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Quão eficientes são os data centers da América Latina, em termos de recursos?

Bnamericas Publicado: sexta-feira, 08 abril, 2022
Quão eficientes são os data centers da América Latina, em termos de recursos?

A eficiência energética e hídrica está pressionando indústrias intensivas no uso desses recursos, além de estar no topo da agenda de sustentabilidade e ESG de acionistas e fundos de investimento.

Essas demandas são particularmente pertinentes aos data centers, que devem contar com fornecimento constante e abundante de energia e água para a refrigeração das salas e equipamentos, bem como para a operação ininterrupta de servidores e racks.

“Todos os clientes [de data center] estão extremamente preocupados em como tornar-se ainda mais eficientes, tendo em vista que seus usuários finais, que são clientes de hiperescala, estão assumindo compromissos públicos com a sustentabilidade e acabam impulsionando toda a cadeia”, disse o vice-presidente para a América Latina da Vertiv, Rafael Garrido, à BNamericas.

A Vertiv é uma das líderes em tecnologias para sistemas críticos de gerenciamento térmico e de energia em data centers.

O rastreamento da eficiência dos recursos no setor de data center é feito principalmente por três métricas, estabelecidas por grupos comerciais de empresas de data center e empresas do setor de equipamentos relacionados. Eles têm PUE (eficiência de uso de energia), CUE (eficácia de uso de carbono) e WUE (eficácia de uso de água).

A BNamericas conversou com três dos principais players da indústria de data centers da América Latina, construtores e operadores de data centers nos formatos de hiperescala e colocation, para avaliar como estão se saindo.

MATANDO A SEDE DOS DATA CENTERS

O WUE é calculado dividindo o uso anual de água do local pelo consumo de energia do equipamento de TI, dando unidades de litros/quilowatt-hora (l/kWh).

Essa métrica foi criada pela Green Grid, um consórcio global da indústria que visa melhorar a eficiência de data centers e sistemas de computação empresarial. A Green Grid é membro do Information Technology Industry Council (ITI), grupo comercial que trabalha para o avanço de políticas públicas para o setor de tecnologia.

Não há consenso sobre o que um WUE ideal deve ser. De acordo com um relatório de 2016 do Departamento de Estado dos EUA, o WUE médio em data centers nos EUA foi de cerca de 1,8 l/kWh.

De acordo com o mesmo relatório, data centers com WUE de 0,2 l/kWh ou menos usam menos de um copo de água para cada quilowatt-hora fornecido aos servidores.

Maior empresa do segmento na América Latina, com 19 data centers em operação e mais nove em construção na região, a Ascenty reporta um WUE médio de 0,043 l/kWh para seus sites, disse um porta-voz da empresa à BNamericas.

O grupo controlado pelos fundos norte-americanos Digital Realty e Brookfield Infrastructure Partners disse que busca constantemente ser eficiente no uso da água.

A Piemonte, holding da empresa de data center Elea Digital, que conta com seis data centers no Brasil, não detalhou seu WUE médio. De acordo com o CEO Alessandro Lombardi, “as tecnologias que usamos estão entre as mais eficientes.”

“No Rio de Janeiro, por exemplo, gastamos cerca de 250ml por kWh consumido na área de TI, ou seja, um copo de água por quilowatt-hora”, disse Lombardi à BNamericas.

De acordo com o CEO, os investimentos contínuos em tecnologia de refrigeração a ar na infraestrutura da Elea permitirão que o WUE seja ainda reduzido ainda mais. Ele também disse que a empresa pretende poder acompanhar o indicador em tempo real, em vez de calculá-lo mensalmente, como é tradicional no setor.

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O grupo multinacional norte-americano Equinix, que na América Latina opera 15 data centers de intercâmbio de negócios internacionais, em sete regiões metropolitanas de cinco países, não forneceu a métrica.

Um porta-voz da empresa disse à BNamericas que o CNDCP (Climate Neutral Data Center Pact) da União Europeia está delineando um WUE dentro de sua agenda digital verde para 2030 e que a Equinix “cumprirá estas recomendações”.

A Estratégia Digital Europeia estabelece o objetivo de alcançar data centers neutros em termos de clima, altamente eficientes em termos de energia e sustentáveis até 2030.

No entanto, um relatório de 2020 da Comissão Europeia mostrou que o consumo de energia dos data centers nos estados membros da UE deveria aumentar, de 2,7% da demanda de eletricidade em 2018, para 3,2% até 2030.

“O estudo conclui que, devido à natureza da computação em nuvem e à diversidade de provedores de serviços em nuvem, não há uma solução única para atingir a meta de 2030”, afirmou o relatório.

