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Novo plano de negócios da Petrobras pode ser modificado por Lula

Bnamericas Publicado: quinta-feira, 01 dezembro, 2022
Novo plano de negócios da Petrobras pode ser modificado por Lula

O novo plano de negócios da Petrobras será provavelmente modificado pelo novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva, disse à BNamericas uma fonte próxima ao presidente eleito.

Entre as principais mudanças esperadas estão capacidade adicional de refino e uma inserção mais agressiva na transição energética, além de seu reposicionamento no segmento de gás natural.

“A ideia é rentabilizar mais gás reduzindo a injeção e aumentando a sua utilização em terra, o que vai exigir novos investimentos em gasodutos offshore e infraestrutura de processamento”, explicou a fonte.

O plano da empresa estatal envolve capex de US$ 78 bilhões para 2023-27, um aumento de 15% em relação ao plano de negócios anterior (2022-26).

Pelo plano, o segmento de exploração e produção responderia por 83% do total, uma queda de um ponto percentual em relação ao plano anterior, enquanto o refino caberia 12%, alta de 3 pontos.

O pré-sal continua em foco, com 67% do capex planejado previsto para os próximos cinco anos.

Enquanto isso, a Margem Equatorial deve receber 50% do capex exploratório de US$ 6 bilhões, em comparação com 38% no plano anterior.

Além do capex de US$ 78 bilhões, a Petrobras pretende destinar US$ 20 bilhões para o afretamento de novas plataformas de produção.

Até 2027, a empresa está de olho em 18 novos FPSOs, dos quais 11 seriam fretados, seis próprios e um não operado. O plano 2022-26 previa a entrada em operação de 15 FPSOs, sendo nove afretados e seis próprios.

As novas plataformas previstas incluem o FPSO de revitalização do campo de Albacora, a P-83 (campo de Búzios), o segundo FPSO do projeto de águas profundas de Sergipe (Seap 2) e o FPSO BM-C-33, projeto operado pela Equinor, do qual a Petrobras detém 30%.

Os dois FPSOs de Sergipe serão contratados na modalidade de afretamento e estão previstos para transportar gás natural por um gasoduto com capacidade de 18 MMm³/d (milhões de metros cúbicos por dia) – empreendimento cuja viabilidade técnica e econômica está em análise.

Após 2027, a Petrobras pretende contratar apenas FPSOs elétricos para os campos de Atapu (P-84) e Sépia 2 (P-85), com capacidade para produzir 225 mil b/d de óleo e 10 MMm³/d de gás natural.

A unidade de Atapu será conectada a 13 poços e a de Sépia a 14 poços, com os serviços de engenharia, suprimento, construção e instalação submarina (EPCI) adquiridos por meio de contratos integrados.

A bacia de Santos receberá 11 novas unidades de produção, enquanto cinco serão instaladas na bacia de Campos. Com isso, as bacias estão projetadas para produzir 2,2 MMboe/d (milhões de barris de óleo equivalente por dia) e 900 mil boe/d até 2027, respectivamente.

O novo plano de negócios prevê a perfuração de mais de 300 poços de desenvolvimento da produção, a instalação e coleta de mais de 8 mil km de dutos e o descomissionamento de 26 plataformas (12 fixas, seis semissubmersíveis e oito FPSOs), além de 2,5 mil km de risers e flowlines.

Outras 27 plataformas estão programadas para serem desativadas entre 2028 e 2030.

A curva de produção no período 2023-27 foi reduzida em 100 mil boe/d em relação ao plano de negócios anterior, chegando a 3,1 MMboe/d até 2027, com possível variação positiva ou negativa de 4%.

Os custos de extração considerados nos projetos pós-sal e pré-sal para o período são de US$ 10,7/boe e US$ 4,2/boe, respectivamente, enquanto o custo de produção considerado é de US$ 33/boe.

REFINO

No segmento de refino, a prioridade do capex de US$ 9,2 bilhões será a eficiência energética das plantas da Petrobras e produtos de maior qualidade com menor pegada de carbono, com destaque para os investimentos em biorrefino.

O plano prevê investimentos em oito novas unidades de processamento, além de seis grandes obras de adaptação em plantas existentes. Com esses projetos concluídos, a capacidade de processamento e conversão de refino da Petrobras deverá aumentar em 154 mil b/d, e sua capacidade de produção de diesel S-10 aumentará em mais de 300 mil b/d.

Está prevista uma nova fábrica de lubrificantes no polo da Gaslub, um segundo trem de refino na refinaria Abreu e Lima (Rnest) e uma instalação de bioquerosene para aviação na refinaria Presidente Bernardes (RPBC).

A capacidade total de refino da empresa está projetada em 1,2 MMb/d até 2027, a mesma prevista no plano anterior, baseado em cinco usinas localizadas no eixo Rio de Janeiro-São Paulo.

