Planos e perspectivas da indústria de segurança eletrônica no Brasil
A indústria de segurança eletrônica do Brasil está otimista em relação a 2023, já que a demanda pública e privada envolvendo inteligência artificial e 5G continua crescendo e as empresas querem abordar questões econômicas e regulatórias.
Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese), que representa cerca de 500 empresas, o setor gerou R$ 11 bilhões (US$ 2,17 bilhões) em receitas no ano passado.
A associação representa fabricantes, distribuidores e prestadores de serviços de tecnologia de vigilância eletrônica, monitoramento, rastreamento e controles de acesso.
Nesta entrevista, a presidente da Abese, Selma Migliori, fala sobre as maiores prioridades do setor e as perspectivas para o ano.
BNamericas: Diante de um 2022 de sucesso, quais são as perspectivas do setor para 2023?
Migliori: O mercado está crescendo em média 10% nos últimos anos. Em 2022, crescemos 18% e temos perspectiva de crescimento de 19% para este ano. É bom, mas poderia ser melhor. Essa manutenção da taxa de crescimento se dá porque, em função da mudança de governo, muitas empresas estão ansiosas para entender o que vai acontecer com a economia.
Do ponto de vista da demanda, muitas tecnologias se tornaram obsoletas e precisam de renovação.
Temos o 5G, a inteligência artificial, que chegou para ficar. Não apenas para registrar imagens, mas para mandar avisos identificando possíveis problemas e uma potencial situação de risco.
Ao mesmo tempo, também vemos que os órgãos governamentais perceberam a importância da tecnologia como ferramenta para auxiliar no combate à violência. O governo federal vem designando verbas aos municípios para a implantação de cidades inteligentes, e nós colaboramos com esse tema.
BNamericas: De que forma as tecnologias emergentes, como o 5G e a inteligência artificial, são empregadas pelo setor?
Migliori: Com a chegada do 5G temos uma banda mais estável para comunicação. Todos esses produtos, inclusive de fabricação nacional, algo que vem aumentando muito no nosso segmento, necessitam de uma frequência mais forte para o patamar atual de transferência de informações e para esse tipo de comunicação.
Além disso, todas as informações que a tecnologia pode trazer, não só para os órgãos policiais, mas também para os gestores que estão protegendo um imóvel particular, são armazenadas na nuvem. Essa é outra grande tendência. Tudo está na nuvem. Nesse sentido, estamos vendo uma redução nos custos desses serviços de nuvem.
Sobre a inteligência artificial, o setor de segurança eletrônica tem avançado bastante em soluções preditivas, como as de videomonitoramento, muitas delas, aliás, baseadas na nuvem.
BNamericas: Nuvens públicas e privadas?
Migliori: Sim. Inclusive no setor público. Em São Paulo, por exemplo, existe o programa Detecta [parceria entre o estado e a Microsoft].
A Abese tem um convênio com o programa para colaborar, através das empresas associadas, com o compartilhamento de imagens de câmeras privadas das ruas, sempre respeitando os protocolos e a LGPD [legislação de proteção de dados].
Estamos falando de imagens no entorno de imóveis monitorados por empresas privadas e que porventura captem determinadas atividades nas ruas. Uma internet estável, segura, com boa largura de banda e armazenamento em plataformas de nuvem são indispensáveis para esse processo.
BNamericas: Como isso é feito respeitando a LGPD?
Migliori: A LGPD limita a finalidade do uso de dados. As imagens são utilizadas quando precisamos avaliar questões de segurança em um determinado local, a pedido de órgãos de investigação.
Os dados sensíveis das pessoas, sua identificação, são protegidos e, a priori, não podem ser disponibilizados.
BNamericas: Quais são as principais demandas do setor?
Migliori: A pauta prioritária é a aprovação do estatuto da segurança privada. Esse estatuto está parado no Senado desde 2016, aguardando aprovação. Ele já passou pela Câmara dos Deputados, já passou por todas as comissões do Senado, falta apenas votação no plenário, a aprovação e a sanção pelo presidente.
