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Destaque: M&A devem agitar o setor de saneamento

Bnamericas Publicado: sexta-feira, 07 outubro, 2022
Destaque: M&A devem agitar o setor de saneamento

O setor de saneamento provavelmente verá uma série de operações de M&A nos próximos anos, pois está recebendo uma onda de investimentos de empresas privadas.

O setor vem passando por uma grande transformação desde que uma regulamentação aprovada pelo Congresso em meados de 2020 facilitou a entrada de empresas privadas em uma área antes dominada por estatais.

As mudanças regulatórias ocorreram em meio aos esforços do governo para ampliar a cobertura de saneamento em todo o Brasil, uma vez que cerca de metade da população atualmente não possui serviços adequados de água e esgoto.

Segundo estimativas do governo, o setor de saneamento exige investimentos da ordem de R$ 750 bilhões para garantir serviços para toda a população até 2033, e a expectativa de grandes investimentos no setor faz com que os players disputam posições.

Antes das mudanças nas regras, as empresas do setor privado tinham apenas uma participação de mercado de cerca de 5%, mas isso está aumentando rapidamente.

“A participação do setor privado na área de saneamento está atualmente em 20% e, sendo conservador, acredito que essa participação de mercado chegará a 40%”, disse André Pires de Oliveira Dias, CFO da empresa Aegea Saneamento, à BNamericas.

A Aegea é atualmente a maior empresa privada do setor de saneamento e a mais ativa em termos de novas concessões e contratos de PPP assumidos nos últimos trimestres.

Além de continuar atenta às oportunidades de novos contratos, a empresa também se prepara para avaliar as privatizações do setor.

“A mudança para privatização ainda não começou, mas assim que der, vamos avaliar as oportunidades. Uma privatização que deve ocorrer no curto prazo é a da estatal gaúcha Corsan, e vamos avaliar esse ativo”, disse Pires.

Os fundos de investimento e private equity também estão avaliando ativamente as empresas que operam na cadeia de suprimentos, já que a demanda por serviços, equipamentos e materiais deve crescer e a cadeia de suprimentos, hoje, está altamente fragmentada.

A gestora de recursos brasileira Vinci Partners anunciou em setembro que estava adquirindo uma participação minoritária na Efficopar, uma pequena empresa (PME) local especializada em serviços de eficiência de água e saneamento, reforçando o interesse dos fundos em negócios neste segmento.

“Compramos participação na Efficopar por meio do nosso Vinci Impacto e fundo Retorno IV. Esse fundo investe especificamente em ativos com apelo ESG. Também temos fundos onde investimos diretamente em concessões de saneamento. Na Vinci, temos uma ampla solução relacionada ao setor, onde estamos abertos a fazer investimentos em concessões e também na cadeia de suprimentos”, disse à BNamericas José Guilherme Souza, sócio e chefe da área de infraestrutura da Vince Partners.

Junto com a Vinci, outra gestora de ativos local, a Mauá Capital, também tem interesse em colocar dinheiro em empresas da cadeia produtiva.

“O setor de saneamento apresenta projetos para todos os bolsos. No nosso caso, na Mauá Capital, estamos buscando oportunidades de negócios na cadeia produtiva, com fornecedores desse setor. Muitas empresas que estão entrando no setor estão de olho nos contratos de concessão que estão sendo leiloados; estamos olhando além disso, para oportunidades dentro da cadeia de valor do setor”, disse Karla Bertocco Trindade, sócia da Mauá Capital e ex-presidente da maior empresa de saneamento do Brasil, a Sabesp de São Paulo, em entrevista recente à BNamericas.

Embora as operações de M&A já estejam ocorrendo no setor, as operações que envolvem grandes empresas do setor privado ainda não estão no radar no curto prazo.

“Em todos os setores de infraestrutura mais maduros, vimos um processo de consolidação em algum momento. Mas no saneamento ainda não vejo esses movimentos acontecendo no curto prazo”, disse Pires.

Atualmente, as principais operadoras privadas de água e saneamento são Aegea Saneamento, Iguá Saneamento, Saneamento Ambiental Águas do Brasil (SAAB) e BRK Ambiental.

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