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Setor de construção de Porto Rico luta em várias frentes

Bnamericas Publicado: terça-feira, 05 julho, 2022
Setor de construção de Porto Rico luta em várias frentes

O setor de construção de Porto Rico precisa lidar com custos cada vez mais elevados, escassez de mão de obra e burocracia. No entanto, oferece oportunidades em diversos segmentos.

A BNamericas conversa com Vanessa de Mari-Monserrate, presidente da Associação de Construtores de Porto Rico, sobre os detalhes e possíveis soluções para esse cenário.

BNamericas: Qual é o maior desafio do setor de construção em Porto Rico?

De Mari: Os custos. Os aumentos nos custos de construção após a pandemia foram bastante impactantes. A isso acrescentamos o fato de que, como uma ilha, temos um problema de mão de obra e outro grande problema de transporte: 80% dos produtos utilizados são trazidos de navio, então a guerra na Ucrânia e o aumento no preço do petróleo tiveram um enorme impacto sobre nós.

Os custos de construção em Porto Rico estão sendo um desafio considerável para a indústria, especialmente em moradias populares.

BNamericas: Existe uma estimativa do crescimento dos custos?

De Mari: Estima-se que foi de 30% a 35%.

BNamericas: A ilha tem mão de obra qualificada para realizar todas as obras necessárias?

De Mari: Sim, de acordo com a [agência federal de gerenciamento de emergências] FEMA, Porto Rico precisará de 89 mil funcionários da indústria de construção e temos cerca de 30 mil ou 35 mil. Então, assumimos que entre 40 mil e 50 mil funcionários serão necessários quando o os recursos começarem a fluir mais rapidamente.

Neste momento há escassez, mas o impacto não é tão grande, porque os recursos não estão fluindo com tanta agilidade. Quando comecei a trabalhar na indústria de construção civil, o setor estava no auge e havia muita transferência de conhecimento entre pais e filhos. Quando veio o desastre [em 2006 houve uma paralisação do governo de Porto Rico devido à falta de recursos], isso se perdeu. O elo familiar foi rompido e vimos muitos funcionários indo para os EUA.

BNamericas: Qual seria uma solução para este problema?

De Mari: Já imaginávamos que ficaríamos nessa situação e preparamos várias iniciativas, mas não existe uma só que vá resolver o problema, porque faltam muitos funcionários.

Começamos a fazer programas de capacitação na ilha e nos aliamos a diferentes organizações sem fins lucrativos para implementá-los. Acreditamos que o visto [para trabalhadores estrangeiros] vai ajudar, mas não muito, porque estamos competindo em nível nacional e, todos os anos, 66 mil vistos são concedidos nos EUA. Eles são distribuídos em duas etapas: uma no início e outra na metade do ano, quando abrem inscrições para receber candidaturas.

Na última abertura, em que iam conceder 33 mil vistos, foram recebidos 100 mil pedidos. Por isso, estamos caminhando com alternativas diferentes para encontrar formas de não depender do visto para preencher esses espaços. Temos que trabalhar com funcionários locais.

BNamericas: Isso será um problema para os projetos?

De Mari: Sim, prevemos um impacto, e tudo vai depender de quantos outros projetos começarão agora. Se as comportas se abrirem e muitos forem iniciados ao mesmo tempo, haverá um impacto: os projetos demorarão mais e custarão mais.

BNamericas: A lei de infraestrutura dos EUA contribui para o problema? Muitos recursos federais chegarão e, com eles, diversos projetos.

De Mari: Sim, porque faz parte dos projetos de construção da ilha tem, mas precisamos de uma infraestrutura mais sólida e resiliente. Infelizmente, dependemos muito da energia aqui, então para nós é muito importante ter investimentos e uma reforma da infraestrutura em toda a ilha. Isso vai ser bastante positivo, porque, à medida que tivermos uma infraestrutura mais resiliente, outros projetos poderão ser desenvolvidos em torno dela.

BNamericas: Quais são os subsetores de infraestrutura em que há maior oportunidade?

De Mari: Os aeroportos já estão sendo trabalhados e melhorando muito. A parte elétrica vai afetar as telecomunicações e o abastecimento de água, porque o setor de água e saneamento de Porto Rico também está em uma situação muito precária, especialmente o manejo da água usada, que é fundamental. Além disso, temos uma infraestrutura viária bastante antiga e deteriorada, que precisa de reparos.

BNamericas: Existem outras áreas com oportunidades para a iniciativa privada?

De Mari: Também temos uma grande necessidade de promover o turismo. O turismo em Porto Rico não teve a expansão que poderia ter. Estamos vendo muitas construções de novos hotéis e ainda temos alguns hotéis que não abriram totalmente, mas acho que o turismo é um bom setor para investidores estrangeiros, assim como o imobiliário, porque também há falta de moradia.

BNamericas: Quanto é preciso investir em infraestrutura na ilha?

De Mari: Bilhões de dólares.

BNamericas: O que você recomendaria aos investidores estrangeiros?

De Mari: Recomendamos sempre unir forças com uma empresa local, porque Porto Rico é uma ilha que tem suas próprias regras, muito diferentes de outras partes do mundo. Vimos investidores que quiseram fazer as coisas como nos EUA ou em outros lugares e fracassaram. Portanto, o conselho primordial é unir forças com uma empresa local.

BNamericas: Você pode dar exemplos?

De Mari: Se falarmos especificamente sobre o setor de construção, a maneira como as licenças são trabalhadas é muito diferente. Aqui trabalhamos muito com concreto. Nos EUA, é madeira. A logística e a cultura de como trabalhar com os funcionários são completamente diferentes. Aqui, se faltam funcionários, é preciso importá-los, ao contrário dos EUA, onde só precisam trazê-lo de outro estado.

BNamericas: Em quais questões o governo deveria se concentrar em termos de construção?

De Mari: Já recomendamos em diversas ocasiões que o governo reduza os custos que podem ser controlados. Temos alguns custos de construção que não controlamos: transportes, materiais, mão de obra – esses são determinados pelo mercado. Mas dentro de um projeto de desenvolvimento, há muitos custos governamentais que refletem os custos de construção, e esses podemos reduzir.

Isso nos ajudaria muito a diminuir a diferença entre o custo de construção e o preço de venda. Em moradias populares, esse é o déficit que temos. Outra coisa que também estamos trabalhando com o governo é uma reforma real para processar os alvarás, para que sejam muito mais ágeis e rápidos.

Trabalhamos também com o aumento dos limites de renda, porque não adianta aumentar os salários das pessoas se os limites de renda também não forem aumentados, pois as pessoas podem perder subsídios habitacionais, planos de saúde, etc.

Entendemos que estamos em uma articulação com esses fundos federais, porque precisamos tomar decisões que impactam o desenvolvimento econômico de longo prazo, não só para resolver o problema que temos, mas também para criar uma economia sustentável.

BNamericas: Quanto tempo leva para conseguir um alvará de construção em Porto Rico?

De Mari: Infelizmente, tempo demais. E é uma coisa bem complexa. Depende do tipo de projeto, mas nós, como associação que tem muitos projetos habitacionais, podemos levar até um ano para conseguir.

São muitas etapas, e estamos pedindo que elas sejam agilizadas e mescladas. Seis meses seria um período mais do que razoável, mas às vezes o processo leva entre um ano e um ano e meio.

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