“No entanto, os instrumentos existentes podem – em graus variados – ser usados como ponto de partida ou pelo menos como inspiração para novos desenvolvimentos ou novos designs de instrumentos políticos. Exemplos incluem o Código de Conduta da UE Sobre Eficiência Energética de Data Centers, as próximas revisões do Regulamento de Ecodesign sobre servidores e produtos de armazenamento de dados e a Diretiva de Eficiência Energética.”

LEIA TAMBÉM: Estudo indica que gastos com energia em data centers na região devem crescer até 2027

MÁQUINAS QUE CONSOMEM MUITA ENERGIA

O setor de data centers é um dos maiores consumidores de energia. De acordo com estimativas de mercado, a energia corresponde a até 60% dos custos de data center.

Os sistemas de ar condicionado, em particular, são um dos “grandes comedores” de energia, respondendo por cerca de 40% de todo o consumo de infraestrutura de data centers, segundo a Vertiv.

Manter o controle de tudo isso é a razão pela qual a PUE foi criada. A métrica é calculada dividindo a energia total da instalação (a energia que entra no local) pela energia do equipamento de TI (aquela efetivamente usada para operar as máquinas).

De acordo com o Laboratório de Energia Renovável Natural dos EUA (NREL), estudos mostram diferentes faixas de valores de PUE para data centers, mas com uma média geral em torno de 1,8. “Os data centers com foco na eficiência normalmente atingem valores de PUE de 1,2 ou menos”, de acordo com o NREL.

Na Equinix, a PUE global média anual do grupo em 2020 foi de 1,51, ante 1,61 em 2015.

Na Ascenty, a PUE média de seus 19 data centers na América Latina está atualmente em 1,48.

A Piemonte/Elea Digital está trabalhando para atingir uma PUE de 1,5 ou menos em todos os seus data centers até o final de junho, de acordo com o CEO Lombardi. Ele não revelou a métrica atual do grupo.

O grupo assinou recentemente um contrato de longo prazo com a Vertiv para fornecer serviços de operação e manutenção para os data centers da Elea Digital.

“Nossa federação de seis data centers tem problemas diferentes dos [data centers] hiperescaladores concentrados na região de São Paulo, pois cada um possui diferentes níveis de PUE. A dispersão geográfica do nosso ecossistema [de data centers] de borda, que é nosso diferencial, também oferece particularidades”, disse Lombardi.

Segundo o executivo, os data centers da empresa que já possuem certificação nível III do Uptime Institute – os de São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro – operam em “condições normais” em termos de meta de PUE.

“Os outros – Curitiba, Porto Alegre e Brasília BSB1 – podem ter um nível de PUE cerca de 15% maior antes de concluirmos os investimentos que estamos fazendo em infraestrutura crítica.”

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APAGANDO A PEGADA DE CARBONO

CUE é outra métrica desenvolvida pela Green Grid para medir a sustentabilidade do data center em termos de emissões de carbono.

É definido como a relação entre as emissões de CO₂ produzidas pelo data center e o consumo de energia dos equipamentos de TI. A saída é medida em quilogramas de CO₂ por kWh.

Nenhuma das três empresas forneceu suas médias de CUE, embora tenham feito comentários sobre seus investimentos em sustentabilidade.

“Até agora em 2022, conseguimos concluir a compra de energia 100% de fontes renováveis. Ou seja, não teremos emissões de carbono em nossas operações em condições normais. Isso significa que decidimos comprar energia mais cara, mas mais limpa”, disse Lombardi, da Piemonte.

A Ascenty disse que já tem 100% de sua energia proveniente de fontes renováveis.

“Os I-RECs [certificados de energia renovável] são adquiridos para comprovar a origem de 100% da energia utilizada. Para outras emissões, créditos de carbono também são adquiridos para garantir carbono zero”, disse um porta-voz à BNamericas.

Outro importante player do setor na América Latina, a Scala Data Centers, controlada pelo fundo norte-americano DigitalBridge, afirma ter sido a primeira empresa latino-americana de data centers a alcançar a neutralidade de carbono.

Em junho passado, a empresa obteve a certificação de neutralidade de carbono por operar com 100% de energia de fontes renováveis comprovadas. A certificação foi emitida pela Natural Capital Partners.

A Scala afirma que desde 2020 opera com energia renovável por meio de contratos de compra de energia de longo prazo, respaldados por certificados de energia renovável.

O CEO da Equinix Brasil, Eduardo Carvalho, disse à BNamericas em uma entrevista recente que a empresa está dobrando as energias renováveis e estabeleceu a meta de se tornar “100% verde” globalmente até 2025.

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