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Como a concessionária de água Copasa planeja acelerar seus investimentos

Bnamericas Publicado: sexta-feira, 11 novembro, 2022
Como a concessionária de água Copasa planeja acelerar seus investimentos

A Copasa, concessionária de água do estado de Minas Gerais, está buscando acelerar seus investimentos.

Mesmo assim, será difícil cumprir as regulamentações que exigem cobertura universal até 2033, razão pela qual a privatização da empresa está sendo cogitada.

Entre as maiores concessionárias do Brasil, a Copasa fornece serviços de água para 11,8 milhões de pessoas e serviços de esgoto para 8,5 milhões. A cobertura dos serviços de água é de 99,4%, mas apenas 71,9% para os serviços de esgoto.

Guilherme Duarte, presidente da empresa, conversa com a BNamericas sobre os planos da empresa, privatização e outros temas.

BNamericas: Quais são os detalhes do plano de investimentos da Copasa?

Duarte: Nós investimos, nos nove primeiros meses deste ano, um total de R$ 965 milhões em nossas operações, e temos a aprovação do conselho para investir um total de R$ 1,16 bilhão em 2022.

Para os próximos quatro anos, nós já temos aprovados pelo conselho um nível de investimento de até R$ 6 bilhões, sendo que somente para o ano que vem esse valor será de R$ 1.4 bilhão.

A minha expectativa é que o valor aprovado pelo conselho para o ano que vem seja ainda maior, pois já está sob análise um aumento deste volume de investimento.

BNamericas: Quais são as necessidades de financiamento da Copasa?

Duarte: Já temos em andamento uma emissão de debêntures, que deve ser concluída em dezembro, no valor total de R$ 750 milhões. Este valor, adicionado com outros que já temos, de linhas de créditos que obtivemos no passado, mais nosso próprio caixa, é suficiente para nossas necessidades. 

BNamericas: Os investimentos planejados também são suficientes para atender às demandas de cobertura total do serviço até 2033, impostas pela legislação?

Duarte: Nossa percepção é que os investimentos projetados de fato não serão suficientes para nos atingirmos as metas de universalização. Seria necessário investirmos pelo menos R$ 2 bilhões por ano para atingirmos as metas.

Por isso é que existe um debate sobre a necessidade de desestatização da empresa, para garantir mais flexibilidade. A Copasa não é uma empresa com dificuldades para fazer investimentos, o gargalo que existe são as limitações operacionais que uma empresa estatal enfrenta.

BNamericas: O que vocês estão fazendo para acelerar as obras?

Duarte: Nós fizemos um levantamento na empresa para identificar os principais gargalos e avançar as obras, e observamos que tínhamos uma percepção equivocada nossa sobre quais seriam esses gargalos.

Achávamos que os principais problemas seriam na execução das obras por parte dos prestadores de serviços, mas vimos que os principais gargalos estavam no início dos projetos, na parte de estruturação e também na liberação de áreas. Agora estamos trabalhando para solucionar esses problemas.

Além disso, nosso regulamento em licitações foi atualizado e queremos avançar mais, por exemplo, na realização de contratos de performance que tragam resultados mais rápidos. Queremos também avançar para o modelo de obras semi-integradas, onde eu faço apenas um projeto básico da pretensão de licitação e chamo a empresa contratada para me dar a solução completa, com o projeto executivo também.

Além disso, outra mudança que estamos fazendo é que, historicamente, a Copasa sempre fez a manutenção dos seus sistemas e agora queremos focar mais na substituição, ao invés de manutenção.

Eu não consigo fugir das amarras da legislação atual, mas conseguimos avançar alguns pontos para perfomar melhor os investimentos.

BNamericas: Qual modelo de privatização é o mais viável, a venda do controle ou a venda total da Copasa?

Duarte: É importante fazer uma ressalva: a decisão da privatização é do controlador da empresa, do governo do estado. Mas minha percepção pessoal é que todas as possibilidades poderiam ser avaliadas.

Porem, além da decisão do controlador, a privatização também precisa da aprovação da Assembleia Legislativa do estado. Ou seja, o governo, através de uma argumentação técnica, terá que construir esse dialogo com os legisladores.

BNamericas: Você tem planos de diversificar as fontes de receita?

Duarte: Não estamos olhando para a diversificação de receitas. Temos um aterro para operação de resíduos sólidos que traz sinergias positivas para a companhia, mas nosso foco mesmo é realizar os investimentos nas nossas áreas de negócios atuais, para sempre buscar a universalização da cobertura. 

BNamericas: Como você está trabalhando para controlar os custos em meio às pressões inflacionárias?

Duarte: A empresa tem uma diretriz do controlador, que é sempre se pautar por uma gestão técnica e eficiente, prezando sempre pela redução de custos e eficiência, e temos conseguido controlar os custos mesmo com a alta inflacionária.

Em relação a custos, uma das principais pressões nossas é com gasto de pessoal. Vamos lançar um novo PDVI (programa de desligamento voluntário individual) para aqueles funcionários que estão há mais tempo na empresa. Nós temos um total de 10,5 mil funcionários hoje e, em dezembro, devemos anunciar detalhes desse PDVI e a nossa meta de redução de pessoal.

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