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Destaque: os investimentos em tecnologia dos principais bancos brasileiros

Bnamericas Publicado: terça-feira, 15 novembro, 2022
Destaque: os investimentos em tecnologia dos principais bancos brasileiros

Espera-se que o setor bancário brasileiro invista R$ 35,5 bilhões (US$ 6,68 bi) em tecnologia até o final de 2022, um aumento de 8% em relação ao ano anterior, de acordo com a pesquisa anual sobre tecnologia bancária da Deloitte para a Febraban.

No ano passado, os 21 principais bancos do país gastaram mais de 30 bilhões de reais em tecnologia, um aumento de 18% em relação a 2020.

Todos esses investimentos focam em nuvem, inteligência artificial, automação de processos robóticos (RPA, ou chatbots) e internet das coisas.

Segundo a Febraban, os bancos locais respondem por 14% dos investimentos em tecnologia no Brasil, perdendo apenas para o governo, com 15%.

A BNamericas analisa os investimentos em tecnologia dos quatro maiores bancos brasileiros: Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander.

BANCO DO BRASIL

O Banco do Brasil investiu R$ 3 bilhões em tecnologia nos primeiros nove meses do ano. Este ritmo o coloca a caminho de superar, no final do ano, os R$ 3,8 bilhões do ano passado.

Desde 2016, o Banco do Brasil investiu R$ 24,5 bilhões em tecnologia.

O banco definiu a “aceleração da transformação digital e inovação” como um dos cinco pilares de sua estratégia de negócios para 2023 a 2027, e afirma ter um dos maiores parques tecnológicos da América Latina, processando até 14,6 bilhões de transações por dia.

A parcela de clientes que utilizam os canais digitais (internet e mobile banking) atingiu 92,7% no terceiro trimestre, ante 90,7% no mesmo período de 2021. Até setembro, 26,9 milhões de usuários eram considerados clientes ativos em plataformas digitais.

Esses canais representaram 28,1% de todos os desembolsos de crédito pessoal e 12,7% do crédito consignado no terceiro trimestre.

Ainda no trimestre, 27,4% de todas as operações de atendimento, como investimentos, solicitação de cartões, abertura de conta e capitalização, seguros e consórcio, foram realizadas digitalmente, segundo o banco.

O Banco do Brasil também registrou 148 milhões de interações no WhatsApp no terceiro trimestre, um aumento de 22% contra 120 milhões de interações no ano anterior, atendendo a 11,9 milhões de usuários.

Apenas 5,3% dessas interações foram transferidas para o suporte humano, já que o chatbot resolveu a maioria dos problemas.

O Banco do Brasil também atingiu a marca de 1 milhão de clientes únicos compartilhando dados de outras instituições com o banco sob o conceito de open banking, ou open finance. Desse total, 85% receberam ofertas personalizadas por meio de dados compartilhados.

Nuvem e venture capital

O Banco do Brasil disse que soluções como o PIX, open banking, chatbots e monitoramento de fraudes estão rodando na nuvem.

Mais de 3 mil aplicativos/serviços realizam milhões de operações por dia na nuvem, segundo o banco.

O Banco do Brasil também está dobrando a aposta nas movimentações de capital de risco. Em 2021, o banco fez os primeiros investimentos em fundos de venture capital. Seu programa Corporate Venture Capital (CVC) tem como alvo govtechs, fintechs, agtechs e experiência do cliente, com foco em mobile e open banking.

O foco da CVC são as startups em estágio semente e série A, com produtos e clientes testados.

O banco também é o maior financiador do agronegócio do país e tem parcerias avançadas para levar inovação ao campo. A Broto, plataforma digital voltada para esse segmento, está em operação há dois anos.

“Para o segmento do agronegócio, de pequenas a grandes fazendas, estamos ampliando a plataforma digital Broto, que já tem mais de R$ 2 milhões em negócios [desembolsados] em dois anos, proporcionando aos agricultores acesso a produtos e serviços bancários e não bancários”, disse o CEO Fausto Ribeiro em teleconferência de resultados.

“Como maior parceiro do agronegócio brasileiro, até setembro havíamos desembolsado R$ 63,5 bilhões para o plano safra 2022/23.”

O Banco do Brasil também está em parceria com a startup FieldPRO em inteligência climática e ciência de dados para oferecer a ferramenta aos produtores rurais. A solução está disponível na plataforma Broto.

