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Brasil atrai estrangeiras para setor nuclear, diz associação

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Brasil atrai estrangeiras para setor nuclear, diz associação

Há interesse crescente de empresas estrangeiras em investir no setor nuclear brasileiro, disse à BNamericas Celso Cunha, presidente da Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (Abdan).

O movimento acompanha a retomada do debate global sobre segurança energética, descarbonização e expansão da geração firme.

"Multinacionais com atuação consolidada no mercado internacional demonstram interesse e, em alguns casos, já possuem presença ativa no país, como Westinghouse, Framatome e Rosatom", assinalou Cunha.

Ele ressaltou que essas empresas acompanham de perto oportunidades ligadas à conclusão de projetos em andamento, ao avanço dos pequenos reatores modulares (SMRs), ao fortalecimento da cadeia produtiva e à expansão do ciclo do combustível no país.

"O interesse externo existe e tende a se intensificar à medida que o ambiente regulatório avance e ganhe maior previsibilidade", afirmou o presidente da Abdan.

O Brasil tem hoje duas usinas nucleares em operação, ambas no estado do Rio de Janeiro: Angra 1 e Angra 2, com capacidade instalada de 657MW e 1.350MW, respectivamente.

O Plano Nacional de Transição Energética (Plante), em análise pelo governo, prevê estímulos à energia nuclear, incluindo subsídios técnicos e insumos para assegurar autossuficiência operacional nas etapas de conversão, enriquecimento e fabricação de urânio.

Constam do plano o processo de extensão da vida útil por mais 20 anos de Angra 1 e a manutenção da disponibilidade e do fator de capacidade em níveis elevados de Angra 2.

Também é endereçada a viabilização da entrada em operação de Angra 3 (1.405MW), alinhando financiamento, contratos e obras "a um único caminho crítico", além do desenvolvimento do arcabouço regulatório para SMRs.

Adicionalmente, o Plante contempla a pesquisa de locais para sítios nucleares, incluindo estudos de análise de impacto ambiental e articulação com comunidades locais.

Nova usina

As obras de Angra 3 se arrastam desde a década de 1980. Em 2025, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou resolução que determina à Eletronuclear e ao BNDES a atualização e complementação dos estudos relativos à modelagem econômico-financeira para a conclusão da usina.

Em fevereiro de 2026, o Tribunal de Contas da União (TCU) realizou auditoria para avaliar documentação e orçamento de referência para a contratação das obras remanescentes da planta, orçadas em cerca de R$20 bilhões (US$3,9bi). O órgão recomendou à Eletronuclear que, antes de publicar o edital de licitação para a contratação do EPC, revise o orçamento-base do certame.

O Plano Nacional de Desenvolvimento Energético (PDE) 2035 indica a entrada em operação de Angra 3 em 2033. E alerta que a fonte nuclear traz especial atenção ao tema dos resíduos na região Sudeste, "uma vez que resíduos radioativos exigem gestão especial em função de sua periculosidade."  

Abertura

Na avaliação de Cunha, a entrada da Âmbar Energia, do grupo J&F, no capital da Eletronuclear representa uma mudança estrutural importante no setor nuclear brasileiro.

Além do reforço de investimento privado e da diversificação de capitais, a transação de R$535 milhões fechada com a Axia Energia tende a aumentar a pressão por eficiência e governança, favorecendo o avanço de projetos nucleares.

Ele também acredita que o movimento pode estimular uma revisão do marco legal nuclear e fomentar a cooperação público-privada, trazendo novos recursos e maior agilidade.

(A versão original deste conteúdo foi redigida em português)

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