variável passível de ofertas para determinar como os blocos seriam concedidos.

Ele cita como exemplo o episódio em que “os licitantes na Rodada 1.1 fizeram ofertas escandalosas de até 80%”, em comparação com royalties nas rodadas dos EUA, muitas vezes fixados em 12,5% e 18,75%.

Para corrigir isso, Baker sugeriu “um período de abatimento de royalties ou isenção fiscal temporária” para incentivar as empresas privadas a acelerar seus programas de desenvolvimento em águas mexicanas.

O relatório do MEI também se baseia em um estudo realizado pelo think tank norte-americano Heritage Foundation, que analisa a Pemex como uma das 12 instituições de grande porte que operam em todo o mundo.

O estudo, disse Baker, indica que, para a liderança da Pemex nos últimos 30 anos “faltou tanto a flexibilidade de negócios para contratar executivos e gerentes experientes no mercado global para produção em águas profundas quanto, até 2016, a flexibilidade legal para entrar em joint ventures com petroleiras internacionais com credenciais em águas profundas.’

O relatório do MEI afirma que “a proibição de contratação global é um artefato institucional, não um mandato legal”.

No entanto, o relatório acrescenta: “Nas palavras da Heritage Foundation [Index of Economic Freedom 2020], a força de trabalho da Pemex – de cima para baixo – é ‘reprimida’”.

A força de trabalho nas 12 instituições avaliadas pelo estudo foi categorizada entre “livre”, “majoritariamente livre”, “moderadamente livre”, “majoritariamente não livre” ou “reprimida”.

CONCLUSÃO

Em última análise, para ter sucesso em Perdido, o relatório do MEI conclui: “A economia precisa melhorar para justificar o caso de negócios” para uma nova solução de midstream.

“Empresas qualificadas precisam de uma avaliação favorável de risco-recompensa da situação… O governo mexicano teria de deixar de lado o teatro da propriedade em favor do incentivo ao desenvolvimento.”

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