Colômbia
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Fenalcarbón colombiana: ‘Aqui há carvão para 200 anos’

Bnamericas Publicado: sexta-feira, 25 novembro, 2022
Fenalcarbón colombiana: ‘Aqui há carvão para 200 anos’

A Colômbia, quinto maior exportador de carvão do mundo, enfrentará no ano que vem os efeitos da recém-aprovada reforma tributária, que, entre outras coisas, impede que as mineradoras deduzam o pagamento de royalties de suas declarações fiscais.

Somado aos efeitos econômicos que a indústria do carvão enfrentará devido a essas reformas, está o impacto da recessão econômica global e as novas reformas que o governo do presidente Gustavo Petro poderia realizar.

Nesta entrevista à BNamericas, o ex-vice-ministro de Minas e atual presidente da Federação de Produtores Fenalcarbón, Carlos Canrte, dá sua opinião sobre a indústria de mineração colombiana em geral e a mineração de carvão em particular.

BNamericas: Quais são os principais desafios para a indústria carbonífera colombiana no próximo ano?

Cante: O principal desafio tem a ver com a recessão econômica mundial que vai se aprofundar em 2023 e implicará uma diminuição dos volumes de procura de energia em geral, pelo que teremos de ver as implicações para o carvão térmico e também as implicações na produção de aço e seus efeitos sobre o carvão metalúrgico e o coque.

Um dos indicadores fundamentais da diminuição do ritmo econômico em nível global é a demanda por energia e aço, por isso estamos incertos sobre a profundidade da recessão e como diminuirão os volumes de comércio internacional de carvões térmicos e metalúrgicos, bem como o impacto que terá sobre os preços.

Embora seja verdade que esse tipo de incerteza é comum em commodities, no nível local deve-se acrescentar a incerteza em relação às políticas governamentais. Cada pronunciamento, cada opinião de funcionários dos diferentes ministérios gera incerteza sobre o desempenho do setor.

O principal desafio que temos é o da política e da chamada transição econômica. Aguardamos as orientações que serão dadas no Plano Nacional de Desenvolvimento e nos diferentes instrumentos de política pública, pois podem ter impacto no desenvolvimento competitivo do setor.

Claramente, a reforma tributária é o primeiro ponto que afeta seriamente a competitividade do setor e se torna um elemento de restrição ao seu desenvolvimento.

BNamericas: A incerteza já gerou efeitos adversos em torno dos investimentos em carvão e coque?

Cante: Estamos vendo uma pausa nos investimentos; há projetos que desaceleraram.

Normalmente, a mineração de grande porte tem que avançar na renovação de equipamentos, maquinários pesados, e isso ainda não se viu, além do fato de ainda termos um problema sério na cadeia produtiva mundial. Se a decisão de fazer o investimento não for tomada hoje, com certeza o maquinário demorará cerca de 18 meses para chegar.

Na mineração de médio e pequeno portes existem cerca de 1 mil títulos minerários no interior do país que normalmente deveriam estar desenvolvendo investimentos para crescer. A mineração subterrânea de carvão tem que investir todos os dias e vemos pequenos e médios mineradores esperando o desenvolvimento das políticas do novo governo para continuar avançando em seus planos de investimento.

BNamericas: Quais são os principais mercados de exportação de carvão e coque colombianos atualmente?

Cante: O mercado de exportação de carvão térmico é bastante diversificado. A Colômbia está exportando um pouco mais para a Eurásia (Turquia), devido à demanda, mas também muito para a Índia (betuminoso) e países como China e América Central, Brasil e México.

Em relação ao carvão metalúrgico e coque, nossos principais parceiros comerciais são o México e o Brasil, mas também exportamos para a Europa. Somos o principal exportador não europeu de coque para aquele continente; há até exportações para a África. A coca colombiana está indo muito bem.

BNamericas: Qual é a expectativa no momento em relação ao comportamento dos preços?

Cante: Esperamos que volumes significativos de demanda continuem pelo menos no próximo ano devido ao déficit estrutural de carvão térmico no mundo. Apesar da recessão global, esperamos que volumes significativos de carvão continuem saindo da Colômbia em 2023.

