Peru
Análise

A urgência de desbloquear e acelerar a infraestrutura aeroportuária no Peru

Bnamericas Publicado: sexta-feira, 25 novembro, 2022
A urgência de desbloquear e acelerar a infraestrutura aeroportuária no Peru

O Peru precisa reforçar sua infraestrutura aeroportuária por motivos comerciais e de segurança.

A última tragédia ocorreu no Aeroporto Internacional Jorge Chávez (AIJC), em Lima, quando a colisão de um carro-bomba com um avião que decolava custou a vida de dois bombeiros. A mídia informou que não ficou claro por que o caminhão estava na pista, mas o episódio expôs a incapacidade do setor em lidar com problemas logísticos e organizacionais.

Embora a expansão do aeroporto de Lima esteja avançando, os investimentos devem ser acelerados em regiões carentes de infraestrutura e que não estão à altura de outras da América Latina. “Nossa renda per capita é parecida com a da Colômbia, o que deveria nos fazer ter uma infraestrutura como aquele país, mas não é assim”, disse Camilo Carrillo, líder de infraestrutura da consultoria EY Peru, à BNamericas.

“Em aeroportos como Trujillo, Lambayeque e Piura, leva cerca de três anos para aprovar as fichas técnicas da pista e do terminal. Se o MTC [Ministério dos Transportes] não aprovar, não pode ser feito”, acrescentou o executivo.

Parte do problema é que os aeroportos a remodelar estão sendo executados por associações público-privadas e o Estado deve fazer os investimentos, mas não consegue apressar as concessionárias a abrirem licitações para as obras.

As deficiências não são apenas de infraestrutura, mas também de capital humano. “Nem todos os aeroportos funcionam 24 horas. Temos casos como o aeroporto de Talara – Região de Piura – que abre apenas cinco horas por dia porque não há controladores de tráfego aéreo que permitam estender o período de serviço”, disse Martín La Rosa, gerente de área da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) para Peru e Bolívia, em conversa com a BNamericas.

“O aeroporto de Cusco, originalmente projetado para 3 milhões de passageiros por ano, recebeu até 4,2 milhões de pessoas. Sem uma pandemia envolvida, [em 2020] teriam sido recebidos até 5 milhões”, disse La Rosa, acrescentando ser importante fortalecer a infraestrutura interna para atender à demanda de voos internos que atualmente têm que fazer escala em Lima.

Tanto Carrillo quanto La Rosa concordaram que os aeroportos de Trujillo, Piura, Arequipa e Cusco, bem como o novo aeroporto internacional de Chinchero em Cusco (AICC), devem ser prioritários no curto prazo devido à sua atração turística e fluxo de passageiros.

DESAFIO DE LIMA

Paralelamente ao desbloqueio regional, a descentralização do serviço aeroportuário é considerada uma solução. “Primeiro é hora de arrumar a casa e depois pensar com ambição. A maioria dos países aumenta seu tráfego aéreo em uma área e depois o desvia. Temos a oportunidade de Lima estar bem localizada geograficamente para se conectar com outros aeroportos da região e, a partir disso, promover o restante”, diz La Rosa.

Segundo vários especialistas, o aeroporto de Lima está muito saturado. O AIJC tem capacidade para atender cerca de 12 milhões de passageiros por ano, mas em 2019 foram recebidos mais de 25 milhões de pessoas. “Esperamos que em 2022 os volumes voltem aos de 2019. O aeroporto vinha crescendo a uma taxa de 8% de passageiros”, acrescentou La Rosa.

Embora a execução das obras no aeroporto tenha continuado, há riscos no curto prazo. O controlador destacou que a corporação aeroportuária e comercial Corpac está atrasada na aquisição de equipamentos para colocar em operação a nova torre e pistas de pouso.

“Se a Corpac não entregar os sistemas e equipamentos de navegação aérea necessários no prazo, o início do segundo posto pode ser suspenso por um tempo equivalente ao atraso [na entrega]”, alertou o controlador em comunicado. Isso afeta a entrega programada para o próximo ano.

PAPEL DO ESTADO

Diante do desbloqueio aeroportuário, um fator que precisa urgentemente ser corrigido é a visão do Estado. “Quando tiver o novo AIJC, ele vai colapsar três anos depois de inaugurado. A mesma coisa está acontecendo nas regiões: os gatilhos [de demanda necessária] do contrato ainda não foram atingidos, mas o Estado deve ter o poder de não esperar o colapso do aeroporto. O investimento deve ser antecipado, principalmente porque esses processos são demorados”, diz Carrillo, da EY Peru.

“O que a história mostra é que quando você fornece infraestrutura, isso puxa automaticamente a demanda. Estamos em um círculo vicioso em que não há demanda suficiente e o MTC não tem pressa. Quem paga a obra são eles, por isso devem acelerar o ritmo para o bem de todos”, concluiu.

Assine a plataforma de inteligência de negócios mais confiável da América Latina. Deixe-nos mostrar nossas soluções para Fornecedores, Empreiteiros, Operadores, Governo, Jurídico, Financeiro e Seguros.

Assine a plataforma de inteligência de negócios mais confiável da América Latina.

Outros projetos em: Infraestrutura (Peru)

Tenha informações cruciais sobre milhares de Infraestrutura projetos na América Latina: em que etapas estão, capex, empresas relacionadas, contatos e mais.

Outras companhias em: Infraestrutura (Peru)

Tenha informações cruciais sobre milhares de Infraestrutura companhias na América Latina: seus projetos, contatos, acionistas, notícias relacionadas e muito mais.

  • Companhia: Aleatica Perú, S.A.  (Aleatica Perú)
  • A Aleatica Perú SA, anteriormente conhecida como OHL Concesiones Perú, foi constituída em 2009 e opera as rodovias Autopista del Norte e La Molina-Angamos. A empresa tem sede em...
  • Companhia: CUMBRA
  • A CUMBRA, anteriormente conhecida como GyM SA, é uma empresa peruana que atua na prestação de serviços de construção. A empresa atua em diversos setores como infraestrutura, ene...
  • Companhia: Cesel S.A.  (Cesel Ingenieros)
  • Cesel SA é uma empresa de consultoria constituída em 1972 pelo engenheiro peruano Raúl Delgado Sayán. Dedica-se a fornecer serviços de engenharia para a indústria de infraestrut...