ITAÚ UNIBANCO

Maior banco privado do Brasil, o Itaú planeja migrar de 60% a 70% de seus serviços e sistemas para a nuvem como parte de um contrato de 10 anos assinado com a Amazon Web Services (AWS), líder global em nuvem pública.

O plano é atualizar e migrar cerca de 50% dos mais de 3,7 mil serviços para a nuvem da AWS até o final do ano, de acordo com o banco, aumentando tal percentual ao longo dos anos.

Em dezembro de 2020, o Itaú contratou a AWS para realizar essa migração para a nuvem, vista como um dos maiores contratos da AWS na América Latina.

O programa iRetail 2030 do Itaú tem como objetivo acelerar a integração dos serviços de atendimento digital e físico para melhores sinergias. O Itaú chama de estratégia phygital, na qual o cliente escolhe o tipo de relacionamento.

A participação das interações digitais – contratos, transferências e pagamentos feitos eletronicamente – atingiu 92% no terceiro trimestre de 2022, ante 88% no mesmo período de 2021.

“Nossos investimentos cresceram R$ 1,9 bilhão. São investimentos em tecnologia, em novos negócios e na expansão dos negócios, buscando maior eficiência, produtividade, geração de receita e redução de custos”, disse o presidente Milton Maluhy Filho a investidores em teleconferência de resultados.

Ele acrescentou que a transformação digital do Itaú tem se refletido no aumento dos índices de satisfação dos clientes, nas pontuações líquidas de promoção, que por sua vez ajudam a gerar melhores resultados financeiros.

No terceiro trimestre, 70% das compras de produtos por pessoas físicas foram realizadas digitalmente, enquanto nos primeiros nove meses as compras digitais representaram 68%, um aumento de 15 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2021.

O fluxo de abertura de contas online cresceu 47% ao ano até setembro e a aquisição digital de produtos e serviços aumentou 1,2 vezes, informou o banco.

Cerca de 33% das operações de crédito foram realizadas por meio de canais digitais no terceiro trimestre, ante 38% no terceiro trimestre do ano passado, bem como 47% de todas as aplicações de investimento, ante 51%. Nos pagamentos, a taxa digital foi de 87%, ante 86%.

Força de trabalho e CVC

O Itaú ampliou o número de consultores de investimentos e, como parte do compromisso de acelerar a transformação digital, contratou tecnologia  pessoal, levando a um aumento da força de trabalho de 1,6% no ano até setembro, em comparação com o mesmo período de 2021.

Ao mesmo tempo, o Itaú reduziu o número de agências. Ao final de setembro, o banco contava com 391 agências digitais e 2.788 físicas, considerando o Brasil e seus outros oito mercados regionais, ante 202 e 3.035 em setembro de 2021.

O Itaú também aposta em investimentos e parcerias em startups, inclusive por meio de M&A, e possui um fundo de corporate venture capital na ponta de equity.

Os investimentos da CVC foram feitos nas startups Monkey, Digibee, Paketá Credito, Liqi, SAKS e Tenchi.

Enquanto isso, as parcerias comerciais de tecnologia incluem Locaweb, Samsung, PayPal e Apple, e no setor de M&A e JV, Totvs, ZUP, Ideal, Orbia, Avenue e Pravaler.

5G

O Itaú Unibanco foi o primeiro banco brasileiro a investir no 5G, em parceria com a Telefônica Brasil. Os testes estão ocorrendo desde dezembro de 2021.

Agora o banco planeja implantar 5G em 100 agências físicas em cinco estados brasileiros, usando as antenas de 3,5 GHz da telco. As filiais da primeira fase estão nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Goiânia e Aparecida de Goiânia.

BRADESCO

O Bradesco, segundo maior banco privado do país, ampliará suas iniciativas digitais por meio de parcerias com startups, entre outras, buscando aprofundar o relacionamento com os clientes e reduzir custos operacionais.

“Agora estamos a todo vapor na transformação do banco. [Somos], sem dúvida, um dos maiores bancos digitais do Brasil, mantendo a maior presença física entre os pares”, afirmou em teleconferência Leandro Miranda, diretor de relações com investidores.

Segundo ele, essas ações ajudaram a conter o aumento das despesas administrativas em 6,2% no ano.

