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Brasileira Odata aposta em energia renovável com projeto de autogeração

Bnamericas Publicado: segunda-feira, 19 dezembro, 2022
Brasileira Odata aposta em energia renovável com projeto de autogeração

A empresa brasileira de datacenters Odata, recém-adquirida pelo grupo norte-americano Aligned Data Centers, está trabalhando em um projeto de autoabastecimento de energia limpa no Nordeste do país, formado principalmente por fontes eólicas.

“Provavelmente seremos uma das primeiras empresas de datacenter do planeta a realmente gerar sua própria energia limpa. Estamos nos tornando autogeradores de energia”, disse o CEO da Odata, Ricardo Alário, à BNamericas.

O projeto deve ser anunciado nas próximas semanas, quando mais detalhes serão divulgados.

A Odata está em parceria com uma empresa de geração de energia para ter uma parte de um parque no Nordeste gerando energia eólica para suas operações de datacenter. A empresa trabalha na iniciativa há quase dois anos, informou o executivo.

Alário afirma que esse é um feito inédito no cenário de infraestrutura digital da região.

“As empresas que estão fazendo isso são as que realmente usam muita energia. Esses [projetos] são parecidos com o que a Heineken, Ambev e Vale têm. Eles se tornaram autogeradores. Nossa estrutura é exatamente a mesma”, disse.

AUTOGERAÇÃO

A subsidiária brasileira do grupo cervejeiro holandês Heineken inaugurou um parque eólico no Nordeste do Brasil em 2019 como parte de um esforço para atingir 100% de abastecimento renovável para suas operações locais até 2023.

O parque eólico de 30 MW utiliza turbinas de 2 MW da Siemens Gamesa, que também vai operar e manter a instalação.

Na Bosch Brasil, a autogeração de energia solar fotovoltaica poderá suprir 12% das necessidades da empresa até 2030, considerando as quatro unidades fabris da companhia nas cidades de Campinas, Curitiba, Pomerode e Sorocaba.

Na unidade da Bosch em Campinas, a autogeração de energia deve chegar a 7% do consumo total até o final deste ano, informou a empresa em agosto.

Na Vale, um dos cinco maiores consumidores de energia do Brasil, seu portfólio de autogeração já é 99% renovável.

Ao final de 2021, a capacidade instalada de autogeração da Vale era de 2,3 GW, segundo a mineradora. Os números incluem ativos de geração hídrica e eólica de propriedade direta e indireta da Vale e localizados no Brasil, Canadá e Indonésia.

Essas usinas fornecem em média 59% do consumo global de eletricidade da Vale e 69% do consumo da Vale no Brasil, segundo a empresa.

Até o final de abril, o total de energia autogerada instalada atingiu a marca de 21 GW no Brasil, incluindo fontes termelétricas, hídricas e eólicas, de acordo com a Abiape, a associação brasileira de investidores em autoprodução de energia.

A Abiape tem 20 associados, a maioria grandes consumidores de energia, como mineradoras, siderúrgicas, grupos de energia e petroquímicas, incluindo Vale, Ambev, Gerdau, ArcelorMittal, Braskem, Norte Energia, Nexa e Votorantim Cimentos.

As operadoras de telecomunicações brasileiras também têm investido pesado na geração de energia limpa. Todas as quatro grandes operadoras nacionais – Telefônica Brasil, Claro, TIM e Oi – possuem projetos em parceria com geradoras de energia limpa.

Esses projetos, no entanto, não se enquadram na categoria de autogeração, sendo basicamente contratos de compra de energia (PPAs).

Em um dos últimos anúncios nessa frente, a Claro lançou um novo parque solar, chegando à marca de 70 usinas de energia renovável para abastecer suas operações.

A mais nova delas, no interior de São Paulo, foi construída e será operada pela RZK Energia com base em um PPA. Essa é a oitava unidade entregue pela RZK para o programa de energia limpa da Claro.

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PARQUE DA ODATA

Entre 85% e 90% da energia que a Odata utiliza em suas operações já é renovável, seja por meio de PPAs ou certificados verdes, segundo Alário.

Os investimentos em energia renovável da Odata teriam sido um dos fatores levados em consideração pela Aligned Data Centers ao avaliar a aquisição da empresa.

“Durante esse processo, quando vimos o que a equipe Odata estava fazendo com na área de autogeração, […] quero dizer, francamente, não conhecemos ninguém que esteja fazendo algo assim, nem mesmo nos EUA”, disse à BNamericas o CEO da Aligned Data Centers, Andrew Schapp.

“É um caminho muito inovador e sustentável que a Odata está trilhando. Estamos muito satisfeitos e vamos continuar investindo nisso”, acrescentou.

Segundo Schapp, todos os clientes da empresa (usuários de hiperescala de datacenter) estão pedindo por esse tipo de acordo.

A própria Aligned tem um histórico de investimentos em energia limpa, lembrou ele.

“Fomos basicamente a primeira operadora de datacenter a emitir financiamento verde, um título vinculado à sustentabilidade (SLB) de US$ 1,7 bilhão, há dois anos. Nós queremos agir, de fato, quando se trata de sustentabilidade. Não só nas compras ecológicas, mas também no financiamento.”

AQUISIÇÃO E INVESTIMENTOS

Além da aquisição da Odata, cujo valor é estimado pelo mercado em cerca de R$ 10 bilhões (US$ 1,88 bilhão), a Aligned planeja investir US$ 1 bilhão nas operações da Odata nos próximos anos.

Segundo Alário e Schapp, o valor abrange tanto projetos de datacenter em andamento quanto expansões/modernizações e novas construções.

O investimento também inclui expansões para novas regiões dentro do país, disse Alário.

Dos 370 MW disponíveis, a empresa possui cerca de 100 MW de capacidade de energia em seus datacenters que atualmente são alugados aos clientes.

A Odata conta hoje com três datacenters no Brasil, um na Colômbia, um no Chile e um no México. Também está construindo novos sites no Chile, Brasil e México.

A Aligned Data Centers pertence a fundos administrados pela Macquarie Asset Management, sediada na Austrália. A Odata, por sua vez, era 90% controlada pelo Pátria Investimentos, com 10% de participação pertencente ao fundo de investimento imobiliário em datacenters norte-americano CyrusOne.

Em março, os fundos KKR e GIP fecharam a aquisição da CyrusOne por US$ 15 bilhões.

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