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A fórmula para a internacionalização de uma consultoria de infraestrutura colombiana

Bnamericas Publicado: quarta-feira, 21 setembro, 2022
A fórmula para a internacionalização de uma consultoria de infraestrutura colombiana

A consultoria colombiana de infraestrutura Joyco iniciou em 2021 um plano de expansão agressivo em novos mercados na América Latina, começando pelo Peru.

O próximo objetivo da empresa é o Chile e, em médio prazo, a República Dominicana.

A principal executiva da Joyco, Diana Lorena Castaño, conversou com a BNamericas sobre a estratégia da empresa para conquistar esses mercados e por que a internacionalização é crucial para o setor de construção.

BNamericas: Como tem sido sua experiência trabalhando no setor de infraestrutura na Colômbia?

Castaño: Tem sido muito boa. Este ano comemoramos 44 anos de atuação neste e em outros setores. Enfrentamos mudanças de governo, a pandemia e as chamadas “especificações de tipo” desde que surgiram na Colômbia, que ajudaram a regularizar a participação em licitações para torná-las mais transparentes. Vimos como os setores público e privado mudaram e se fortaleceram, em segmentos tão importantes como infraestrutura e outros que o país precisava muito, fortalecendo nossas concessões.

Tínhamos [na Colômbia] um atraso de mais de 100 anos, eu diria, com as concessões. Estávamos muito atrasados em alguns segmentos e foi dado um impulso muito interessante. Participamos de tudo o que evoluiu no país.

BNamericas: Quantos projetos da empresa são públicos e quantos são privados?

Castaño: Neste momento, 74% dos nossos projetos são públicos e os outros 26% privados.

BNamericas: Qual é o status do mercado de infraestrutura hoje?

Castaño: Vemos que há muito potencial. Embora já tenhamos um longo caminho percorrido, ainda há muito a fazer e já seguimos com uma certa inércia. Os planos de muitas concessões já estão bastante avançados e têm um orçamento determinado, então temos uma inércia cuja velocidade levará anos para desacelerar.

Além dos novos projetos, há uma boa inércia das gestões passadas, pois há orçamentos atribuídos, projetos já concedidos e novos projetos chegando, não só no ramo de infraestrutura, mas em outros segmentos.

O que conseguimos ler sobre esse governo – porque ainda não está muito claro qual será o plano de governo – é ele que vai focar em outros tipos de segmentos que, para nós, como empresa de engenharia, também são muito bons. E o país precisa deles, como projetos de saúde e agricultura... nós vemos um grande potencial.

Em alguns setores, o percentual de participação e orçamento será mobilizado, mas ainda há um investimento muito grande nesse desenvolvimento do país.

BNamericas: A Joyco poderia entrar nesses projetos de infraestrutura social em médio prazo?

Castaño: Sim, essa é a nossa projeção. Temos essa meta no nosso plano estratégico, para focar em oferecer os mesmos serviços que temos agora, mas nesses segmentos.

BNamericas: Em quais projetos a empresa está participando no setor aeroportuário?

Castaño: Temos prospectos, especialmente o aeroporto de Cartagena e o aeroporto del Café, que tem sido um projeto polêmico na Colômbia: está em andamento há 20 anos e não foi ejecutado. São os dois que temos mais imediatamente, em que já apresentamos uma oferta e que estamos esperando para ver o que acontece com o desenvolvimento e as concessões.

BNamericas: Já tem uma possível data para as decisões?

Castaño: Não, eu daria meses ainda.

BNamericas: Você acredita que a internacionalização é um processo pelo qual a maioria das empresas terá de passar em algum momento?

Castaño: Acho que sim. Se um bom trabalho é feito localmente, chega um ponto em que você precisa expandir se quiser crescer. Com certeza haverá empresas que não têm o crescimento como meta, elas ficarão lá em um determinado nível e se concentrarão em outros tipos de pilares, como aumentar a lucratividade, ou outros tipos de coisas que forem mais interessantes para elas. Para nós, crescimento, sustentabilidade e rentabilidade são pilares, e isso nos faz querer expandir nossas fronteiras, porque já existe um ponto em que a Colômbia se tornará pequena.

BNamericas: Quais foram os desafios que a empresa encontrou durante a expansão?

Castaño: Tivemos muitos. Para nós, entrar em um novo país, com legislação específica, é um desafio. É um desafio estudá-lo e saber como está sendo tratado, por isso quisemos ter alianças estratégicas nos diferentes países. Foi o que fizemos no Chile.

Queremos avançar no Peru de mãos dadas com aliados que tenham objetivos e formas de trabalhar semelhantes aos da Joyco, com transparência, grande expertise e excelência em qualidade. Esse é o desafio: conhecer o país e analisar os aliados para não entrarmos sozinhos, sem saber como anda a política e como anda toda a questão técnica.

BNamericas: Quantas alianças vocês têm no exterior hoje?

Castaño: Neste momento, temos fortes alianças no Chile com várias empresas. Também não teremos muitas. Temos dois parceiros muito fortes no Chile e no Peru. Estamos em busca de aliados.

BNamericas: Vocês têm projetos no Peru?

Castaño: Estamos analisando projetos com vários aliados, mas eles não se concretizaram.

BNamericas: O que chama a atenção da Joyco para a República Dominicana? 

Castaño: Fizemos um estudo de mercado em várias frentes – estrutural, sociopolítica, macroeconômica, etc. –, e o conjunto nos dá uma pontuação muito boa, além de sua localização. Na Joyco, somos criteriosos na leitura do ambiente, ou pelo menos tentando analisar esses parâmetros que menciono, e a República Dominicana chama a atenção porque tem um bom investimento, tem projetos interessantes e também está muito bem localizada.

BNamericas: Em que setor estão os projetos que vocês têm interesse em encontrar lá?

Castaño: Os dois principais setores que gostaríamos de entrar são estradas e energia.

BNamericas: O que a Joyco espera desse mercado?

Castaño: Esperamos participar da mesma forma que estamos na Colômbia, tanto no setor público quanto no privado, inclusive para depois ter uma sucursal direta no país, mas inicialmente a meta é conseguir destaque e reconhecimento como na Colômbia.

BNamericas: Vocês já têm alianças com empresas locais?

Castaño: Não, a República Dominicana é um projeto de médio prazo. Primeiro estamos no Peru e no Chile.

BNamericas: A empresa mira outros países da região?

Castaño: Sim, o Panamá é um dos países que visamos inicialmente. Já descartamos alguns também: principalmente pelo volume e capacidade de entrada. Os que temos agora seriam Peru, Chile, República Dominicana e Panamá. Não descartamos a Venezuela, mas ainda não iniciamos a análise.

BNamericas: Você acha que a Venezuela é um país difícil de entrar?

Castaño: Pode ser, mas acho que tem um grande potencial com os novos governos. É um país que esteve fechado por muito tempo e tem muitas necessidades que podem ser atendidas a partir da Colômbia.

BNamericas: O que você recomendaria para empresas que pensam em se internacionalizar?

Castaño: A recomendação é que façam uma análise muito responsável e prudente dos motivos para quererem se internacionalizar e quais seriam seus objetivos, para ver se o país analisado cumpre esses requisitos ou não.

Como disse, para algumas empresas, o papel ou objetivo será crescer. Para outras, será aumentar a lucratividade, ter novos aliados. Por isso é importante fazer um estudo criterioso dos objetivos de cada empresa e das metas de médio e longo prazo.

Outra coisa é que é preciso ter paciência. Trata-se de um processo, a análise considera muitas variáveis, e isso também não se consegue da noite para o dia.

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