Os preços continuarão elevados no próximo ano para o carvão térmico. Aceitamos a previsão de algumas agências que falam em cerca de US$ 250/t de carvão térmico.

O mercado internacional de carvão metalúrgico e coque caiu bastante devido ao impacto da queda nos volumes de produção de aço, principalmente nos meses de julho, agosto e setembro. Esperamos que os números se recuperem no restante do ano. Mas seguramente a procura mundial por carvões metalúrgicos e térmicos será menor no próximo ano, a que se acrescenta que os preços têm caído.

Nossa expectativa é de que os preços fiquem em torno de US$ 300/t para o coque e US$ 200/t para o carvão metalúrgico, mas a concorrência internacional será muito maior devido à queda na demanda.

BNamericas: Como estão as minas e projetos de carvão na Colômbia neste momento?

Cante: Temos exportado os carvões do interior do país, que normalmente são a base do consumo nacional. Diante dos altos preços, esses carvões tornaram-se competitivos para exportação, algo que raramente acontece nos ciclos de preço desse mineral.

Em relação ao carvão metalúrgico, a produção está avançando bastante, mas em relação ao coque, a coqueificação diminuiu: muitos fornos foram desligados porque a demanda caiu; a produção diminuiu porque a demanda caiu.

BNamericas: Qual é o tamanho das reservas de carvão da Colômbia?

Cante: A Colômbia possui aproximadamente 8 Bt de carvão térmico e 2 Bt de carvão metalúrgico. Aqui há carvão para 200 anos. Mas estamos falando de perspectivas pouco animadoras no curto e médio prazos. Eu diria mais no curto prazo. Não se deve esquecer que a mineração é pensada a longo prazo.

BNamericas: Considerando a incerteza atual, o que a Colômbia pode esperar para o setor de mineração em geral?

Cante: Tenho pouquíssimas expectativas sobre as possibilidades de novos projetos nesta gestão ou a expansão de projetos que impliquem licenciamento ambiental adicional.

Acho que vai ser um cenário bastante complicado, principalmente para projetos que precisam de licença do órgão nacional de licenciamento ambiental.

O governo anunciou um aumento das exigências de fiscalização, do ponto de vista técnico, mineiro e ambiental, e certamente isso se fará sentir no desenvolvimento das atividades mineiras.

Há demasiada incerteza porque não há mensagens claras das autoridades que nos permitam dizer que será possível desenvolver novos projetos mineiros. Eu vejo isso como algo muito difícil. Se tem sido difícil em governos que consideram abertamente que a atividade mineradora contribui para o desenvolvimento econômico do país, muito mais neste governo que tem sérias dúvidas sobre a contribuição econômica e social da indústria.

Não creio que neste governo possamos pensar em novos desenvolvimentos de projetos ou novos títulos.

BNamericas: Fala-se muito sobre a transição energética. Isso poderia incentivar projetos minerais estratégicos?

Cante: Não estou otimista que essa discussão ocorra e mantemos o espírito de promover minerais estratégicos para a transição energética, mas o número de instrumentos de política pública que o Governo Nacional está promovendo, como a nova lei de ordenamento territorial, a modificação do sistema ambiental nacional, a inclusão de novos mecanismos de participação cidadã no licenciamento ambiental, a aprovação do acordo de Escazú, entre outros, vão inviabilizar o licenciamento, pelo que ficará letra morta.

BNamericas: O que se espera no curto prazo com as reformas do Código Ambiental de que fala o governo?

Um tipo de lei de tal nível de complexidade técnica que entra em um nível de discussão que vai além da órbita técnica e inclui mais elementos que têm a ver com as aspirações sociais dos territórios e comunidades, pode certamente acabar sendo uma lei que em vez de organizar o setor de mineração, o desorganize.

Poderíamos acabar com um grande número de direitos comunitários para desenvolver pequenos projetos que são ineficientes do ponto de vista técnico, mineiro e ambiental e nem sequer contribuem para melhorar as condições de vida da população.

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