O estatuto da segurança privada possui um capítulo sobre segurança eletrônica, que regulamenta as atividades do setor.
BNamericas: E por que isso é importante?
Migliori: Hoje quem se regula é o mercado. Temos uma autorregulação. Mas qualquer empresa pode entrar no mercado, sem nenhum tipo de ordenamento jurídico, barreiras mínimas, equiparação fiscal. Não se trata de reserva de mercado.
Temos grandes e médias empresas na Abese, principalmente, mas também pequenas. Todas operam com um selo de qualidade fornecido pela associação. Mas é preciso segurança jurídica para o setor e isonomia.
Com a regulamentação, quem entrar no mercado precisará ter um alvará de funcionamento. Quem está contratando uma empresa de segurança privada terá corresponsabilidade.
A segurança eletrônica provê informações. Nós aplicamos as tecnologias disponíveis para prover informações, inclusive para que os órgãos competentes façam o devido combate à violência.
Mas também é preciso que haja a segurança dessas informações. As empresas que entram na disputa precisam ser sérias, entender a LGPD. Isso tem um custo, exige uma estrutura. Nem todo mundo está preparado para isso.
Além disso, a própria Receita Federal confunde, para fins de cobrança de impostos, serviços de vigilância em geral com segurança privada eletrônica.
BNamericas: Qual é a expectativa do setor em termos de investimentos?
Migliori: Não temos um número fechado na Abese.
Temos visto grandes investimentos nos últimos anos em tecnologia, manufatura e contratação de profissionais, além de marketing, operações e vendas. Apesar da cautela, as empresas estão ampliando seus negócios.
Cerca de 90% dos players do setor pretendem contratar funcionários no regime formal este ano. O segmento emprega mais de 1 milhão de pessoas diretamente.
É um mercado relativamente novo, com cerca de 45 anos, que já tem uma representação importante na economia brasileira.
BNamericas: Você citou contratações, mas há um debate em andamento sobre a substituição de profissionais de segurança por sistemas automatizados. Como a Abese avalia a questão?
Migliori: É um pouco o que aconteceu com os bancos. Hoje quem vai a uma agência e encontra vários caixas disponíveis para o atendimento? Quantas agências existem hoje em comparação com os últimos anos?
A tecnologia vem para quebrar esses paradigmas, mas também para ajudar na evolução dos profissionais.
A Abese tem o compromisso de realocar os profissionais de segurança, o porteiro, após treinamento e atualização, dentro da central de monitoramento 24 horas. Nós incentivamos e apoiamos esse processo, desde que o profissional deseje e esteja aberto a essa atualização.
Isso traz, inclusive, maior segurança ao profissional, que fica menos exposto à violência.
BNamericas: Quais são as perspectivas de negócios e novas parcerias com o setor público?
Migliori: Como intermediária, a Abese promove conexões com gestores públicos, faz a ponte com o setor privado e ajuda a acompanhar alguns projetos.
Temos iniciativas em Curitiba [Paraná] e em São José do Rio Preto [São Paulo]. Em Porto Alegre [Rio Grande do Sul] temos algumas coisas saindo do forno também.
BNamericas: Como você avalia o uso de câmeras nos uniformes de policiais, que é comum em São Paulo e deve ser implantado em todo o país?
Migliori: Do ponto de vista da proteção do cidadão e do próprio policial, entendemos que é um equipamento que traz mais proteção.
Sabemos que em todas as áreas, e não só no setor público, existem pessoas que não estão devidamente preparadas para atuar em determinadas situações. A câmera traz segurança e tranquilidade para todos.
Sobre a iniciativa do governo, temos uma agenda intensa nos próximos dias em Brasília para discutir esse e outros programas. Queremos ajudar no que for possível em todos os programas, sejam eles federais, estaduais ou municipais.
A ida a Brasília também faz parte da agenda de regulamentação do setor. Para nós, a aprovação da lei é fundamental e espero obter mais resultados nesta passagem pela capital.
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