Isto significa que o novo plano mantém as refinarias Abreu e Lima (Rnest), Presidente Getúlio Vargas (Repar), Alberto Pasqualini (Refap) e Gabriel Passos (Regap) no programa de desinvestimentos da empresa.

“Mantém-se a estratégia de manter as principais refinarias e garantir mudanças estruturais nessas usinas, especialmente voltadas para o aumento da capacidade de produção do diesel S-10 e o início da formulação do diesel R5, que conta com 5% de diesel renovável por meio de coprocessamento”, explicou à BNamericas Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercado da StoneX.

O analista disse ainda que a Petrobras aparentemente pretende manter a política de preço de paridade de importação de combustíveis (PPI), que equipara os preços domésticos com os do mercado internacional.

“A questão é se eles vão manter a estratégia dos últimos meses de reajustar os preços com menos intensidade, causando defasagens em relação ao mercado internacional, ou se essa política será reformulada”, acrescentou Cordeiro.

GÁS E ENERGIA ELÉTRICA

Na área de gás e energia elétrica, o plano 2023-27 destaca a continuidade da estratégia de comercialização do gás próprio da Petrobras, com medidas alinhadas aos aumentos de capacidade decorrentes de investimentos em expansão de infraestrutura e oferta de gás natural.

A capacidade de tratamento de gás da Petrobras está projetada para crescer dos atuais 66 para 84 MMm³/d, basicamente por meio da nova unidade de processamento que entrará em operação em 2024 na Gaslub.

Enquanto isso, a capacidade de regaseificação da empresa será reduzida de 57 para 50 MMm³/d.

Em termos de energia térmica, a Petrobras planeja ter capacidade de geração de 3,6 GWa por meio de usinas a gás de alta eficiência até 2027, além de 5,1 GWa até 2030, abaixo dos atuais 5,6 GWa. O plano 2022-26 estipulou capacidade de 4 GWa para 2026.

VENDAS E LOGÍSTICA

O plano prevê que a área de comercialização e logística intensificará a atuação em mercados estratégicos no Brasil, continuando a expandir e fortalecer sua atuação no mercado externo por meio da conquista de novos clientes e busca das melhores oportunidades de valorização do petróleo e derivados da Petrobras.

Outro foco é a otimização da infraestrutura logística com a eliminação de gargalos no escoamento de produtos e óleos, otimização de estoques e redução das emissões da frota. O capex da área previsto no plano é de US$ 1,6 bilhão.

ESG

No plano de negócios 2023-27, estão previstos investimentos de US$ 4,4 bilhões para as iniciativas de baixo carbono da empresa: US$ 3,7 bilhões em projetos que contribuam para as iniciativas de descarbonização das operações (escopos 1 e 2); US$ 600 milhões em iniciativas de biorrefino (diesel renovável e bioquerosene de aviação); e US$ 100 milhões em pesquisa e desenvolvimento para novas competências.

O programa carbono neutro da Petrobras e o fundo de descarbonização foram reforçados no novo plano, com orçamento de US$ 600 milhões, ante US$ 248 milhões do plano anterior.

Enquanto isso, a Petrobras pretende ampliar seus estudos nos novos negócios de energia eólica offshore, hidrogênio e captura de carbono, além do biorrefino.

DESINVESTIMENTOS

Para melhorar a eficiência operacional, o retorno do capital e a geração de caixa para fazer novos investimentos mais alinhados à estratégia da empresa, a Petrobras pretende desinvestir entre US$ 10 e 20 bilhões em ativos no período de cinco anos.

Mahatma Santos, pesquisador do Ineep, disse que o anúncio da venda da refinaria Isaac Sabbá (Reman) na quarta-feira (30), juntamente com o novo plano de negócios, reafirmam a atual orientação estratégica da Petrobras.

“Mais uma vez, é reafirmado o foco na geração de valor e grandes pagamentos de dividendos no curto prazo, bem como a continuidade do processo de desinvestimento e desverticalização da empresa, com forte concentração em E&P, especialmente no desenvolvimento da produção”, afirmou ele à BNamericas.

Santos disse que, apesar do crescimento do capex, os US$ 78 bilhões ainda são menores do que no plano de negócios 2019-23, o que mostra que a empresa tem uma visão exclusivamente de curto prazo, priorizando altos dividendos e redução da dívida.

“Entre janeiro de 2021 e setembro de 2022, a Petrobras distribuiu aos acionistas US$ 53,7 bilhões, 70% do capex agora anunciado para os próximos cinco anos”, destacou.

Santos também considera o capex de US$ 4,4 bilhões para a área ambiental muito tímido e muito focado na descarbonização de suas atividades.

“A atual gestão parece estar transferindo a responsabilidade de construir um plano de negócios que tenha como objeto a transição energética para a próxima gestão da empresa”, concluiu.

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