Os canais digitais representaram 98% do total de transações entre janeiro e setembro, com mobile e internet respondendo por 93% do total. Em setembro, 71% dos correntistas do banco eram digitais, ante 66,8% em setembro de 2021.

Do total de clientes do Bradesco, 28,6 milhões são de operações digitais, 13,6 milhões do banco digital Next, 10,5 milhões da carteira digital Bitz e 4,5 milhões da fintech Digio.

Do total de créditos liberados no terceiro trimestre, cerca de 37%, ou R$ 30 bilhões, foram por meio de canais digitais, com destaque para o crédito consignado no segmento “pessoa física”, representando um crescimento de 14% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Nos consórcios, as vendas do Bradesco originadas nos canais digitais representaram cerca de 26% da originação total até setembro, com atuação relevante no mercado de agronegócio e imobiliário.

O aplicativo mobile do Bradesco utiliza infraestrutura em nuvem fornecida pela IBM, enquanto a assistente virtual do banco, BIA, foi criada com base na plataforma de inteligência artificial Watson, da IBM.

A unidade digital permitiu ao banco fundir ou fechar um número considerável de agências físicas. De acordo com Miranda, o Bradesco também vem reduzindo sua força de trabalho total, ao mesmo tempo em que amplia sua base de pessoal dedicado a TI e transformação digital.

Expansão digital no México

Em agosto, a subsidiária do Bradesco Bradescard México anunciou um acordo para comprar a Ictineo Plataforma, uma instituição financeira popular que opera com pessoas físicas no México.

“O negócio permitirá o acesso à autorização regulatória para distribuir novos produtos e expandir nosso desempenho para ser semelhante a um banco digital no México com o objetivo de obter uma presença mais robusta”, disse o banco em seu relatório do terceiro trimestre.

A Bradescard México é uma empresa financeira de crédito ao consumidor líder no segmento de redes varejistas, mas não possui licença para atuar em outros segmentos de negócios financeiros, pois opera como uma sociedade anônima no México.

A conclusão da transação está sujeita à aprovação da comissão bancária e de valores mobiliários mexicana CNBV e do Banco Central do Brasil.

Nuvem

O Bradesco tem como meta atingir 75% das transações dos canais digitais rodando na nuvem até 2025, tendo o Microsoft Azure como principal provedor.

Cloud corrobora com nossos ecossistemas digitais, inovando os modelos de negócios com parceiros que podem gerar valor – considerando serviços financeiros e não-financeiros, além de potencializar o uso de outras tecnologias, como inteligência artificial – integrada a projetos como o Brain e CRM, e as novidades, com suas potenciais adições, como Metaverso e 5G”, afirmou o banco em comunicado.

Em julho, o Bradesco ativou o primeiro sinal 5G nas agências de Brasília na faixa pública de 3,5 GHz.

SANTANDER

Até maio, cerca de 80% dos processos do Santander rodavam na nuvem.

A estratégia global envolve um ambiente multinuvem e híbrido, agrupando a nuvem privada com a nuvem pública da AWS e da Microsoft.

No Brasil, dos 57,7 milhões de clientes do Santander Brasil em setembro, 31,5 milhões eram considerados clientes ativos. Destes, 19,9 milhões eram digitais, ante 18,2 milhões em setembro de 2021. O Santander define como cliente digital aquele que acessou algum canal digital nos últimos 31 dias. O custo para atender clientes digitais caiu 37% no interanual do terceiro trimestre, para R$ 17,80.

O Santander Brasil teve uma média de 560 mil adições mensais de clientes digitais este ano e encerrou setembro com 535 milhões de visitas mensais totais em seus canais digitais.

Até agora, recebeu 2,4 milhões de solicitações de consentimento de entrada ativas no open banking (open finance), o que é 2,3 vezes maior do que as solicitações de saída.

O banco expandiu sua presença oferecendo novos serviços e entrando em mercados por meio de crescimento orgânico e inorgânico, incluindo 12 aquisições e parcerias nos últimos dois anos.

“O open finance está lentamente se tornando uma realidade. Já fizemos 2,4 milhões de permissões de entrada, o que é o dobro do número de solicitações de saída. Com o tempo, também extrairemos muito valor de nosso open finance”, afirmou o CEO Mario Leão em uma teleconferência de resultados.

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